“A memória encontra aquilo que busca.” A literatura é o espaço onde a sensibilidade é aliada da memória. Palavras cruzadas, novo romance de Guiomar de Grammont, é delicado e corajoso não só porque toca no delicado vazio da impossibilidade de registro da vida – e da morte – de muitos desaparecidos políticos da ditadura no Brasil. É ficção que, mais do que se espelhar na realidade, esbarra na sensibilidade de uma vida que precisou lidar com a perda de um familiar nesse período político.
Com mistério, suspense, e revelações apresentadas progressivamente, o livro trata da angústia de uma família que jamais pôde enterrar um de seus filhos. Em uma leitura contemporânea do drama de Antígona, a jornalista Sofia busca o irmão, Leonardo, desaparecido na Guerrilha do Araguaia. Ela faz entrevistas e investigações e viaja a Cuba e ao local onde a guerrilha ocorreu, tentando preencher vazios para descobrir o que teria acontecido com o irmão.
A narrativa fluida é tecida principalmente através dos relatos de desaparecidos políticos que Sofia vai tendo em mãos. A personagem se confronta com a cruel realidade dos guerrilheiros e seu dia a dia de fome, lutas, medos, anseios, fuga e tortura. Memórias e fantasmas que a todo instante despertam a sombra de tudo o que o irmão pode ter vivido: “Parece um sonho agora, o mato cresce nas picadas abertas. As feridas tornaram-se cicatrizes, irão desaparecer. Como os nomes. Vão sendo esquecidos, pouco a pouco, com o que não queremos lembrar.” E a triste falta de resposta sobre um corpo desaparecido: “As árvores choram e morrem, mas seus corpos permanecem.”
Palavras cruzadas oferece uma narrativa lúcida, histórica, baseada em documentos sobre a Guerrilha do Araguaia e também sensível, literária. Fascina a descrição do desafio da sobrevivência na floresta amazônica em condições limite, sem poder fazer fogo para cozinhar alimentos. É angustiante, mas também impossível não continuar seguindo, como Sofia, os relatos dos guerrilheiros e as próprias divagações da personagem, pois a vida parece ter parado após a morte do irmão, mas nunca para. Sofia e Guiomar alcançam o que suas memórias buscam. E o leitor tem mais um Brasil para desbravar: o da guerrilha rural, tema pouco abordado na literatura brasileira.
Tuve el privilegio de asistir a un evento en el que la autora, Guiomar de Grammont, hizo una charla que ponía bastante en contexto al libro y lo relacionaba mucho con la importancia de hablar sobre eventos cruciales en la historia de un país que han sido censurados, específicamente en el contexto de la dictadura en Brasil. Todo esto me llenó de curiosidad por leerlo, especialmente porque estoy aprendiendo portugués y me llama mucho la atención la historia y cultura de Brasil. Como dicen otras reseñas, es un libro bastante fácil y rápido de leer por su tipo de narración. En cuanto a las referencias específicas a entidades, personas, denominaciones y demás específicas a Brasil, no siento que esto sea un factor determinante para impedir una lectura fluida. En mi caso, me bastó con buscar en internet los términos o nombres que no conocía para tener un panorama completo de a qué se referían, lo cual recomiendo en caso de no conocer o entender algún fragmento. Me gustó especialmente el constante diálogo entre Sofía, la protagonista, y las distintas voces que le proveen información sobre la desaparición de su hermano, pero también las omisiones dentro de esos relatos que dan pie a un mundo de posibilidades inasibles para Sofía. Esto lo relaciono con el título del libro que, según explicó la autora, significa "crucigrama" en portugués, pero que también está conectado a este aspecto dialógico y polifónico que le da riqueza literaria al libro. Aun así, siento que entendí demasido temprano cuáles eran los principales giros de trama, como los autores del diario y la relación del militar con la familia de Sofía. A pesar de esto, disfruté mucho el libro y lo recomendaría para quien desee saber más sobre un episodio realmente interesante de la historia de Brasil: la guerrilla del Araguaia.
Una novela que muestra un Brasil poco conocido. Una historia que pudo haber pasado en cualquier país latinoamericano. Guerrillas, familias destruidas, países opresores, idealismo, juventud. Lo mejor de la novela es la mezcla que crea la autora entre la ciudad y la naturaleza. Sus descripciones del mundo del Amazonas es exquisito y memorable.
O livro é excelente para quem quer conhecer mais sobre a Guerrilha do Araguaia e os efeitos da Lei de Anistia no Brasil. A história é dinâmica e a leitura é fácil e intrigante. Contudo, senti falta da autora aprofundar mais alguns pontos do enredo e desenvolver mais os sentimentos dos personagens. O enredo torna-se superficial em alguns pontos ao passar, em poucas páginas, de um momento a outro. Ainda assim, recomendo a leitura para quem quer conhecer mais sobre esse episódio da história do Brasil e os seus efeitos presentes.
3.5⭐ Nunca me imaginé leer un libro desarrollado en una selva mientras había una guerra sucediendo. Tampoco había leído un libro ambientado en Brasil, y sólo sé que me hace mucha falta del contexto social de allá jaja. Me entretuvo bastante, lo acabé en cuestión de 3 o 4 horas. El final si estuvo muy meh, la verdad esperaba un poco más.