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Expected 24 Sep 26Um romance intenso sobre culpa, perdão, e laços famíliares que resistem ao tempo.
Viridiana é a mãe amorosa e atenta de Margarida, Valquíria e Tito. No calor de um acontecimento trágico, será capaz do ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, abrindo um abismo entre eles. Depois de vinte anos sem se verem, quando o tempo parece ter dissolvido todas as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos.
«Autora das frases perfeitas, dos livros sublinhados, tanto por intelectuais como pelo cidadão comum, Carla Madeira viveu muitas vidas até se transformar na escritora mais lida do Brasil.»
Visão
«A escrita da Carla Madeira é de uma simplicidade que não tem nada de simples, com metáforas arrebatadoras e, da minha parte, com muitos “queria tanto ter sido eu a escrever isto”. Não fui, não serei, mas que bom que é ler quem o faça tão, tão bem.»
Ana Garcia Martins, a Pipoca Mais Doce
«Cada livro é uma viagem, e cada viagem tem as suas descobertas, os seus fascínios, os seus mistérios.»
Sónia Morais Santos
Viridiana é a mãe amorosa e atenta de Margarida, Valquíria e Tito. No calor de um acontecimento trágico, será capaz do ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, abrindo um abismo entre eles. Depois de vinte anos sem se verem, quando o tempo parece ter dissolvido todas as possibilidades, Carla Madeira nos colocará diante da extraordinária força dos afetos.
«Autora das frases perfeitas, dos livros sublinhados, tanto por intelectuais como pelo cidadão comum, Carla Madeira viveu muitas vidas até se transformar na escritora mais lida do Brasil.»
Visão
«A escrita da Carla Madeira é de uma simplicidade que não tem nada de simples, com metáforas arrebatadoras e, da minha parte, com muitos “queria tanto ter sido eu a escrever isto”. Não fui, não serei, mas que bom que é ler quem o faça tão, tão bem.»
Ana Garcia Martins, a Pipoca Mais Doce
«Cada livro é uma viagem, e cada viagem tem as suas descobertas, os seus fascínios, os seus mistérios.»
Sónia Morais Santos
266 pages, Paperback
First published August 14, 2026
About the author
Carla Madeira
11 books1,552 followersCarla Madeira nasceu em Belo Horizonte. Largou o curso de matemática e se formou em jornalismo e publicidade. Foi professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais e é diretora de criação da agência de comunicação Lápis Raro. Em 2014, lançou seu primeiro romance, “Tudo é rio”, um sucesso editorial, recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica.
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Community Reviews
Displaying 1 - 30 of 99 reviews
September 17, 2026
4,75 Este livro pertence à categoria dos livros “tristes, mas bonitos”. Cada página exala uma tristeza doce e poética, não apenas pela história, mas principalmente pela escrita. Uma escrita que só posso descrever como encantadora, quase mágica. Como é que alguém consegue dominar as palavras desta forma?
A narrativa explora a luta de uma família com o perdão e o esquecimento, um fardo que os acompanha como um espectro. Quando é que os laços familiares superam a dor infligida por aqueles que mais amamos?
Todas as personagens deste livro são desenvolvidas com tal complexidade que ninguém passa despercebido. À medida que o enredo se desenrola e as revelações se acumulam, a angústia vai-se tornando uma companheira constante do leitor. Apesar das falhas e fracassos de cada personagem, sentimos empatia por todas elas.
Esta história tornou-se cada vez mais cativante à medida que progredia. O final, considerando o rumo que a autora tomou, foi perfeito. Embora não ofereça grandes conclusões, provoca e impacta profundamente o leitor, quase a um ponto de desconforto. É notável como uma história tão triste consegue ser tão bela.
Depois deste (e de já ter lido “Tudo é Rio” e “Véspera”) quero muito ler “A Natureza da Mordida”.
A narrativa explora a luta de uma família com o perdão e o esquecimento, um fardo que os acompanha como um espectro. Quando é que os laços familiares superam a dor infligida por aqueles que mais amamos?
Todas as personagens deste livro são desenvolvidas com tal complexidade que ninguém passa despercebido. À medida que o enredo se desenrola e as revelações se acumulam, a angústia vai-se tornando uma companheira constante do leitor. Apesar das falhas e fracassos de cada personagem, sentimos empatia por todas elas.
Esta história tornou-se cada vez mais cativante à medida que progredia. O final, considerando o rumo que a autora tomou, foi perfeito. Embora não ofereça grandes conclusões, provoca e impacta profundamente o leitor, quase a um ponto de desconforto. É notável como uma história tão triste consegue ser tão bela.
Depois deste (e de já ter lido “Tudo é Rio” e “Véspera”) quero muito ler “A Natureza da Mordida”.
Review of advance copy received from Editora
Este é um livro da Carla Madeira! Mas por outro lado pareceu-me algo distinto dos outros livros da Carla Madeira. Explico: achei a escrita menos burilada ao cuidado extremo. Mas achei esta escrita mais densa e envolvente. Ou seja acho que a evolução da escrita de Carla Madeira nos leva a textos mais viscerais.
Gostei igualmente desta história retorcida em que família, masculinidade e sexualidade ganham novos significados.
Francisco, o pequeno Fran, é o grande heroi desta história e o verdadeiro sustentáculo daquela família.
Gostei igualmente desta história retorcida em que família, masculinidade e sexualidade ganham novos significados.
Francisco, o pequeno Fran, é o grande heroi desta história e o verdadeiro sustentáculo daquela família.
August 19, 2026
Uau! Vivi o conflito da ânsia de terminar e da lenta degustação de cada palavra. A história me prendeu do começo ao fim pois queria entender todos os personagens e narrativas, e ao mesmo tempo pausava em algumas partes que me tocavam profundamente. E confesso que no dia seguinte voltei para reler os primeiros capítulos e repassar pelo livro todo. Uma mistura de aprofundamento e abstinência.
September 4, 2026
Que livro bonito, triste e difícil. Uma narrativa impecável, personagens que parecem reais justamente por não caberem facilmente em certas caixinhas, relações familiares e aquele clássico julgamento moral que nos deixa tão desconfortáveis.
Amei até os agradecimentos.
Amei até os agradecimentos.
September 1, 2026
Em “Quando”, de Carla Madeira, acompanhamos uma história de arrependimento e perdão, sobre quem foge e quem fica, sobre quem esquece e quem lembra. A premissa é bastante original e o livro cresce principalmente na primeira metade, construindo a história a partir de múltiplos pontos de vista em torno de um desfecho que sabemos qual é, mas não exatamente como foi construído. Essa estrutura cria uma curiosidade constante sobre como as diferentes histórias e personagens vão se conectar. Na segunda parte, porém, senti que o livro perdeu um pouco do fôlego e algumas das soluções encontradas pela autora me deixaram frustrado. Ainda assim, assim como nos outros livros de Carla Madeira, gostei bastante da narrativa e da forma como ela constrói seus personagens e relações. Talvez parte da minha frustração venha justamente da expectativa de que a história seguisse por determinados caminhos, mas nem sempre as histórias acontecem como gostaríamos. Afinal, existem muitas histórias por aí e a maioria delas não necessariamente condiz com o nosso querer ou com a nossa imaginação.
September 5, 2026
Vou sempre ser fã da escrita da Carla Madeira e da beleza das suas palavras
August 15, 2026
PUM. Que tiro foi esse?
Um livro tão bonito sobre a nossa capacidade de perdoar (será que ela existe para além do coração de mãe?) e será que mãe perdoa ou nunca mesmo julga?
Um livro que fala sobre os emaranhados familiares, o preconceito, o amor entre mulheres.
Bravo Carla Madeira, mais um livro fantástico que eu me sinto privilegiada de ter lido
Um livro tão bonito sobre a nossa capacidade de perdoar (será que ela existe para além do coração de mãe?) e será que mãe perdoa ou nunca mesmo julga?
Um livro que fala sobre os emaranhados familiares, o preconceito, o amor entre mulheres.
Bravo Carla Madeira, mais um livro fantástico que eu me sinto privilegiada de ter lido
September 19, 2026
essa foi, sem dúvida, uma leitura visceral e incômoda. não chega a ser impecável (ou talvez meus 'porém' sejam apenas questões pessoais), mas cumpre perfeitamente o papel de nos fazer encarar o lado mais cinzento e real das relações familiares... quase não consigo parar de ler mesmo que muitas vezes estivesse doendo.
September 5, 2026
Lindo lindo lindo. Uma grande narrativa: um gosto amargo na boca, um aperto no peito - tão verdadeiro.
September 11, 2026
Brilhante! Eu sou muito apaixonada pela maneira como a Carla Madeira escreve. O estilo da sua escrita escancara a psiqué dos personagens na sua forma mais crua e também cruel, distante do que é aceitável socialmente. É um livro que traz amargor, ânsia e repulsa, mas você não consegue parar de ler.
September 14, 2026
Carla Madeira tem uma forma de colocar o dedo na ferida das emoções, é duro de ler, mas eu gosto de cada linha!
August 29, 2026
Alguns livros da Carla Madeira eu terminei odiando; outros, terminei amando. E, ainda assim, simplesmente não consigo parar de ler os próximos livros dela. Acho que o mais bonito da escrita dela é justamente essa angústia que ela deixa na gente. A complexidade dos personagens provoca sentimentos igualmente complexos, e não há nada mais humano do que sentimentos confusos, contraditórios, difíceis de nomear. E sigo achando que isso é um dom: trazer à luz da consciência, por meio da escrita, essa parte incômoda, contraditória e, muitas vezes, sombria da experiência humana. Ela escreve sobre aquilo que a gente preferia não olhar de frente. E talvez seja justamente por isso que eu não consiga parar de lê-la.
August 23, 2026
parece que esse livro arrancou uma parte de mim, machucou muito! dito isso virou meu segundo favorito da Carla e um dos favoritos da vida com certeza!
September 15, 2026
impactada como sempre e não paro de pensar sobre ele
August 22, 2026
“E o que Valquíria estava tentando dizer a Veridiana era sobre a sensação de ter visto na semente o destino da árvore inteira, ora, ora, é só uma sementinha de nada, é pouco demais, é promessa demais, é longe demais da árvore.”
Tem tanto nesse livro que me emocionaria em teoria, tantos temas que me atravessam, mas acabei dividida entre 3 e 4 estrelas, sem saber por que ele acabou não me tocando tanto assim. Ele teve momentos brilhantes, mas fiquei sentindo falta de algo. Valquíria e Margarida pareciam tomar vida fora da página, Tito e Maria pareciam de papelão. A escrita floreada às vezes era profunda na medida necessária pra explorar a complexidade da história, às vezes era só piegas na boca de personagens adolescentes. Não sei. Foi muito, mas quase foi mais.
Tem tanto nesse livro que me emocionaria em teoria, tantos temas que me atravessam, mas acabei dividida entre 3 e 4 estrelas, sem saber por que ele acabou não me tocando tanto assim. Ele teve momentos brilhantes, mas fiquei sentindo falta de algo. Valquíria e Margarida pareciam tomar vida fora da página, Tito e Maria pareciam de papelão. A escrita floreada às vezes era profunda na medida necessária pra explorar a complexidade da história, às vezes era só piegas na boca de personagens adolescentes. Não sei. Foi muito, mas quase foi mais.
August 17, 2026
Que privilégio é ler Carla Madeira. Uma obra que aborda o tema “perdão entre familiares”. Incrivelmente gostoso de ler cada página desse livro.
August 30, 2026
Meu, eu tô devastado. É difícil até organizar o que senti lendo esse, porque algumas cenas simplesmente não terminam quando a página acaba. Se você não leu e não curte spoilers, passa pra outra review!
A cena do Nino… uma criança que não tinha absolutamente nenhuma relação com o ódio que o outro carregava acabou comigo. A forma como foi construído aquele momento é de uma crueldade absurda, justamente porque Nino ainda tenta alcançar alguma humanidade junto ao Tito em meio aquela situação, dizendo: “Sou eu! Não me reconhece?” É apenas uma criança tentando se provar “familiar” naquele momento de desordem, como se ser reconhecido pudesse salvá-lo.
Aquilo me deu um nó na garganta, o choro entalado e aquela pergunta que eu sempre me faço lendo Carla Madeira, “Que merda é que essa que estou lendo?” No bom sentido claro, se que é a palavra bom pode ser aplicada aqui.
E o mais doloroso é saber que, depois daquela violência, a vida de Nino simplesmente pode não ter continuado, o que aconteceu vai redesenhar a existência dele… a cicatriz, o medo fica e a possibilidade de nunca mais se sentir completamente livre para ser quem é fica.
Enquanto isso, Tito também segue vivendo: passa brevemente pela cadeia, sofre de formas terríveis, se arrepende, se casa novamente, tem filhas e constrói outra vida.
E é justamente aí que Carla Madeira me incomoda — no bom sentido (e de novo, é palavra para ser aplicada aqui?)
Porque não existe uma balança moral capaz de equilibrar tudo isso. O sofrimento que Tito sofreu não justifica o que ele fez. A idade dele — 17 anos — explica algumas coisas, mas não apaga nada. Ao mesmo tempo, reduzi-lo para sempre ao crime que cometeu também seria uma forma confortável de escapar da pergunta que o livro parece fazer: o que fazemos quando alguém comete algo imperdoável, mas ainda assim precisa continuar vivendo? É delicado e cruel com a vida de quem tem passou por uma atrocidade que o dono dessa agressão possa recomeçar e ser feliz?
A Veridiana então torna tudo ainda mais doloroso. A mãe com a coragem de denunciar o próprio filho depois da atrocidade que ele comete, quando ela admite que, por um breve instante, desejou que ele se danasse, e reconhece que um instante desses na vida de um filho é muita coisa, Carla Madeira mostra uma maternidade sem idealização: contraditória, dolorosa e profundamente humana, ela não deixa de ser mãe dele, mas também não deixa de enxergar o estrago feito na vida de outra pessoa. Essa mãe que sempre buscou acertar suas criações…
E aí falando de criação, me leva a pensar ainda mais na Val que pra mim é a grande personagem desse livro…. Seu sofrimento não é necessariamente físico, é interno e machuca na rotina do dia a dia, no cotidiano. Está no cuidado com a mãe, na culpa, na relação com Margarida, na presença de Fran, na memória de tudo que aconteceu, na ausência de Maria, essa família toda tenta engatinhar depois de tudo enquanto o Tito (não duvido que ele tenha passado por muitos conflitos internos…) simplesmente se reencontra e recomeça. O recomeço para Val vem só depois da tempestade, do retorno do Tito e possivelmente depois da morte da VóVi - como chama Fran - que está por vir!
E não é o primeiro livro que a Carla parece voltar sempre a essa ideia de redenção e recomeço. Foi assim com Venâncio em Tudo é Rio, Abel em Véspera foi exceção - sem desfecho trágico que fizesse o leitor entender que ele pagou o equivalente pelo que fez com Vedina - e aqui novamente ela coloca personagens capazes de atrocidades diante da possibilidade de reconstruírem a própria existência.
Isso me incomoda pois ela acaba fazendo de certa forma um arco de redenção aos personagens masculinos que estão sempre destroçando a vida de outras mulheres enquanto as mulheres se tornam “heroínas” pela dor que enfrentam e pela forma que elas encontram de lidar com o seu redor deixado. Acho que é justamente isso que muita gente rejeita nos livros dela. Esperamos que o sofrimento seja proporcional à culpa, que exista uma punição capaz de encerrar a história e devolver algum equilíbrio ao mundo. Mas a vida felizmente - ou infelizmente - não funciona assim - mas há oportunidades melhores de se desenvolver isso.
O tempo passa e as pessoas continuam, algumas perdoam, algumas não, algumas mudam, algumas carregam para sempre aquilo que fizeram ou aquilo que sofreram.
E talvez a maior crueldade seja essa: uma pessoa pode destruir uma parte da vida de outra e, ainda assim, continuar vivendo depois disso. Porra, isso aqui é terrível!!
É isso que mais me incomodou em Quando. Tito tinha 17 anos? Tinha. Era inconsequente? Provavelmente. Mas e daí? Nino também era uma criança. Um ato de impulso redesenhou a vida dele de uma maneira que talvez nunca consiga ser completamente reparada. Tito pode reconhecer o mal que causou, pode carregar culpa e pode reconstruir a própria vida. Mas nada disso devolve ao Nino aquilo que foi arrancado dele.
E isso nos coloca a frente de questões morais e do que acreditamos enquanto ser humano, admiro isso na Carla Madeira ao mesmo tempo que me causa inquietação, ela não escreve sobre pessoas boas e más (pois isso fica a nosso cargo decidir, o ser humano é ruim por natureza ou onde ele vive o molda dessa forma?) ela escreve sobre pessoas!!!!Pessoas que ferem, que são feridas, que erram, que carregam culpa, que tentam reparar, que fracassam, que perdoam, que não conseguem perdoar e que, apesar de tudo, precisam continuar.
Quando me deixou com muitas perguntas e pouquíssimas respostas confortáveis e talvez seja justamente por isso que eu tenha gostado tanto.
Porque algumas histórias terminam quando fechamos o livro, mas essa aqui não!
A cena do Nino… uma criança que não tinha absolutamente nenhuma relação com o ódio que o outro carregava acabou comigo. A forma como foi construído aquele momento é de uma crueldade absurda, justamente porque Nino ainda tenta alcançar alguma humanidade junto ao Tito em meio aquela situação, dizendo: “Sou eu! Não me reconhece?” É apenas uma criança tentando se provar “familiar” naquele momento de desordem, como se ser reconhecido pudesse salvá-lo.
Aquilo me deu um nó na garganta, o choro entalado e aquela pergunta que eu sempre me faço lendo Carla Madeira, “Que merda é que essa que estou lendo?” No bom sentido claro, se que é a palavra bom pode ser aplicada aqui.
E o mais doloroso é saber que, depois daquela violência, a vida de Nino simplesmente pode não ter continuado, o que aconteceu vai redesenhar a existência dele… a cicatriz, o medo fica e a possibilidade de nunca mais se sentir completamente livre para ser quem é fica.
Enquanto isso, Tito também segue vivendo: passa brevemente pela cadeia, sofre de formas terríveis, se arrepende, se casa novamente, tem filhas e constrói outra vida.
E é justamente aí que Carla Madeira me incomoda — no bom sentido (e de novo, é palavra para ser aplicada aqui?)
Porque não existe uma balança moral capaz de equilibrar tudo isso. O sofrimento que Tito sofreu não justifica o que ele fez. A idade dele — 17 anos — explica algumas coisas, mas não apaga nada. Ao mesmo tempo, reduzi-lo para sempre ao crime que cometeu também seria uma forma confortável de escapar da pergunta que o livro parece fazer: o que fazemos quando alguém comete algo imperdoável, mas ainda assim precisa continuar vivendo? É delicado e cruel com a vida de quem tem passou por uma atrocidade que o dono dessa agressão possa recomeçar e ser feliz?
A Veridiana então torna tudo ainda mais doloroso. A mãe com a coragem de denunciar o próprio filho depois da atrocidade que ele comete, quando ela admite que, por um breve instante, desejou que ele se danasse, e reconhece que um instante desses na vida de um filho é muita coisa, Carla Madeira mostra uma maternidade sem idealização: contraditória, dolorosa e profundamente humana, ela não deixa de ser mãe dele, mas também não deixa de enxergar o estrago feito na vida de outra pessoa. Essa mãe que sempre buscou acertar suas criações…
E aí falando de criação, me leva a pensar ainda mais na Val que pra mim é a grande personagem desse livro…. Seu sofrimento não é necessariamente físico, é interno e machuca na rotina do dia a dia, no cotidiano. Está no cuidado com a mãe, na culpa, na relação com Margarida, na presença de Fran, na memória de tudo que aconteceu, na ausência de Maria, essa família toda tenta engatinhar depois de tudo enquanto o Tito (não duvido que ele tenha passado por muitos conflitos internos…) simplesmente se reencontra e recomeça. O recomeço para Val vem só depois da tempestade, do retorno do Tito e possivelmente depois da morte da VóVi - como chama Fran - que está por vir!
E não é o primeiro livro que a Carla parece voltar sempre a essa ideia de redenção e recomeço. Foi assim com Venâncio em Tudo é Rio, Abel em Véspera foi exceção - sem desfecho trágico que fizesse o leitor entender que ele pagou o equivalente pelo que fez com Vedina - e aqui novamente ela coloca personagens capazes de atrocidades diante da possibilidade de reconstruírem a própria existência.
Isso me incomoda pois ela acaba fazendo de certa forma um arco de redenção aos personagens masculinos que estão sempre destroçando a vida de outras mulheres enquanto as mulheres se tornam “heroínas” pela dor que enfrentam e pela forma que elas encontram de lidar com o seu redor deixado. Acho que é justamente isso que muita gente rejeita nos livros dela. Esperamos que o sofrimento seja proporcional à culpa, que exista uma punição capaz de encerrar a história e devolver algum equilíbrio ao mundo. Mas a vida felizmente - ou infelizmente - não funciona assim - mas há oportunidades melhores de se desenvolver isso.
O tempo passa e as pessoas continuam, algumas perdoam, algumas não, algumas mudam, algumas carregam para sempre aquilo que fizeram ou aquilo que sofreram.
E talvez a maior crueldade seja essa: uma pessoa pode destruir uma parte da vida de outra e, ainda assim, continuar vivendo depois disso. Porra, isso aqui é terrível!!
É isso que mais me incomodou em Quando. Tito tinha 17 anos? Tinha. Era inconsequente? Provavelmente. Mas e daí? Nino também era uma criança. Um ato de impulso redesenhou a vida dele de uma maneira que talvez nunca consiga ser completamente reparada. Tito pode reconhecer o mal que causou, pode carregar culpa e pode reconstruir a própria vida. Mas nada disso devolve ao Nino aquilo que foi arrancado dele.
E isso nos coloca a frente de questões morais e do que acreditamos enquanto ser humano, admiro isso na Carla Madeira ao mesmo tempo que me causa inquietação, ela não escreve sobre pessoas boas e más (pois isso fica a nosso cargo decidir, o ser humano é ruim por natureza ou onde ele vive o molda dessa forma?) ela escreve sobre pessoas!!!!Pessoas que ferem, que são feridas, que erram, que carregam culpa, que tentam reparar, que fracassam, que perdoam, que não conseguem perdoar e que, apesar de tudo, precisam continuar.
Quando me deixou com muitas perguntas e pouquíssimas respostas confortáveis e talvez seja justamente por isso que eu tenha gostado tanto.
Porque algumas histórias terminam quando fechamos o livro, mas essa aqui não!
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August 28, 2026
O vestido colorido da capa não dá pista sobre a verdadeira temática do livro “Quando” de Carla Madeira. No eixo da trama está a costureira Viridiana, ansiosa pelo reencontro com o filho, ausente há vinte anos. Porém, é a própria espera que se revela protagonista do romance: “Sei exatamente a sensação de ver o mundo seguir enquanto alguma coisa não sai do lugar dentro da gente”. Carla até poderia se deitar sobre os louros da fama, repetindo a fórmula de sucesso que a consagrou como uma das escritoras mais vendidas do Brasil. Ao invés disso, ousa sofisticar sua narrativa: alterna vozes de personagens num mesmo parágrafo, enquanto a inusitada pontuação acompanha o ritmo do tempo em suspenso e contagia o leitor com o sentido da espera. Brilha também nos diálogos ágeis e convincentes, sobretudo nos disparatados fluxos de pensamento do policial Ferola, reproduzindo à perfeição o ambiente de uma delegacia. A obra ganha vigor na investigação da origem das tragédias que desestabilizam as relações familiares: “como a vida rende, não basta sequer estar morto”. O boca-a-boca já começou: é mais um livro de Carla Madeira para enriquecer debates entre amigos!
September 11, 2026
É um livro bonito, te entretém e é dificil parar de ler. Ela escreve bem, mas eu, agora, nesse livro, vejo o que tanta gente critica nos outros: os temas são abordados com muita superficialidade, a reflexão que ela deseja, acho, promover, não se concretiza nunca tanto porque o tratamento dado às questões é extremamente vago, quanto porque o trabalho com a linguagem, embora “eficaz”, também é muito fraco. Os diálogos, por exemplo, oscilam entre o estranhamento (quem fala assim, meu deus?) e a simplicidade de texto de novela mal escrita. O livro, inclusive, me remeteu mto a novelas meio exageradas: tem todos os tipos de “temas polêmicos”, quase como se fosse um checklist de itens que precisam ser debatidos. No final, essa enorme mistura de polêmicas nunca chega a ultrapassar o plano da superficialidade, infelizmente. E isso é uma pena, porque realmente acho que ela tem talento.
September 2, 2026
Este é o quarto livro que li da Carla Madeira. Nos três primeiros, fiquei encantada com a narrativa envolvente, sensível e repleta de momentos inesperados de cada um deles, tão diferentes entre si. Desde Tudo é rio, me tornei fã dessa extraordinária escritora mineira e não perco a oportunidade de acompanhar suas entrevistas e palestras, sejam on-line ou presenciais. Acho que, por isso, tinha uma expectativa muito alta quando comecei a ler este novo romance, cujo lançamento aconteceu em meio a uma grande hype nas redes sociais. Só que, desta vez, custei muito a engrenar na história. Mesmo depois de ler 25% do livro, sentia-me meio perdida, não somente com a cansativa polifonia da narrativa, como também com a estranha pontuação do texto.
Até aí, tudo bem. Mas devo dizer que tive muita dificuldade para me emocionar com alguns personagens, pintados com tintas um tanto carregadas (como o delicado e tristonho Sr. Barros, com seus vestidos floridos, e a escandalosa Margarida mal amada). No meio do livro, a complexa questão da homoafetividade/homofobia atravessa a trama inicial (a delação da mãe, que entrega o filho à polícia) e, no final, se transforma no tema central da narrativa. A delícia da entrega à leitura, que senti nos outros livros de CM, desta vez não aconteceu para mim.
Até aí, tudo bem. Mas devo dizer que tive muita dificuldade para me emocionar com alguns personagens, pintados com tintas um tanto carregadas (como o delicado e tristonho Sr. Barros, com seus vestidos floridos, e a escandalosa Margarida mal amada). No meio do livro, a complexa questão da homoafetividade/homofobia atravessa a trama inicial (a delação da mãe, que entrega o filho à polícia) e, no final, se transforma no tema central da narrativa. A delícia da entrega à leitura, que senti nos outros livros de CM, desta vez não aconteceu para mim.
Read
September 20, 2026Uma mãe que vive cada minuto de sua vida de dor, além de uma doença terminal, duas irmãs que procuram um apoio e não sabem como o encontrar. Um irmão que só queria ser amado e mais um na história. Homens que machucam, meninos que são machucados no caminho. Uma banda de rock, amores adolescentes, a independência não incentivada, e um pouco mais.
Em uma escrita pluralizada, madura e novamente sensível, Carla Madeira assina mais uma obra, do jeito mais Carla de ser.
Viver é uma teia delicada e espinhosa, não há proteção que resguarde ninguém o tempo inteiro. Uma leitura que segue um ótimo fluxo, e que te mexe, mesmo que você não queira. Assim é Carla Madeira, pra cada um de seus textos.
Recomendo sim, mas é recomendado também ter alguém pra dar um abraço depois.
Em uma escrita pluralizada, madura e novamente sensível, Carla Madeira assina mais uma obra, do jeito mais Carla de ser.
Viver é uma teia delicada e espinhosa, não há proteção que resguarde ninguém o tempo inteiro. Uma leitura que segue um ótimo fluxo, e que te mexe, mesmo que você não queira. Assim é Carla Madeira, pra cada um de seus textos.
Recomendo sim, mas é recomendado também ter alguém pra dar um abraço depois.
September 16, 2026
Gostei muito dos personagens e a forma de conectá-los nas diferentes linhas do tempo e narrativas. A expectativa pelo que teria desencadeado as fricções na família despertou muito meu interesse, tanto que eu acho que nem precisava das reviravoltas. Mas Carla Madeira definitivamente sabe como construir e contar uma boa história.
September 2, 2026
Esperei TANTO por esse lançamento, a Carla é a minha autora preferida e não sei pq não gostei da história.
Estou muito chateada, não gostei do livro, gostei apenas do Nino e da mãe e não me conectei com ninguém
Estou muito chateada, não gostei do livro, gostei apenas do Nino e da mãe e não me conectei com ninguém
September 6, 2026
Esse livro é um daqueles que você termina abraçando, porque essa é real vontade, vontade de abraçar todos os personagens, vontade de abraçar a nós mesmo pós erros que praticamos em algum momento e vão ficando na vida.
Viridiana, eu também sou incapaz de aceitar a equação, aqui fazemos, ali levamos, e tem muita genialidade e bondade na hora de escrever e pensar isso
Viridiana, eu também sou incapaz de aceitar a equação, aqui fazemos, ali levamos, e tem muita genialidade e bondade na hora de escrever e pensar isso
September 10, 2026
Quando fala de quem parte e quem fica, do perdão e a (in)capacidade humana de enxergar o mundo além do seu próprio, aceitação e fulga, família e amor.
Pra quem tem o privilégio de ler Carla Madeira, a experiência se repete: foi impossível dividir a vida com outros prazeres além o de devorar a sua escrita.
Pra quem tem o privilégio de ler Carla Madeira, a experiência se repete: foi impossível dividir a vida com outros prazeres além o de devorar a sua escrita.
September 15, 2026
acho que esperei TANTO por um livro da carla madeira que esperava mais.
a história é muito boa, mas não é visceral como as outras, sabe?
achei que alguns pontos foram mal desenvolvidos, mas amei a construção da valquíria e da margarida (que nem protagonistas são)
a história é muito boa, mas não é visceral como as outras, sabe?
achei que alguns pontos foram mal desenvolvidos, mas amei a construção da valquíria e da margarida (que nem protagonistas são)
August 30, 2026
Quando comecei a ler o livro, achei um pouco confuso pela forma como estão unidos os diálogos, mas logo entendi a dinâmica e realmente me apaixonei pelo livro. Nos faz pensar com profundidade sobre as relações familiares e especialmente. Como foi o primeiro livro da Carla Madeira, fiquei com muita vontade de ler outros ☺️☺️
September 1, 2026
"Sei exatamente a sensação de ver o mundo seguir enquanto alguma coisa não sai do lugar dentro da gente."
September 13, 2026
queria que existessem 6 estrelas para poder classificar de forma justa.
arrebatador!
a escrita, a construção da narrativa e dos personagens, os assuntos escolhidos para se dar visibilidade, as críticas e a sensibilidade em trazer à superfície diversos sentimentos de forma tão visceral.
arrebatador!
a escrita, a construção da narrativa e dos personagens, os assuntos escolhidos para se dar visibilidade, as críticas e a sensibilidade em trazer à superfície diversos sentimentos de forma tão visceral.
September 19, 2026
me destruiu completamente ou seja é maravilhoso
Displaying 1 - 30 of 99 reviews






























