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Zumbido
Um terço da humanidade passa a ouvir um zumbido ― e ninguém sabe explicar por quê. Mark, estadunidense, e Rosana, brasileira, são pesquisadores em comitês de investigação na cidade de Ressaquinha, Minas Gerais, onde o fenômeno é percebido com mais intensidade.
Num cenário improvável e absorvidos pelo vórtex do delírio ― eles também ouvem o zumbido ―, os dois cedem a uma paixão, no mínimo, imprópria, já que pertencem a comitês rivais: ele, ao do Norte Global; ela, ao do Sul.
Entre desejo e desorientação, Zumbido coloca em choque uma multiplicidade de discursos e teorias que tentam dar conta do mundo e, quem sabe, daquele fenômeno. Mineração, geoengenharia, crise climática, abismos sociais e um casal apaixonado com senso de ridículo. Sem heróis nem respostas definitivas, Vinícius Portella escreve um romance extremamente contemporâneo ― e no limite do ensurdecedor.
Num cenário improvável e absorvidos pelo vórtex do delírio ― eles também ouvem o zumbido ―, os dois cedem a uma paixão, no mínimo, imprópria, já que pertencem a comitês rivais: ele, ao do Norte Global; ela, ao do Sul.
Entre desejo e desorientação, Zumbido coloca em choque uma multiplicidade de discursos e teorias que tentam dar conta do mundo e, quem sabe, daquele fenômeno. Mineração, geoengenharia, crise climática, abismos sociais e um casal apaixonado com senso de ridículo. Sem heróis nem respostas definitivas, Vinícius Portella escreve um romance extremamente contemporâneo ― e no limite do ensurdecedor.
312 pages, Paperback
Published July 31, 2026
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Community Reviews
Displaying 1 - 1 of 1 review
September 17, 2026
ganhei o zumbido de uma amiga, n conhecia o vinicius portella e foi uma ótima surpresa descobrir um autor brasiliense (meu conterrâneo) escrevendo uma ficção tão atravessada pelo ambiente intelectual. acadêmico, cheio de referências e claramente mt interessado nas coisas q está discutindo, portella tem uma voz própria. espero q escreva mais e quero ler mais dele :)
o livro é mt fluido e fácil de ler, mesmo sem esconder os debates q estão por trás da narrativa, ecossocialismo, tecnocracia, tecnologia, aceleracionismo (n aparece exatamente como uma discussão sobre alt right, mas sabemos de onde uma parte importante desse imaginário vem, nick land, peter thiel e afins). o autor trabalha bastante com ecoansiedade e a trama flerta com geoengenharia, além de trazer alusões a acontecimentos recentes, desastres naturais e disputas geopolíticas e militares. tem tb referências mt específicas do ambiente acadêmico de teoria crítica hehe, q às vezes rendem momentos genuinamente engraçados, principalmente nas epifanias irônicas diante de figuras como milton nascimento e walter benjamin.
e tem romance (sem spoilers, obviamente), com os problemas de sempre de afeto, desejo e traição. n é exatamente aí q o livro tenta reinventar a roda, mas funciona bem como contraponto à parte mais conceitual.
em alguns momentos, porém, achei q o livro acaba reforçando uma caricatura mt específica do ecossocialista, ainda q n fique claro se isso é intencional ou n. aquela pessoa com uma sensibilidade em q a natureza ganha quase um estatuto moral, q enxerga os desastres climáticos como uma mensagem cósmica do planeta de q está sendo machucado pela modernidade, e em q gerações antigas aparecem associadas a saberes e tecnologias q teríamos perdido no processo de modernização (um imaginário q conversa bastante com o debate sobre conhecimentos tradicionais e tecnologias ancestrais dos povos originários). daí entram os clássicos de mineração, petróleo, cia, eua imperialista, bilionários, tecnocracia, eat the rich etc. uma espécie de imaginário conspiratório das humanidades, em q tudo parece se encaixar numa grande explicação sobre quem está por trás das coisas. curiosamente, a estrutura desse raciocínio n fica tão distante de certos imaginários conspiratórios da direita contemporânea, embora os inimigos, as referências e as conclusões sejam completamente diferentes. talvez seja justamente aí q o livro fique mais interessante, pq nem sempre parece saber se está descrevendo, ironizando ou participando desse imaginário.
e tem uma ironia adicional nessa autoimagem da juventude, pq a solução q a rosana pensa (rapidamente e em delírio) ao final do livro como possível saída acaba colocando os jovens no centro da equação. existe uma certa imagem do jovem como rebelde anticapitalista, desconfiado da tecnologia e ecológico, enquanto, dependendo da bolha (vide eleições 2017-atual), o jovem contemporâneo pode estar mt mais interessado em aceleracionismo, masculinidade, tecnologia, cripto, guerra cultural e alt right. mto, inclusive, pela falta de resposta q o outro lado tem a dar. achei curioso esse descompasso.
no fim, gostei bastante. é inteligente, engraçado, ambicioso e tem personalidade. recomendo! parabéns :)
o livro é mt fluido e fácil de ler, mesmo sem esconder os debates q estão por trás da narrativa, ecossocialismo, tecnocracia, tecnologia, aceleracionismo (n aparece exatamente como uma discussão sobre alt right, mas sabemos de onde uma parte importante desse imaginário vem, nick land, peter thiel e afins). o autor trabalha bastante com ecoansiedade e a trama flerta com geoengenharia, além de trazer alusões a acontecimentos recentes, desastres naturais e disputas geopolíticas e militares. tem tb referências mt específicas do ambiente acadêmico de teoria crítica hehe, q às vezes rendem momentos genuinamente engraçados, principalmente nas epifanias irônicas diante de figuras como milton nascimento e walter benjamin.
e tem romance (sem spoilers, obviamente), com os problemas de sempre de afeto, desejo e traição. n é exatamente aí q o livro tenta reinventar a roda, mas funciona bem como contraponto à parte mais conceitual.
em alguns momentos, porém, achei q o livro acaba reforçando uma caricatura mt específica do ecossocialista, ainda q n fique claro se isso é intencional ou n. aquela pessoa com uma sensibilidade em q a natureza ganha quase um estatuto moral, q enxerga os desastres climáticos como uma mensagem cósmica do planeta de q está sendo machucado pela modernidade, e em q gerações antigas aparecem associadas a saberes e tecnologias q teríamos perdido no processo de modernização (um imaginário q conversa bastante com o debate sobre conhecimentos tradicionais e tecnologias ancestrais dos povos originários). daí entram os clássicos de mineração, petróleo, cia, eua imperialista, bilionários, tecnocracia, eat the rich etc. uma espécie de imaginário conspiratório das humanidades, em q tudo parece se encaixar numa grande explicação sobre quem está por trás das coisas. curiosamente, a estrutura desse raciocínio n fica tão distante de certos imaginários conspiratórios da direita contemporânea, embora os inimigos, as referências e as conclusões sejam completamente diferentes. talvez seja justamente aí q o livro fique mais interessante, pq nem sempre parece saber se está descrevendo, ironizando ou participando desse imaginário.
e tem uma ironia adicional nessa autoimagem da juventude, pq a solução q a rosana pensa (rapidamente e em delírio) ao final do livro como possível saída acaba colocando os jovens no centro da equação. existe uma certa imagem do jovem como rebelde anticapitalista, desconfiado da tecnologia e ecológico, enquanto, dependendo da bolha (vide eleições 2017-atual), o jovem contemporâneo pode estar mt mais interessado em aceleracionismo, masculinidade, tecnologia, cripto, guerra cultural e alt right. mto, inclusive, pela falta de resposta q o outro lado tem a dar. achei curioso esse descompasso.
no fim, gostei bastante. é inteligente, engraçado, ambicioso e tem personalidade. recomendo! parabéns :)
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