Uma obra referencial do gênero cyberpunk brasileiro. É uma combinação de vários gêneros, entre eles ficção científica, religião, aventura, terror; e toda a história do livro gira em torno de tecnologias do simulacro, proliferação de engenhocas na vida cotidiana, a erotização artificial, bombardeio dos meios de comunicação criando novos padrões de consciência.
Esse livro é seguramente uma das coisas mais insanas que já li, de modo que não vou nem tentar fazer uma sinopse satisfatória. Ao invés disso, resumo em uma frase superficial: Mateus trabalha com tecnologia e recebe uma missão especial de Santa Clara Poltergeist, uma prostituta que se tornou uma espécie de símbolo messiânico do sexo, para salvar a humanidade. O estilo do texto é bastante único, o que torna sua leitura interessante pela originalidade. Mas há muitos excessos aqui, e eles fazem parte do estilo do autor. Tem muita redundância, muita exposição e quase tudo é narrado no estilo "contar" ao invés de "mostrar". Isso acelera a história que, por si só, já é caótica e meu surrealista, mas também distancia o leitor dos personagens. Apesar de ser um bom livro, terminei minha leitura sem me conectar a nenhum dos personagens, porém é um trabalho tão único e inusitado que satiriza um pouco a obra de William Gibson que sou obrigado a recomendar sua leitura para os fãs do cyberpunk.
Muito louco! O estilo de escrita lembra a maneira como ele cantava, e entendi porque ele cantava daquela maneira, é porque escrevia assim. A história em si não é lá grande coisa, mas o delírio de ver uma Copacabana completamente entregue a todo tipo de vícios (e talvez já seja assim hoje) em um cenário futurista apocalíptico foi legal. O final foi meio anticlímax, mas é que já tinha tido muito prazer antes (sem duplo sentido nessa frase, por favor).