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Os imortais

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Em Os imortais, Paulliny Tort, vencedora do prêmio APCA e finalista do Jabuti com Erva brava, surpreende o leitor com uma obra ambientada na pré-história e realiza um feito literário reconstruir um mundo anterior à linguagem tal como a conhecemos, mas pleno de complexidade, pensamento e imaginação.Neste romance tão próximo de uma epopeia, Tort narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Após um conflito com outro agrupamento, uma criança sapiens é incorporada ao clã. Afastando-se de visões estereotipadas sobre os primeiros hominídeos, Tort cria uma narrativa de aventura que também se configura como uma fábula sobre a origem da humanidade, e propõe um retrato especulativo do convívio entre duas espécies.Ousado e original, Os imortais celebra o poder inaugural da mente ao mesmo tempo que investiga as relações humanas elementares e o espanto diante do inexplicável, como o fogo, a morte e a doença. Com um estilo cristalino e envolvente, mas ainda assim poético, Paulliny Tort nos lembra que nosso elo com o passado é inquebrantável, enquanto o futuro da chamada civilização talvez seja mais frágil do que costumamos supor.

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First published January 1, 2026

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About the author

Paulliny Tort

4 books22 followers
Paulliny Tort nasceu em Brasília (DF). É jornalista e mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB. Erva brava (Fósforo), seu primeiro livro de contos, foi vencedor do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) e finalista do prêmio Jabuti 2022. Estreou na literatura em 2016, com o romance Allegro ma non troppo (Oito e Meio), semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura.

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7 (<1%)
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Profile Image for Pedro Pacifico Book.ster.
411 reviews7,387 followers
August 24, 2026
Os imortais, de Paulliny Tort

Como os humanos se comunicavam antes da linguagem que conhecemos hoje? Já imaginou como os pensamentos se desenvolviam na cabeça dos indivíduos pré-históricos? Essas são, sem dúvida, questões que despertam a nossa curiosidade e que confrontam a forma de se relacionar que conhecemos. E foi a partir desse desafio, de imaginar uma sociedade da qual não temos registros escritos, que a autora brasileira Paulliny Tort construiu um dos romances mais originais que li nos últimos tempos.

Quando um grupo de neandertais encontra um grupo de sapiens, um conflito se instaura e o resultado é uma única garota sapiens viva. Ela, então, passa a acompanhar os indivíduos com quem partilha algo maior do que a espécie: a condição humana. O grupo se desloca em busca de recursos mínimos para sobrevivência e encontra ao longo dos caminhos diversos desafios climáticos e relacionados à coexistência com outros animais.

Os personagens não tem nomes próprios. O leitor os conhece como Homem, Mulher, Velha… as funções são atribuídas e há uma hierarquia definida. Mas, repito, tudo com base em uma linguagem distinta da que utilizamos hoje. E Paulliny Tort consegue nos levar nessa viagem por milhares de anos usando uma forma de narrar que prescinde dos diálogos. É a descrição do ambiente, das reações e dos comportamentos de cada um do grupo. São homens e mulheres que vivem de uma forma muito mais instintiva, com normas sociais mínimas, mas que pensam e sentem.

Fiquei muito impressionado como a leitura é capaz de prender o leitor não só pelo desenrolar do enredo, mas pela curiosidade de como a obra seria construída. E toda a habilidade de escrita da autora, que é de certa forma simples, foi complementada por um misto de imaginação e de pesquisa extensa sobre o período pré-histórico.

Ainda que algumas descrições de pensamentos possam parecer contemporâneas demais, acredito que não há certo ou errado na proposta imaginada por Paulliny. Não é ciência, mas literatura. Ela conseguiu promover uma imersão no humano em seu estado mais primitivo, de pura sobrevivência, traduzindo ao leitor o que desses indivíduos ainda vive em nós. Pela originalidade e ambição, a leitura merece um 10!
Profile Image for Gabrielle Cunha.
469 reviews132 followers
July 12, 2026
O tema do livro não me interessou inicialmente (a história de um grupo de neandertais buscando pela sobrevivência). Mas os elogios eram tantos que não resisti. Pois amei.

A autora, de forma muito criativa, investiga essas relações humanas. Escrito de uma forma muito envolvente e bonita, não consegui parar de ler.
Profile Image for Gabrielle Alves.
128 reviews12 followers
May 27, 2026
Pra lista de ⚠️𝒻𝒶𝓋ℴ𝓇𝒾𝓉ℴ𝓈 𝒹𝒶 𝓋𝒾𝒹𝒶⚠️

Um livro que dá aulas de criatividade ao narrar sensivelmente a história de um clã de neandertais no seu cotidiano de luta pela sobrevivência. Mas como narrar uma história onde a linguagem é outra? Ora, Paulliny ensina que é através dos rituais, dos gestos, dos sonhos, dos encontros, dos sons, da interação com o meio. Afinal, o corpo também consegue falar e até a expedição em busca dos quase mitológicos cavalos consegue se tornar um evento épico inserido em outro ritmo de tempo.

Me peguei dormindo algumas vezes enquanto lia, e juro que isso é elogio. Há tempos eu não me demorava num livro assim. A escrita simplesmente te desacelera, e algumas vezes entrei num transe curioso, como se eu mesma estivesse vivendo na pele desses que foram nossos ancestrais e confundisse meus próprios sonhos com a realidade.

E claro, a virada do livro é o encontro com o homo sapiens e o desenrolar da história se dá nesse princípio de extinção e de gênese de quem fomos nos tornando com o tempo, nos adaptando, nos cuidando, alterando rotas. Também me surpreendi pq me vi assistindo vários documentários, desmistificando achismos de que mulheres não participavam da caça, sobre as nossas primeiras pinturas rupestres e essa nossa luta por sobrevivência num meio sempre em constante transformação.

Quem somos senão Mulheres e Homens, inomináveis diante da grandiosidade que é a vida e a beleza dos seres que nos cercam? Quem virá revelar nosso próximo destino? O que ainda vamos fundar? Nós, que sabemos fazer música e também travar guerras…. E se não existisse a morte? Talvez não fossemos capazes de amar tanto.

“𝙾 𝚑𝚘𝚖𝚎𝚖 𝚊𝚗𝚍𝚊 𝚝𝚘𝚖𝚊𝚍𝚘 𝚙𝚎𝚕𝚘 𝚜𝚞𝚋𝚕𝚒𝚖𝚎, 𝚖𝚊𝚜 𝚓𝚞𝚜𝚝𝚊𝚖𝚎𝚗𝚝𝚎 𝚊 𝚋𝚎𝚕𝚎𝚣𝚊 𝚎́ 𝚊 𝚌𝚊𝚞𝚜𝚊 𝚍𝚘 𝚜𝚎𝚞 𝚊𝚜𝚜𝚘𝚖𝚋𝚛𝚘. 𝙰 𝚌𝚘𝚒𝚜𝚊 𝚎𝚖 𝚜𝚒 𝚚𝚞𝚎 𝚍𝚊́ 𝚝𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚖𝚎𝚍𝚘, 𝚖𝚎𝚍𝚘 𝚍𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚍𝚎𝚛, 𝚙𝚘𝚛𝚚𝚞𝚎 𝚘 𝚋𝚎𝚕𝚘 𝚎́ 𝚝𝚊̃𝚘 𝚏𝚛𝚊́𝚐𝚒𝚕, 𝚝𝚊̃𝚘 𝚍𝚎𝚜𝚝𝚛𝚞𝚝𝚒́𝚟𝚎𝚕, 𝚗𝚊̃𝚘 𝚜𝚎𝚗𝚍𝚘 𝚝𝚊𝚖𝚋𝚎́𝚖 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚊 𝚌𝚘𝚒𝚜𝚊, 𝚜𝚎𝚗𝚊̃𝚘 𝚊 𝚙𝚛𝚘́𝚙𝚛𝚒𝚊 𝚟𝚒𝚍𝚊.”

Simplesmente inacreditável o que essa autora fez aqui, vai ganhar muitos prêmios.

⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐
Profile Image for Carol Moreira.
13 reviews171 followers
April 20, 2026
sensacional!!!! deveria ser leitura obrigatória na escola. o final 10/10
Profile Image for Rodolfo Almeida.
28 reviews2 followers
August 18, 2026
Texto publicado no meu blog.

--

Terminei a leitura de “Os Imortais”, de Paulliny Tort, e saí completamente maravilhado. Não devo ser o único que nunca havia lido uma história ambientada na pré-história, acompanhando um clã de neandertais na sua busca pré-linguagem pela sobrevivência e por algum entendimento do estranho e misterioso mundo ao qual foram invocados.

A capacidade que Paulliny Tort tem de nos aproximar dos monólogos internos, das angústias, temores, prazeres e alegrias desses nossos ancestrais constitui um esforço imenso de imaginação que, miraculosamente, parece brotar naturalmente da sua escrita primorosa.

Recomendo muito passar pela experiência dessa leitura por conta própria. Poderia (e quero) falar mais sobre o que o romance suscitou, mas antes quero me livrar de uma pequena pulga atrás da orelha que carreguei ao longo da leitura.

Cada uma das quatro partes do livro (“O Homem”, “A Mulher”, “a menina” e “a chegada”) é composta de dezenas de cenas que recebem títulos misteriosamente incompletos e que parecem formar uma palavra ou frase maior. São sílabas como por exemplo:

“Mu”, “mi”, “h”, “i_”

Depois de terminada a leitura, pesquisei online sobre o livro e a autora, mas não encontrei quem houvesse publicado que palavras eram formadas por essas sílabas ou fonemas.

Voltei então ao e-book e repassei as páginas coletando esses títulos, que juntos formam as seguintes frases:

PARTE I: O HOMEM
Sílabas: Mu mi h i_ c au s as_ me m o ra, qu o_ n u mi ne_
Frase: Mumihi causas memora, quo numine

PARTE II: A MULHER
Sílabas: la e so, q ui d ve_ do l e ns, re g i na_
Frase: laeso, quidve dolens, regina

PARTE III: A MENINA
Sílabas: d eu m_ t ot_ v oi v e re_ ca s us_ i n s i g n e m_ p ie ta t e
Frase: deum tot voivere casus insignem pietate

PARTE IV: A CHEGADA
Sílabas: vi ru m, t ot_ a d i r e_ la b o r e s_ im p u l e r i t. T an tae n e_ a ni m i s_ ca el e s t ib us_ ir a e?
Frase: virum, tot adire labores impulerit. Tantaene animis caelestibus irae?

Recorrendo ao tradutor Google Latim → Português (que não sei o quão preciso é), a mensagem se traduz neste trecho do início da Eneida, do poeta romano Virgilio:

MENSAGEM COMPLETA EM LATIM
Mumihi causas memora, quo numine laeso, quidve dolens, regina deum tot voivere casus insignem pietate virum, tot adire labores impulerit. Tantaene animis caelestibus irae?

MENSAGEM COMPLETA TRADUZIDA
Dize-me as razões, ó Musa: que vontade divina foi ofendida, ou que mágoa levou a rainha dos deuses a fazer com que um homem de tão notável devoção suportasse tantas provações e enfrentasse tantas adversidades? Pode haver tamanha ira em mentes celestiais?

Ou, o mesmo trecho na tradução de Manuel Odorico Mendes:

Musa, as causas me aponta, o ofenso nume,
Ou por que mágoa a soberana déia
Compeliu na piedade o herói famoso
A lances tais passar, volver tais casos.
Pois tantas iras em celestes peitos!

Não conheço e nem li a Eneida, poema épico que narra a saga de Eneias fugindo dos gregos em Troia até chegar a península itálica, onde se tornaria o ancestral de todos os romanos. Mas essa citação secreta sobre a ira dos deuses e o mistério da condição humana me fez sorrir e pareceu perfeitamente apropriada para o tom do romance.

Algo que admirei muito em “Os Imortais” é o respeito com que a autora trata seus personagens tão distantes e estrangeiros a nós. Nosso presente é repleto de narrativas aceleracionistas: mitos que descrevem o arco da história como uma linha eternamente ascendente e o futuro como um tempo e um lugar repleto de mais. Mais fartura, mais abundância, mais conhecimento, mais engenhosidade, mais tecnologia. O mundo dirigido e ordenado por Homens naturalmente melhores do que nós, pois futuros.

Parece corriqueiro, então, tratar dos nossos antepassados como sendo menos. Menos inteligentes, menos civilizados, menos informados, menos nutridos — ou, invertendo o sinal — mais estúpidos, mais doentes, mais bárbaros, mais animalescos. Mais bichos do que nós.

Muito disso pode ser verdade — e não me interessa separar o que é do que não é. Mas, para crer que nossos antepassados eram seres inferiores é preciso também crer que somos nós os ancestrais burros de um futuro homem superior ainda por vir. Há quem respire essa crença e nunca se descubra imerso nela. Ela pode ser apenas um desconforto, uma vergonha em relação à nossa condição histórica, mas pode ser também perigosa na medida em que nos autoriza a apostar nosso presente nas mãos de um homem futuro que virá nos salvar de nossa estupidez.

Em entrevista, Paulliny Tort sugere estar interessada no presente, que é “quando o caldo do nosso pensamento é mais grosso” (uma ideia maravilhosa). E o que “Os Imortais” faz de forma primorosamente espontânea e medida é justamente estreitar os laços entre presente e passado remoto mergulhando ambos nesse caldo grosso do pensamento.

Também nós somos os bichos. Também nossa é a fome, o frio e o medo que nossos antepassados atravessaram. Sangramos igualmente, sentimos o mesmo frio, o mesmo prazer e a mesma estupefação diante dos horrores e belezas do mundo que é cada dia mais hostil, brutal, belo e misterioso.

Eu, pessoalmente, prefiro não levantar a voz para denunciar como menores aqueles que atravessaram a história e me trouxeram até aqui. Francamente, diante dos horrores que nos cercam e do grande mistério da nossa condição, talvez tenhamos tantas respostas quanto eles. Pode haver tamanha ira em mentes celestiais?
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Hiago Peixoto.
23 reviews3 followers
September 8, 2026
existe um hype em cima de “os imortais”, da paulliny tort. na flip, só se falava dele. e antes disso, também, na crítica literária (ou cobertura jornalística, que eu considero outra coisa). o livro conta a história do encontro entre os neandertais e os sapiens, e tudo o que se sucede desse encontro. o que eu achei curioso é que o principal elogio é que ele fala sobre linguagem quando ainda não havia linguagem. e, de fato, é uma boa ideia. parece inventivo, interessante. como narrar a pré-história? como relacionar os personagens? o curioso que comentei é que foi justo na linguagem que, pra mim, o livro se perde.

é um vocabulário misturado, truncado, pretensioso até. conversando com um amigo (alô pepi), ele notou bem: rio nunca é rio, é sempre sanga. uma lança nunca é uma lança, é sempre chuço. pode parecer só escolhas estéticas, questões de estilo, talvez pra produzir um efeito arcaizante, mas quando falo que o vocabulário é misturado, é, também, porque se usa várias analogias com o contemporâneo, o que produz uma quebra de lógica, um estranhamento que te tira da história. em certo momento, ela chama uma personagem de “guriazinha”. e pior: cita essa mesma palavra duas vezes na mesma página e nunca mais usa essa palavra de novo.

de forma panfletária, moralizante e nada sutil, os imortais também ensaia fazer uma analogia do conflito narrado com os nossos conflitos atuais. chama a sapiens prisioneira de “estrangeira”; a velha é, por óbvio, a conservadora que quer matar a estrangeira em nome da religião do fogo; e os líderes jovens são os progressistas que aceitam a coitada. é como se fosse necessário fazer um comentário sobre a política atual pra de alguma forma, validar o livro — o que causa a impressão de que “nós sempre fomos assim”. será?

há, ainda, um trecho que, pra mim, foi a gota d’água, que é quando tort faz uma analogia barata ao pecado de adão e eva — digno de 50 tons de cinza.

fora as informações desnecessárias que não levam a canto nenhum, sem nenhuma consequência. uma encheção de linguiça sem fim.

porém, é inegável: o final é lindo. toda a cena é carregada de um simbolismo muito bonito, muito forte; e toda as cenas envolvendo os cavalos também.

sempre que vejo esses hypes, desconfio muito se eles são orgânicos de fato ou fabricados. de toda forma, vale a pena ler. em termos de conteúdo, de fato, é interessante situar a história na pré-história. meu problema, em geral, é com a forma.
Profile Image for Felipe Beirigo.
255 reviews29 followers
May 27, 2026
LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO DEMAIS! UM DESTINO, UMA GANGUE, MUITO FRIO E DO NADA, VRAU, O FOGO! OUTRA GANGUE, MUITA TRETA, CAVERNA, TINTA, FLAUTINHA, JAVALI, SEM DATA, SEM NOMES, SEM NADA. FUTURO. AMEI.
Profile Image for Cintia Andrade.
491 reviews53 followers
August 6, 2026
Muito bem escrito e é interessante a forma como a Paulliny coloca muito da experiência humana (paixão, luto, ódio, ciúme, inveja, injustiça, violência etc) em um grupo de neandertais (e alguns homo sapiens). Achei muito engenhosa também a forma como ela conjura uma vida interior tão rica em personagens que não tem a articulação da linguagem. Um livro com muitos méritos técnicos e uma originalidade indiscutível.
Profile Image for Andre Aguiar.
553 reviews149 followers
Read
August 18, 2026
Os homens, quando envelhecem, começam a se parecer com as tartarugas e as tartarugas, quando velhas, começam a se parecer com as pedras. Não piam, não chiam, não riem, não gritam, não choram. Tudo é terror, incompreensão e fuga.
Profile Image for Gabriela Melo.
27 reviews
June 29, 2026
Que bonito esse livro. Diferente de tudo o que já tenha lido.
Profile Image for Fabiana Trebilcock.
19 reviews
September 22, 2026
Apesar de uma escrita cuidadosa e certamente calçada em uma ampla pesquisa, não alcancei o furor em torno desse livro. O enredo mais parece uma tese arrastada de arqueologia, com excesso de descrições e sem qualquer clímax.
Profile Image for Matheus Diniz.
43 reviews6 followers
August 27, 2026
um dos melhores livros que já li (old que toda vez falo isso) mas esse me pegou demais pq faz a gente enxergar a nossa primitividade enquanto seres humanos e também a nossa complexidade enquanto sociedade que evoluiu desde a pré história. Uma grande canetada da literatura brasileira.
Profile Image for Mariana.
109 reviews10 followers
August 7, 2026
Nossa. Que aventura esse livro! Excelente narrativa. Bem escrito, profundo, cheio de cheiros, texturas, sensações. Adorei!
Profile Image for Carla Carolina.
49 reviews2 followers
May 23, 2026
Parece que vivi junto a Menina, a Mulher e o Homem, naquele clã, nos dias dessa leitura. Paulliny conseguiu escrever uma história convincente sobre os neandertais e os sapiens.

Apesar de ser um livro incrível, curioso e interessante, sobretudo pelo enredo inovador (ao menos pra mim), não é um leitura fácil ou palatável. A autora não disfarçou as dificuldades imaginadas, bem como as já conhecidas, da vida dos nossos ancestrais. A fome, a doença, a luta por sobrevivência, tudo isso de uma forma muito crua e direta.

Gostaria de ler outros livros na mesma temática!
Profile Image for Bárbara Lunardi.
260 reviews82 followers
September 24, 2026
Nossa, o que é o final desse livro???? Que bom que não deixei pra ler no ônibus, porque ó eu chorei viu?! Fiquei muito triste. Mas mesmo assim talvez tenha sido um dos melhores finais de livro que eu já li!

Eu achei engraçado eu me identificar tanto com o Homem (por outras duas personagens principais serem mulheres), mas que personagem sensível! É difícil ler personagens masculinos escritos dessa forma. Foi o de longe meu preferido, inclusive o capítulo dele foi o que eu mais gostei. ”Por que, afinal, as pedras não falam? E não piam, não chiam, não riem, não gritam, não choram. Ele olha para cima, para as estrelas que intervalam no céu encoberto. E as estrelas? O que elas têm a dizer?”

A Mulher e a menina são muito marcantes, cada uma à seu modo. A Mulher, infértil, guiando todo um povoado, vivendo livre, empática, e depois ela mais velha, mais vulnerável, mais sensível. “Nesse instante, a saudade que a constringe é tão doída que dá forma ao sentimento de uma pergunta: por que morreste, mãe? E a mãe, com um fechar de olhos brando e sem palavras, comunica em resposta: porque assim me tornei imortal.”

A menina experimentando coisas que toda mulher já passou, coisas que nunca provavelmente deixaremos de passar. Horrível pensar que homens estupram desde que o mundo é mundo, né? Ver ela crescendo, ver como ela surgiu, ver até onde chegou. Foi realmente uma viagem. ”Sente raiva, muita raiva, e pensa que devia ter batido mais no pequeno, na verdade, pensa que devia ter arrebentado com aquela cabeça.”

A história ficou um pouco monótona em uns 70%, mas ela melhorou logo depois, ou talvez foi porque escutei a autora falando sobre o livro outro dia, acabei pegando mais carinho. Uma coisa que me incomodou mas que ao mesmo tempo eu gostei foi a linguagem utilizada. Bem rudimentar, muitas palavras que eu não conhecia, e isso claramente não é ruim, na verdade é até um ar fresco em meio à tudo já escrito, mas acho que em alguns momentos ela pesou a mão. De qualquer forma, esse livro foi uma experiência. Uma andança por meio à diversos sentimentos e lugares imaginados e reais. Acho que nunca vou esquecer esse final.
Profile Image for Erwin Maack.
465 reviews18 followers
June 20, 2026

## O Eco da Terra e o Peso do Silêncio
O ponto de partida é geográfico e sensorial. Existe uma produção artística que não nasce do artifício ou do isolamento de um estúdio polido, mas sim do próprio chão que se pisa e do ar que se respira. É o que acontece nas latitudes extremas da Sibéria com a voz de Sainkho Namtchylak: um canto que emerge do silêncio mineral, do vento cortante e do isolamento bruto das estepes. Não há ornamentos ali; a voz mimetiza a crueza da natureza porque precisa dela para sobreviver.
Essa mesma relação com o solo dita a força da literatura de Paulliny Tort. A escrita dela brota das entranhas e do pó do Planalto Central, carregando o eco de um desconhecido ancestral. É o mesmo assombro que William Golding perseguiu ao tatear o recuo dos nossos primeiros antepassados diante da brutalidade humana: o confronto com uma terra intocada, onde o misticismo e o trauma estão soterrados sob as camadas do tempo. Em ambos, a ficção não é um exercício de imaginação aérea; é uma escavação arqueológica do que fomos e do que restou em nós.
Essa crueza telúrica exige uma escolha formal muito clara: a recusa do malabarismo verbal. Há textos que operam por expansão, como a famosa linha do dinossauro de Augusto Monterroso, que, de tão aberta, acaba gerando um ruído infinito de interpretações ao seu redor. Tort caminha no sentido oposto. Sua escrita se alinha à contenção cirúrgica daquela famosa história minimalista: *"Vende-se casaquinho de bebê, sem uso"*. A força dessa imagem não está no mistério fantástico, mas na dor humana concreta que o silêncio entre as palavras revela. É uma literatura econômica, contida e, por isso mesmo, profundamente emocionante. Paulliny Tort não precisa de excessos para desestabilizar o leitor; ela expõe a nudez do solo e a fragilidade da nossa existência com a precisão de quem sabe que, no fim das contas, a verdade mais profunda sempre surge do que se cala.
É essa mesma precisão seca que rege o passo seguinte. Na caminhada literária para o sul, o pó do Planalto Central inevitavelmente cruza caminhos com a cinza de Cormac McCarthy e a sua desolada estrada. O que assombra nessa transição é perceber que, no início dessa busca pelo ancestral, já havia a antecipação do fim. A estrada de McCarthy não é uma fantasia futurista distante, mas a tradução exata das nossas distopias cotidianas: o deserto avançando sobre os homens, o esvaziamento das relações e a urgência de manter uma chama acesa em meio à escuridão. O fim, afinal, sempre esteve contido no começo, esperando pacientemente o momento de vir à tona.
Profile Image for Thiago André.
34 reviews
July 30, 2026
Depois de algumas boas dezenas de páginas, abandonei a leitura. É raro acontecer, já que eu gosto de insistir até o final. Acho que o livro tem um grande potencial, a premissa é bastante imaginativa, mas os rumos que ele vai tomando (até o final da segunda parte) são todos previsíveis. Para completar, tem uma narração insossa, em banho-maria, que não se distingue das centenas de romances burgueses contemporâneos. Se é para narrar dessa forma, por que escrever um romance sobre neandertais? Se o narrador tivesse um mínimo de autoconsciência, talvez até fosse interessante; da forma como é escrito, porém, se torna um romance simplesmente banal, desinteressante e, honestamente, bastante tolo também.

(Gosto da prosa de Ana Paula Maia e acredito que ela ainda escreverá um grande livro. Sua obra é de um realismo brutal, seco, tanto no estilo quanto na narração, sobre um Brasil geralmente ignorado entre autores contemporâneos. Acho que as comparações -- que vi por aí -- com esse livro de Paulliny Tort são bem descabidas).
Profile Image for Artur Kon.
1 review14 followers
June 21, 2026
Pior que escrever um livro banal, pior até que escrever um livro ruim, é desperdiçar uma ideia genial transformando-a numa reiteração de um modo totalmente convencional (e ideológico, como não poderia deixar de ser) de narrar. A autora tinha ouro nas mãos: podia redescobrir a linguagem literária para narrar a origem da própria humanidade, a origem do próprio narrar. Preferiu o caminho fácil e só repetiu a mesma velha história do patinho feio. Com direito a supremacia racial e tudo.
Profile Image for Carolina Marchesin.
285 reviews2 followers
July 18, 2026
Com essa leitura fica convencionado que sou uma grandissíssima ortodoxa em termos literários. Chata mesmo, mea culpa. Não entendo como as pessoas gostaram tanto desse livro!!! Achei raso, sem graça, esperava muuuuuito mais pela premissa. Podia ser incrível, mas parece que a pesquisa da autora não ultrapassou os livros didáticos dos meus alunos do 6º ano. Apesar de não ser um contexto muito explorado na literatura, ficou sendo mais do mesmo pra mim.
Profile Image for Barbara.
14 reviews6 followers
June 24, 2026
A empreitada é muito louvável e leva para um lugar tanto da ficção quanto do estilo que é raro e achei muito bem sucedido. Dito isso, a leitura exige uma suspensão da descrença por parte do leitor maior do que a habitual por conta do paradoxo de se escrever sobre a subjetividade de personagens num período, ao que tudo indica, de protolinguagem. Então a leitura exige a boa vontade de mergulhar no anacronismo da premissa e se deixar levar para esses mundos, onde pelo menos eu entrei em contato com campos férteis e pouco explorados da imaginação.
Profile Image for Juliana Garbayo.
132 reviews10 followers
August 14, 2026
Um exercício de imaginação ousado, acompanhar um grupo de neandertais tentando sobreviver. Uma das maiores sacadas da autora foi começar a história pelos neandertais. Pauliny transporta tão bem o leitor pra dentro do clã que a gente se sente viajando com eles e, quando acontece o encontro com os sapiens, já não nos reconhecemos no grupo ao qual “devíamos” pertencer, o livro já nos pôs na pele do “Outro”.

E as quebras de expectativa que acontecem ao longo da história. Fiquei apaixonada pelo personagem do “Homem”, que faz coisas “sem razão”, que os outros não entendem, como correr pelo simples desejo de correr. O Homem que é a semente da filosofia, que se pergunta coisas não imediatamente utilitárias sobre o mundo, as relações, a vida, os seres.

Também a forma como ela mostra organicamente o início da arte de narrar, pois se acredita que as narrativas nasceram com os primeiros caçadores, que desenhavam a caçada nas paredes das cavernas, que contavam histórias à beira do fogo. Para Carlos Ginzburg, “o caçador teria sido o primeiro a ‘narrar uma história’ porque era o único capaz de ler, nas pistas mudas (se não imperceptíveis) deixadas pela presa, uma série coerente de eventos”. E Pauliny mostra isso: “Os caçadores começam a descarregar os cortes de couro, os ossos e as carnes. As histórias sobre o que lhes aconteceu, a gênese de seus machucados, as sortes e os azares que tiveram, a partida do Homem, a grande caçada, tudo isso, contarão à noite”.

Outras coisas muito representativas da natureza humana são mostradas no livro de maneira sutil e natural: a busca por pertencimento, o dilema entre a impulsividade e a estratégia, entre a sobrevivência mais impetuosa e selvagem e a sobrevivência mais calcada na colaboração social; a tendência a criar mitos pra explicar o que não se entende e o quanto as diferenças sobre essas crenças leva ao desentendimento.

Um livro interessante, bem escrito e incomum, que narra talvez o próprio nascimento da narrativa como forma de construir e reconstruir a experiência humana.

“O Homem fecha os olhos, bolas brancas explodem no avesso das pálpebras. Alguém chora, ele não sabe quem, prefere ouvir o ser que fala grosso em seu peito, tum-tum, tum-tum, tum-tum. Esse animal continua vivo.”

“Se todos morrem no Sonho, será para repetirem as mesmas contendas, sofrerem as mesmas necessidades, para existir e lutar indefinidamente sem nunca encontrar descanso? Não será possível simplesmente deixar de existir?”
Profile Image for Bianca.
64 reviews
September 12, 2026
daria mais estrelas se pudesse
incrível uma historia TÃO simples me impactar tanto
Profile Image for Alan Oliveira.
250 reviews5 followers
August 5, 2026
Peguei este livro por causa do Clube da Cultura do Calma Urgente. Ouvi muitos elogios a seu respeito no grupo e, inclusive, assisti a um encontro com a autora e um dos apresentadores do podcast, no qual eles discutem um pouco sobre a obra. Essa conversa me deixou ainda mais interessado na história.

Iniciei a leitura com grandes expectativas e realmente esperava um enredo mais elaborado. A história é simples e linear, ao meu ver, e por isso, poucos acontecimentos conseguiram me surpreender. Ainda assim, esse não foi um aspecto substancial a ponto de me fazer considerá-lo um livro ruim; longe disso.

A escrita é boa e embora a narrativa não tenha chegado onde eu esperava, ela ainda me prendeu pela curiosidade e pela constante expectativa de que algo maior fosse acontecer. Infelizmente, esse grande acontecimento que eu aguardava nunca chegou.

Entendo que este seja um livro voltado à observação do comportamento humano, mostrando como certas características do convívio em sociedade podem ser encontradas até mesmo nos primórdios da humanidade. Evidentemente, não se trata de uma obra com respaldo científico; até porque a autora não é uma especialista na área. Deve ser lido e interpretado como uma ficção em que ela busca imaginar, da forma mais plausível possível, como poderiam ter sido as relações humanas naquele contexto.

No fim, tive a impressão de que a intenção da autora nunca foi contar uma epopeia, mas retratar um recorte da vida daqueles seres humanos e lançar luz sobre comportamentos que permanecem surpreendentemente atuais, revelando elementos estruturais da nossa natureza que parecem nos acompanhar desde muito cedo como espécie.
Profile Image for thaís bambozzi.
316 reviews64 followers
September 23, 2026
O poder puro e simples de uma escrita cheia de imaginação. O pensamento vai longe pra pensar o que fomos, o que somos e o que seremos. Nós e essa condição humana que nos constitui e nos diferencia. Pouco importa o que foi pesquisa e o que foi invenção, tudo se mescla com maestria e temos aqui um livro autêntico e brilhante. Paulliny, que livro!!
Profile Image for Carlos Carvalho.
73 reviews6 followers
September 17, 2026
Um romance corajoso e ousado, que demonstra o poder criativo da literatura. Uma história de nossos ancestrais que joga luzes sobre as mazelas (e belezas) da humanidade, aquelas, mais que estas. Uma das leituras mais impactantes dos últimos anos.
Profile Image for Maíra Ribeiro.
7 reviews
August 11, 2026
Amei a leitura, Paulliny me levou inteiramente para a sua história, me senti imersa naquele ambiente. O que ela faz com a linguagem é genialidade pura. Parecia que eu estava lendo um clássico- e acho que de fato é o que este livro irá se tornar.
Profile Image for Ler Pra Escrever.
151 reviews4 followers
June 25, 2026
* Livro 85 de 2026*

Acabei de acabar Os Imortais, romance publicado em 2026 por Paulliny Tort.
Poucas coisas me animam mais na literatura do que encontrar autores dispostos a correr riscos. Em um momento em que tantas histórias parecem repetir estruturas já conhecidas, é revigorante ler um romance que nasce de uma pergunta improvável e decide levá-la às últimas consequências. Antes de qualquer comentário sobre o livro, fica meu respeito à Paulliny Tort pela ousadia do projeto.

A premissa é fascinante: acompanhar um grupo de neandertais em um momento de transformação profunda, imaginando não apenas seu modo de vida, mas principalmente sua forma de perceber o mundo. Não é um romance preocupado em reconstruir a Pré-História com rigor científico, mas em imaginar uma consciência anterior à linguagem como a conhecemos.

Essa escolha determina toda a estrutura da obra. Os personagens não possuem nomes próprios — são a Mulher, o Homem, a Velha, a Estrangeira — e praticamente não há diálogos. Há um discreto eco de Saramago nessa decisão de transformar uma limitação em princípio narrativo: assim como em Ensaio sobre a Cegueira a ausência da visão reorganiza a narrativa, aqui é a ausência da linguagem que obriga a autora a encontrar outras formas de construir emoções, conflitos e relações. O resultado é uma prosa extremamente fluida, sustentada por uma técnica que raramente chama atenção para si.

Outro grande acerto é a ambientação. A floresta deixa de ser cenário para se tornar um organismo vivo. A experiência acontece pelos cheiros, pela temperatura, pelos sons, pela textura da água, pela movimentação dos animais. A escrita é profundamente sensorial e cria uma imersão rara. Em poucos capítulos, deixamos de observar aquele mundo e passamos a habitá-lo.

Essa construção torna secundária qualquer discussão sobre fidelidade histórica. Pouco importa se os neandertais realmente pensavam daquela maneira ou se aquele ambiente corresponde exatamente ao que a ciência reconstrói. A verossimilhança interna é tão sólida que aceitamos naturalmente as regras daquele universo e seguimos adiante sem questioná-las.

Ao longo da narrativa, Paulliny Tort não busca surpreender por meio de grandes reviravoltas. Seu interesse está em revelar como sentimentos profundamente humanos atravessam o tempo. Amor, pertencimento, solidariedade, medo, vaidade, luto. A tecnologia muda, as sociedades evoluem, as línguas surgem e desaparecem, mas certas emoções permanecem praticamente intactas.

Terminei a leitura com a sensação de ter conhecido uma das propostas mais originais da literatura brasileira recente. Não apenas pela premissa, mas pela coragem de sustentar uma forma narrativa tão particular do início ao fim, sem concessões. Espero sinceramente que Os Imortais receba o reconhecimento que merece nas próximas premiações e, principalmente, que inspire outros escritores a desafiar formatos e convenções. A literatura sempre avança quando alguém decide abrir um caminho que ainda não existia.
Profile Image for Jairo Fruchtengarten.
382 reviews9 followers
September 3, 2026
"Os Imortais" (Paulliny Tort, Ed. Fósforo, 232 p.) começa como uma mistura de "A Estrada", de Cormac McCarthy, com "A Era do Gelo" (Gags não entendeu). Só que aqui não há nomes, não há diálogos e praticamente não há individualidade. O “Homem” e a “Mulher” lideram um pequeno clã de neandertais que parte em busca da própria sobrevivência, pressionado pela chegada do inverno. Em determinado momento, encontram os sapiens, num evidente e interessante choque de culturas.

Recentemente, li na sinopse de um livro que o principal personagem de uma obra de Orhan Pamuk não costuma ser uma pessoa, mas a própria cidade de Istambul (talvez o Laredo possa falar mais sobre isso). Paulliny Tort parece partir de uma ideia semelhante para construir um romance em que não faz muito sentido avaliar a profundidade dos personagens individualmente. O grande mérito do livro está justamente na maneira como a autora reconstrói, com competência e certo ineditismo, um período tão distante da história humana.

O livro se apoia nos hábitos e comportamentos daquele grupo para nos apresentar um mundo em que sobreviver já era uma tarefa suficientemente complicada. Eles manejavam ferramentas, dominavam o fogo, caçavam de forma organizada, cuidavam dos doentes e feridos e respeitavam uma espécie de hierarquia social. É interessante perceber como, mesmo naquele universo primitivo, já estavam presentes alguns dos elementos que ajudariam a definir o que entendemos por sociedade.

Uma leitura interessante, principalmente pela ambientação e pela tentativa de imaginar como seria a vida dos neandertais. Mas, talvez por esperar mais da história em si, terminei o livro com a sensação de que faltou alguma coisa. Na prática, gostei mais da ideia do que do livro propriamente dito.

Avaliação Final: 7,0/10
Status: 42º livro de 2026
Próxima leitura: "Caçando Eichmann" (Neal Bascomb)

Profile Image for Ricardo Martini Kato.
263 reviews4 followers
September 5, 2026
Nota: 3.8/5.0

Pequenas superações, mesmo que mínimas, são aquelas que nos movem e nos dão uma razão para viver. Em um mundo ancestral, em que o maior desafio é sobreviver a mais um dia, o simples fato de acordar e ter outro dia pela frente já representa uma superação inenarrável.

Em “Os imortais”, escrito por Paulliny Tort, acompanhamos a jornada de um clã neandertal em busca de um momento de paz nesse mundo hostil em que vivem. O desafio não é apenas encontrar alimento e sobreviver, mas manter a coesão do grupo e fazer com que a engrenagem continue funcionando — fator decisivo entre a vida e a morte.

Ao cruzarem com os homo sapiens, o grupo se divide entre diferentes opiniões e misticismos, até que uma menina acaba sob sua responsabilidade. Inocente de tudo o que acontece ao seu redor, ela carrega consigo a esperança da tolerância e da convivência, mas também o estigma de ser vista como a origem de todo o mal.

Navegando entre o desamparo, o medo e as pequenas descobertas desse grupo, Paulliny não procura necessariamente a exatidão histórica — até porque seria impossível reconstruir completamente a experiência daqueles que viveram há dezenas de milhares de anos. Seu objetivo parece ser outro: colocar um verniz de humanidade em nossos primos distantes, que jamais poderemos conhecer de fato, mas que podemos imaginar sofrendo, temendo, desejando e pensando de maneira não tão diferente de nós.
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