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Sou Uma Multidão Minúscula
Em 1971, numa aldeia esquecida, Margarida cresce no casarão da colina rodeada por uma felicidade postiça. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime, filho da casa, e os dias longos de uma infância que parece ainda protegida. Mas longe da delicadeza dos gestos e da ordem dos dias, a brutalidade repete-se, aceite como uma fatalidade doméstica. Margarida é empurrada para fora daquela beleza encenada e aprende cedo que crescer é ser expulso da própria infância.
Décadas mais tarde, viúva e mãe de dois filhos, procura equilibrar-se entre três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Mas quando um novo ato de violência ameaça destruir aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar exato que decidira abandonar no passado. Proteger a filha poderá exigir-lhe o impensável.
Cruzando duas histórias de violência atravessadas pela mesma protagonista, Susana Amaro Velho constrói uma narrativa de tensão crescente, onde a estrutura e o jogo de perspetivas desafiam continuamente o leitor, confirmando a sua singularidade na forma como desmonta o rumo dos acontecimentos.
Sou Uma Multidão Minúscula é um romance profundamente humano sobre aquilo que herdamos sem escolha, o que tentamos esconder, e a forma como a violência atravessa gerações. Afirma-se como um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso.
Décadas mais tarde, viúva e mãe de dois filhos, procura equilibrar-se entre três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Mas quando um novo ato de violência ameaça destruir aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar exato que decidira abandonar no passado. Proteger a filha poderá exigir-lhe o impensável.
Cruzando duas histórias de violência atravessadas pela mesma protagonista, Susana Amaro Velho constrói uma narrativa de tensão crescente, onde a estrutura e o jogo de perspetivas desafiam continuamente o leitor, confirmando a sua singularidade na forma como desmonta o rumo dos acontecimentos.
Sou Uma Multidão Minúscula é um romance profundamente humano sobre aquilo que herdamos sem escolha, o que tentamos esconder, e a forma como a violência atravessa gerações. Afirma-se como um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso.
320 pages, Paperback
First published September 8, 2026
About the author
Susana Amaro Velho
6 books604 followersSusana Amaro Velho nasceu em Mafra, em março de 1986.
Estudou Jornalismo e Solicitadoria, e trabalha atualmente como freelancer na área da comunicação.
Publicou o seu primeiro romance em 2017. Em 2022, foi a primeira autora portuguesa a integrar a chancela Aurora, com Inquieta, onde também viria a reeditar Bairro das Cruzes. Participou no projeto coletivo O Sono Delas e, em 2024, publicou Descansos pelo grupo editorial LeYa, distinguido pela revista NiT como Melhor Livro do Ano.
As Últimas Linhas Destas Mãos, o seu romance de estreia, foi reeditado em 2025 e será brevemente publicado no Brasil.
Sou Uma Multidão Minúscula é o seu quinto romance.
Continua a viver na aldeia, com o marido e os três filhos pequenos.
Estudou Jornalismo e Solicitadoria, e trabalha atualmente como freelancer na área da comunicação.
Publicou o seu primeiro romance em 2017. Em 2022, foi a primeira autora portuguesa a integrar a chancela Aurora, com Inquieta, onde também viria a reeditar Bairro das Cruzes. Participou no projeto coletivo O Sono Delas e, em 2024, publicou Descansos pelo grupo editorial LeYa, distinguido pela revista NiT como Melhor Livro do Ano.
As Últimas Linhas Destas Mãos, o seu romance de estreia, foi reeditado em 2025 e será brevemente publicado no Brasil.
Sou Uma Multidão Minúscula é o seu quinto romance.
Continua a viver na aldeia, com o marido e os três filhos pequenos.
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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
September 19, 2026
«Sou uma multidão minúscula» foi uma leitura dura. E revoltante.
A história começa em 1971, ainda durante o Estado Novo, três anos antes do 25 de Abril, numa aldeia onde Margarida cresce no casarão da colina, rodeada por uma felicidade que depressa percebemos ser apenas uma encenação. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime e uma infância aparentemente protegida. Mas, por detrás dessa beleza e dessa ordem, a brutalidade repete-se em silêncio, aceite e escondida como se fosse uma fatalidade doméstica.
E talvez seja precisamente esse contraste que torna tudo ainda mais duro: a delicadeza dos espaços, dos gestos e das memórias de infância em oposição à violência que acontece longe dos olhares dos outros.
Décadas mais tarde, encontramos Margarida já viúva e mãe de dois filhos, a tentar equilibrar três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Quando um novo ato de violência ameaça aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar que tinha decidido abandonar. E é aí que passado e presente começam a dialogar de uma forma cada vez mais tensa.
Susana Amaro Velho constrói uma narrativa sobre violência, abuso, silêncio, memória e aquilo que herdamos sem escolher. Sobre as marcas que ficam muito para além do momento em que determinada violência acontece e sobre a forma como ela pode atravessar gerações. É também uma homenagem dolorosa às mulheres silenciadas pelo abuso e às que tiveram de aprender a sobreviver.
A escrita da Susana… acho que está melhor do que nunca. Senti uma maturidade e uma segurança enormes nesta escrita. É uma escrita bonita sem nunca suavizar aquilo que precisa de ser duro — e talvez seja precisamente por isso que algumas passagens se tornam ainda mais perturbadoras.
Não foi uma leitura fácil. Foi uma leitura que me provocou revolta, desconforto e, muitas vezes, vontade de parar. Mas também foi uma leitura que me fez pensar muito sobre o silêncio, sobre aquilo que se transmite de geração em geração e sobre tudo aquilo que pode ser escondido atrás de uma aparente normalidade.
É duro, desconfortável e profundamente humano. E, para mim, confirma Susana Amaro Velho como uma autora que está melhor do que nunca e que quero continuar a acompanhar de muito perto.
A história começa em 1971, ainda durante o Estado Novo, três anos antes do 25 de Abril, numa aldeia onde Margarida cresce no casarão da colina, rodeada por uma felicidade que depressa percebemos ser apenas uma encenação. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime e uma infância aparentemente protegida. Mas, por detrás dessa beleza e dessa ordem, a brutalidade repete-se em silêncio, aceite e escondida como se fosse uma fatalidade doméstica.
E talvez seja precisamente esse contraste que torna tudo ainda mais duro: a delicadeza dos espaços, dos gestos e das memórias de infância em oposição à violência que acontece longe dos olhares dos outros.
Décadas mais tarde, encontramos Margarida já viúva e mãe de dois filhos, a tentar equilibrar três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Quando um novo ato de violência ameaça aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar que tinha decidido abandonar. E é aí que passado e presente começam a dialogar de uma forma cada vez mais tensa.
Susana Amaro Velho constrói uma narrativa sobre violência, abuso, silêncio, memória e aquilo que herdamos sem escolher. Sobre as marcas que ficam muito para além do momento em que determinada violência acontece e sobre a forma como ela pode atravessar gerações. É também uma homenagem dolorosa às mulheres silenciadas pelo abuso e às que tiveram de aprender a sobreviver.
A escrita da Susana… acho que está melhor do que nunca. Senti uma maturidade e uma segurança enormes nesta escrita. É uma escrita bonita sem nunca suavizar aquilo que precisa de ser duro — e talvez seja precisamente por isso que algumas passagens se tornam ainda mais perturbadoras.
Não foi uma leitura fácil. Foi uma leitura que me provocou revolta, desconforto e, muitas vezes, vontade de parar. Mas também foi uma leitura que me fez pensar muito sobre o silêncio, sobre aquilo que se transmite de geração em geração e sobre tudo aquilo que pode ser escondido atrás de uma aparente normalidade.
É duro, desconfortável e profundamente humano. E, para mim, confirma Susana Amaro Velho como uma autora que está melhor do que nunca e que quero continuar a acompanhar de muito perto.
Review of advance copy received from Outro
Focado na impotência perante a violência doméstica, mas também toda a violência estrutural, este livro explora várias camadas psicológicas e sociais e faz refletir sobre a forma como este ciclo de violência esmaga sonhos, esmaga vidas. As amarras sociais, económicas, de género.
Situado em 1971 e 1994, a construção das personagem e da narrativa é fiel a um tempo e um espaço sem escolhas. O silêncio coletivo, a sociedade que ignora e normaliza a violência na porta ao lado, na própria casa, no próprio corpo. O trauma, a dor, o dilema, o silêncio. Era assim. Lamentavelmente, continua a ser assim.
Como a autora o descreve, é um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso. Eu iria mais longe, talvez um tributo à memória das pessoas silenciadas pelo abuso.
A escrita de Susana Amaro Velho tem uma sensibilidade característica, demora-se nas sensações, desperta sentidos. Muito visual e melancólica tanto na descrição dos ambientes como na construção de figuras humanas, tão reais e imperfeitas.
Para mim, seria difícil superar Bairro das Cruzes e Descansos. Este é um livro mais lento, mais fragmentado, com um foco apurado no mundo interior das personagens, na perspectiva interna.
(numa volta final à FLP, quando lhe pegei ainda estava quente)
Situado em 1971 e 1994, a construção das personagem e da narrativa é fiel a um tempo e um espaço sem escolhas. O silêncio coletivo, a sociedade que ignora e normaliza a violência na porta ao lado, na própria casa, no próprio corpo. O trauma, a dor, o dilema, o silêncio. Era assim. Lamentavelmente, continua a ser assim.
Como a autora o descreve, é um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso. Eu iria mais longe, talvez um tributo à memória das pessoas silenciadas pelo abuso.
A escrita de Susana Amaro Velho tem uma sensibilidade característica, demora-se nas sensações, desperta sentidos. Muito visual e melancólica tanto na descrição dos ambientes como na construção de figuras humanas, tão reais e imperfeitas.
Para mim, seria difícil superar Bairro das Cruzes e Descansos. Este é um livro mais lento, mais fragmentado, com um foco apurado no mundo interior das personagens, na perspectiva interna.
(numa volta final à FLP, quando lhe pegei ainda estava quente)
September 11, 2026
“Sabes que herdamos os traumas de gerações e gerações? Se acaso tens medo de gafanhotos, isso pode vir de um trisavô.”
Após terminar a leitura, foi a esta frase que voltei. Toda a narrativa acaba por desaguar aqui, na nossa herança geracional, naquilo que carregamos, consciente ou inconscientemente, de geração em geração, porque somos “um”, mas também somos “uma multidão”. Nunca caminhamos sós; levamos connosco o peso de todos os que vieram antes e passamos para os que virão depois.
E qual é a herança mais pesada que carregam as mulheres? O silêncio, a submissão, o medo, a insegurança, a violência sob a qual muitas vivem ou viveram, silenciando-se por não terem alternativa.
Acho que a Susana nos mostra, através da Margarida, essencialmente, que, apesar de muitas vezes pensarmos que as mulheres, em épocas passadas, aceitavam o seu destino em silêncio, talvez não. Talvez só não fossem ouvidas ou não tivessem outra opção. E aqui há uma crítica dura, necessária e muito pertinente às instituições, à justiça e à forma como, tantas vezes, transformam vítimas em culpadas e agredidos em agressores.
Uma das maiores questões morais com que nos confronta é: “Moralidade ou sobrevivência?” Quando a justiça não chega, até que ponto é aceitável fazê-la pelas próprias mãos?
Duas histórias que se cruzam na mesma mulher, duas épocas diferentes, mas tanto ainda igual.
Mais uma vez, a autora traz-nos um mural de personagens únicas, explora profundamente as relações humanas, transmite o ambiente da aldeia, dos vizinhos, que nos parece próximo e real, e ainda enriquece a narrativa com inúmeras referências literárias, intensas e carregadas de simbolismo.
Ler a Susana Amaro Velho já é um regresso a casa e, nesta história, ela volta a dar voz às mulheres, com momentos que dilaceram e permanecem no leitor.
Mostra-nos que nascer menina pode ser uma sina marcada pelo silêncio, pelo medo e por tudo aquilo que tantas mulheres carregam, ou carregaram, e que quebrar ciclos tão profundamente enraizados exige uma luta constante, uma coragem desmedida e uma força que, muitas vezes, nasce precisamente da dor. Ainda assim, nunca há garantias, mesmo quando julgamos ter interrompido o ciclo, permanece a inquietante dúvida sobre se ele foi realmente quebrado ou se encontrará, mais adiante, forma de regressar.
E, por tudo isto, o final puxou-me o tapete e doeu, porque, de facto, todas nós carregamos o peso de tantas histórias que mulheres vivem ou viveram, antes, agora e viverão depois.
“Eu não estou só: sou uma multidão minúscula.”
Após terminar a leitura, foi a esta frase que voltei. Toda a narrativa acaba por desaguar aqui, na nossa herança geracional, naquilo que carregamos, consciente ou inconscientemente, de geração em geração, porque somos “um”, mas também somos “uma multidão”. Nunca caminhamos sós; levamos connosco o peso de todos os que vieram antes e passamos para os que virão depois.
E qual é a herança mais pesada que carregam as mulheres? O silêncio, a submissão, o medo, a insegurança, a violência sob a qual muitas vivem ou viveram, silenciando-se por não terem alternativa.
Acho que a Susana nos mostra, através da Margarida, essencialmente, que, apesar de muitas vezes pensarmos que as mulheres, em épocas passadas, aceitavam o seu destino em silêncio, talvez não. Talvez só não fossem ouvidas ou não tivessem outra opção. E aqui há uma crítica dura, necessária e muito pertinente às instituições, à justiça e à forma como, tantas vezes, transformam vítimas em culpadas e agredidos em agressores.
Uma das maiores questões morais com que nos confronta é: “Moralidade ou sobrevivência?” Quando a justiça não chega, até que ponto é aceitável fazê-la pelas próprias mãos?
Duas histórias que se cruzam na mesma mulher, duas épocas diferentes, mas tanto ainda igual.
Mais uma vez, a autora traz-nos um mural de personagens únicas, explora profundamente as relações humanas, transmite o ambiente da aldeia, dos vizinhos, que nos parece próximo e real, e ainda enriquece a narrativa com inúmeras referências literárias, intensas e carregadas de simbolismo.
Ler a Susana Amaro Velho já é um regresso a casa e, nesta história, ela volta a dar voz às mulheres, com momentos que dilaceram e permanecem no leitor.
Mostra-nos que nascer menina pode ser uma sina marcada pelo silêncio, pelo medo e por tudo aquilo que tantas mulheres carregam, ou carregaram, e que quebrar ciclos tão profundamente enraizados exige uma luta constante, uma coragem desmedida e uma força que, muitas vezes, nasce precisamente da dor. Ainda assim, nunca há garantias, mesmo quando julgamos ter interrompido o ciclo, permanece a inquietante dúvida sobre se ele foi realmente quebrado ou se encontrará, mais adiante, forma de regressar.
E, por tudo isto, o final puxou-me o tapete e doeu, porque, de facto, todas nós carregamos o peso de tantas histórias que mulheres vivem ou viveram, antes, agora e viverão depois.
“Eu não estou só: sou uma multidão minúscula.”
September 11, 2026
Numa história contada em dois tempos, Margarida é a figura central que carrega nos genes a memória de dores e traumas passados, como uma espécie de herança cromossómica que a condena pela vida fora.
Em 1971, assistiu, no início da sua adolescência, aos abusos e à violência de um homem poderoso sobre a sua família. A abundância, cobiçada pelos que estavam do lado de fora do portão, contrastava com os gritos, os gemidos e as marcas no corpo de Elvira e Jaime, sem que Margarida os conseguisse ajudar.
Em 1994, a história repete-se, mas com um novo agressor e uma nova vitima. Perante o desgosto, a frustração e impotência, Margarida, agora adulta, só tem uma saída: Vingar todas as mulheres que, em algum momento, foram agredidas, violadas, maltratadas, humilhadas. Mas, como todos nós, não passa de uma marioneta da vida, sem qualquer controlo sobre os cordeis que a movimentam.
𝙉𝙖𝙨𝙘𝙚𝙢𝙤𝙨 𝙩𝙤𝙙𝙤𝙨 𝙙𝙤 𝙢𝙚𝙨𝙢𝙤 𝙘𝙖𝙤𝙨 𝙥𝙧𝙞𝙢𝙤𝙧𝙙𝙞𝙖𝙡: 𝙥𝙤́ 𝙚 𝙖𝙢𝙗𝙞𝙘̧𝙤̃𝙚𝙨 𝙥𝙤𝙧 𝙘𝙤𝙣𝙘𝙧𝙚𝙩𝙞𝙯𝙖𝙧.
Acabei ontem à noite e ainda estou a digerir o final, que me causou sentimentos semelhantes ao de𝘛𝘶𝘥𝘰 𝘦́ 𝘳𝘪𝘰, da Carla Madeira. Um nó na garganta que não desata, uma angústia que me despertou a meio da noite.
Com uma escrita sempre brilhante, temperada com referências literárias poéticas, 𝙎𝙪𝙨𝙖𝙣𝙖 𝘼𝙢𝙖𝙧𝙤 𝙑𝙚𝙡𝙝𝙤 volta a dar voz às mulheres, personificando, neste conjunto de personagens femininas, o fado e o fardo de tantas de nós.
Acredito que é um dos melhores livros deste ano e torço para que receba esse recinhecimento. Leiam e depois digam-me se concordam.
Parabéns Susana, you did it again👌.
Em 1971, assistiu, no início da sua adolescência, aos abusos e à violência de um homem poderoso sobre a sua família. A abundância, cobiçada pelos que estavam do lado de fora do portão, contrastava com os gritos, os gemidos e as marcas no corpo de Elvira e Jaime, sem que Margarida os conseguisse ajudar.
Em 1994, a história repete-se, mas com um novo agressor e uma nova vitima. Perante o desgosto, a frustração e impotência, Margarida, agora adulta, só tem uma saída: Vingar todas as mulheres que, em algum momento, foram agredidas, violadas, maltratadas, humilhadas. Mas, como todos nós, não passa de uma marioneta da vida, sem qualquer controlo sobre os cordeis que a movimentam.
𝙉𝙖𝙨𝙘𝙚𝙢𝙤𝙨 𝙩𝙤𝙙𝙤𝙨 𝙙𝙤 𝙢𝙚𝙨𝙢𝙤 𝙘𝙖𝙤𝙨 𝙥𝙧𝙞𝙢𝙤𝙧𝙙𝙞𝙖𝙡: 𝙥𝙤́ 𝙚 𝙖𝙢𝙗𝙞𝙘̧𝙤̃𝙚𝙨 𝙥𝙤𝙧 𝙘𝙤𝙣𝙘𝙧𝙚𝙩𝙞𝙯𝙖𝙧.
Acabei ontem à noite e ainda estou a digerir o final, que me causou sentimentos semelhantes ao de𝘛𝘶𝘥𝘰 𝘦́ 𝘳𝘪𝘰, da Carla Madeira. Um nó na garganta que não desata, uma angústia que me despertou a meio da noite.
Com uma escrita sempre brilhante, temperada com referências literárias poéticas, 𝙎𝙪𝙨𝙖𝙣𝙖 𝘼𝙢𝙖𝙧𝙤 𝙑𝙚𝙡𝙝𝙤 volta a dar voz às mulheres, personificando, neste conjunto de personagens femininas, o fado e o fardo de tantas de nós.
Acredito que é um dos melhores livros deste ano e torço para que receba esse recinhecimento. Leiam e depois digam-me se concordam.
Parabéns Susana, you did it again👌.
September 10, 2026
Um livro profundamente inquietante. Até que ponto os traumas, as dores alheias vividas em criança perturbam a vida adulta? Até que ponto a frustração, a impotência perante algo que nos foge do controlo deixam marcas impossíveis de apagar?
Uma estória que atravessa décadas mas com situações que se repetem, que magoam de forma perpétua.
Margarida, menina com falta de afetos, sem saber quem é o progenitor e uma mãe rígida que se recusa a revelar a identidade de quem a engravidou. Margarida que é protegida pela madrinha Elvira, patroa de sua mãe. Elvira protege Margarida, dá-lhe o carinho que a mãe não tem capacidade de dar e a menina sofre por não poder fazer nada face à violência que o Patriarca exerce sobre mulher e filho.
Margarida adulta, com dois filhos. Diogo adolescente, Clara pequenina. E uma estória que se repete, mas de uma forma ainda mais cruel. Desta vez, sem perdão. Passado e presente a terem um encontro que ninguém pediu. Tu podes fugir da Aldeia, mas a Aldeia nunca foge de ti.
A autora escreve de forma poética e tal como já é habitual nos seus livros, existe um enorme processo descritivo, pessoal, que nos toma não por leitores mas por personagens presentes nas estórias que escreve. Com uma abordagem sem filtros, mostra-nos a realidade dos diferentes tipos de abuso, da violência conjugal, da prepotência dos grandes senhores que tudo podiam durante o Estado Novo, da mordaça colocada para calar as mulheres, para as reduzir a meros objectos.
Recomendo esta leitura. Eu gostei, apesar de não ser a maior fã de enredos muito descritivos. Mas neste livro fez sentido assim ser.
@bibliotecamil_insta
Uma estória que atravessa décadas mas com situações que se repetem, que magoam de forma perpétua.
Margarida, menina com falta de afetos, sem saber quem é o progenitor e uma mãe rígida que se recusa a revelar a identidade de quem a engravidou. Margarida que é protegida pela madrinha Elvira, patroa de sua mãe. Elvira protege Margarida, dá-lhe o carinho que a mãe não tem capacidade de dar e a menina sofre por não poder fazer nada face à violência que o Patriarca exerce sobre mulher e filho.
Margarida adulta, com dois filhos. Diogo adolescente, Clara pequenina. E uma estória que se repete, mas de uma forma ainda mais cruel. Desta vez, sem perdão. Passado e presente a terem um encontro que ninguém pediu. Tu podes fugir da Aldeia, mas a Aldeia nunca foge de ti.
A autora escreve de forma poética e tal como já é habitual nos seus livros, existe um enorme processo descritivo, pessoal, que nos toma não por leitores mas por personagens presentes nas estórias que escreve. Com uma abordagem sem filtros, mostra-nos a realidade dos diferentes tipos de abuso, da violência conjugal, da prepotência dos grandes senhores que tudo podiam durante o Estado Novo, da mordaça colocada para calar as mulheres, para as reduzir a meros objectos.
Recomendo esta leitura. Eu gostei, apesar de não ser a maior fã de enredos muito descritivos. Mas neste livro fez sentido assim ser.
@bibliotecamil_insta
September 12, 2026
💬 "Eu não estou só: sou uma multidão minúscula."
Margarida é a personagem central e a história acompanha-a em dois momentos da sua vida, separados por várias décadas.
Em 1971, Margarida vive com a mãe no casarão de Elvira e Américo, cresce ao lado de Jaime e assiste desde cedo aos abusos e à violência que todos naquela casa parecem aceitar menos ela, tentou falar e foi sempre silenciada.
Já em adulta, Margarida é viúva, mãe de dois filhos e vive entre três empregos para conseguir sustentar a família. Quando se vê perante uma repetição da violência que marcou a sua infância, regressa também a sensação de impotência de quem quer quebrar um ciclo, mas continua a encontrar barreiras sociais e institucionais que desacreditam a vítima e, tantas vezes, acabam por proteger ou desculpabilizar o agressor.
Margarida não é apenas a mulher que encontramos no presente. Dentro dela continua a existir a menina de 1971, a filha, a mãe, a mulher e todas as experiências e relações que a moldaram. Uma multidão de versões de si mesma reunidas numa só pessoa.
Um livro sobre a violência que atravessa gerações, mas também sobre memória, sobrevivência, maternidade, silêncio e aquilo que herdamos sem escolher.
Uma história que nos obriga a pensar até que ponto conseguimos realmente fugir ao nosso passado e, sobretudo, o que somos capazes de fazer quando percebemos que aquilo de que tentámos proteger os nossos filhos pode estar prestes a repetir-se.
A escrita de Susana Amaro Velho é melancólica e poética, mas crua nos momentos em que precisa de ser. Há uma delicadeza na forma como escreve sobre temas tão dolorosos, sem nunca lhes retirar o peso. Ainda assim, houve momentos em que precisei de parar e respirar..
O final tirou-me o chão.. 🤬
Recomendo muitoooo!
Margarida é a personagem central e a história acompanha-a em dois momentos da sua vida, separados por várias décadas.
Em 1971, Margarida vive com a mãe no casarão de Elvira e Américo, cresce ao lado de Jaime e assiste desde cedo aos abusos e à violência que todos naquela casa parecem aceitar menos ela, tentou falar e foi sempre silenciada.
Já em adulta, Margarida é viúva, mãe de dois filhos e vive entre três empregos para conseguir sustentar a família. Quando se vê perante uma repetição da violência que marcou a sua infância, regressa também a sensação de impotência de quem quer quebrar um ciclo, mas continua a encontrar barreiras sociais e institucionais que desacreditam a vítima e, tantas vezes, acabam por proteger ou desculpabilizar o agressor.
Margarida não é apenas a mulher que encontramos no presente. Dentro dela continua a existir a menina de 1971, a filha, a mãe, a mulher e todas as experiências e relações que a moldaram. Uma multidão de versões de si mesma reunidas numa só pessoa.
Um livro sobre a violência que atravessa gerações, mas também sobre memória, sobrevivência, maternidade, silêncio e aquilo que herdamos sem escolher.
Uma história que nos obriga a pensar até que ponto conseguimos realmente fugir ao nosso passado e, sobretudo, o que somos capazes de fazer quando percebemos que aquilo de que tentámos proteger os nossos filhos pode estar prestes a repetir-se.
A escrita de Susana Amaro Velho é melancólica e poética, mas crua nos momentos em que precisa de ser. Há uma delicadeza na forma como escreve sobre temas tão dolorosos, sem nunca lhes retirar o peso. Ainda assim, houve momentos em que precisei de parar e respirar..
O final tirou-me o chão.. 🤬
Recomendo muitoooo!
September 10, 2026
Depois de ter descoberto a Susana no ano passado e de ter-me rendido a Descansos foi com enorme expectativa que aguardei este livro e que não desilude. Um tributo às vítimas de violência doméstica tantas vezes silenciadas quer pelas famílias quer pelas próprias autoridades, a autora em 2 momentos temporais narra a história de várias mulheres sujeitas a várias tipos de violência. O silêncio nunca poderá ser opção l!
Review of advance copy received from Publisher
"Sou Uma Multidão Minúscula" é um livro sobre crescer, recordar e sobreviver, sobre aquilo que o tempo não consegue apagar e carregamos, muitas vezes sem escolha, de uma geração para a seguinte. Uma leitura dura em vários momentos, mas humana e escrita com enorme sensibilidade, como só a Susana Amaro Velho sabe fazer.
September 12, 2026
Gostei muito, principalmente da escrita que está cada vez mais poética e também gostei desta história que retrata a violência contra as mulheres.
Displaying 1 - 10 of 10 reviews









