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O Doente Invisível: A desumanização da Medicina: A deshumanização da Medicina

114 pages, Kindle Edition

Published September 1, 2026

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Profile Image for Mariana.
66 reviews
October 6, 2026
Gostei muito de O Doente Invisível e concordo, no essencial, com a reflexão que João Pedroso de Lima faz ao longo do livro: num sistema de saúde cada vez mais fragmentado, protocolado e orientado para órgãos, exames e diagnósticos, corremos o risco de perder de vista aquilo que deveria estar no centro de tudo — o doente enquanto pessoa.

No entanto, para mim, há uma lacuna difícil de ignorar.

O livro fala de Medicina Geral e Familiar e das várias especialidades médicas, mas nunca nomeia verdadeiramente a especialidade hospitalar cuja matriz é, precisamente, olhar para o doente como um todo: a Medicina Interna.

E essa ausência é particularmente evidente num livro que defende uma medicina capaz de integrar a doença com a pessoa, a multimorbilidade, o contexto, a incerteza, a complexidade e todas as dimensões que não cabem dentro das fronteiras de um único órgão.

Como especialista em Medicina Interna, reconheço nessa descrição muito daquilo que somos e fazemos diariamente. Não tratamos apenas uma soma de diagnósticos nem um conjunto de sistemas orgânicos. Procuramos compreender o ser humano na sua globalidade, integrar problemas que se cruzam e tomar decisões quando a realidade clínica não cabe num algoritmo ou numa única especialidade.

A Medicina Interna é, em grande medida, a especialidade do doente inteiro — e continua a ser uma das bases da medicina hospitalar.

Por isso, num livro chamado O Doente Invisível, senti que ficou, paradoxalmente, uma especialidade invisível.

Uma omissão que não retira valor ao livro, que considero pertinente e necessário, mas que me deixou com a sensação de que faltou nomear uma parte importante da própria resposta ao problema que tão bem identifica.
Profile Image for Vera Mendes.
30 reviews2 followers
September 13, 2026
Um livro curto, mas essencial!!
Ter uma visão dos serviços, do quanto é necessário melhorar, não só os equipamentos. Ouvir mais as pessoas e perceber o que sentem.
Profile Image for Jeni Fidalgo.
28 reviews
October 3, 2026
(Felizmente, tive a oportunidade de estar presente na apresentação deste livro no Seminário Maior de Coimbra, no dia 29 de setembro de 2026, na presença do seu autor. Foi um fim de tarde muito construtivo.)

“O Doente Invisível: a desumanização da medicina” é um tratado fundamental e obrigatório. Consolida em cerca de 100 páginas os aspetos essenciais que estão em falta nos lugares onde, a muitos, pouco resta.

Tal como à grande maioria das pessoas, o ambiente hospitalar não me é desconhecido. Desde cedo que percorri os corredores, muitas vezes pouco acolhedores, de instalações hospitalares, quer por motivos de doença pessoais como familiares ou de amigos e conhecidos. Ouve-se, muitas vezes, muito e de muito mau tom. Afirmações como “o que é que esta tem?”, “ele está bem, mas daqui a quinze minutos pode morrer”, “espere como os outros, sentada de preferência”, “isso é tudo coisas da cabeça dela, não tem dores nenhumas” foram alguns dos pratos do dia que apresentaram na minha ementa.

Há uma inconsistência na atuação humana: todos ansiamos por ser amados, cuidados, escutados, mas é especialmente nos momentos mais complexos da nossa existência que sentimos o amargor da indiferença, a apatia emocional. Relativamente aos seres humanos, não deveria ter de se insurgir a necessidade de sermos relembrados da nossa característica mais inerente — a humanidade. Contudo, e por motivos nem sempre compreensíveis, verifica-se uma crescente desumanização no relacionamento com o próximo. Esta é uma questão que deixa marcas muito mais profundas na vivência e na memória das pessoas quando verificada em momentos de grande fragilidade, tais como nos tempos de sucumbência à doença.

Não sabem o nome dos doentes. Se passarem por eles nos corredores, são desconhecidos. Evitam contacto ocular para não terem de explicar nada. São ríspidos sem motivo aparente. Muito do serviço hospitalar é já feito “mecanicamente”, sem atentar à especificidade e complexidade das relações humanas. Ao invés de utilizarmos a IA e a robótica para uma prestação de auxílio e cuidado mais eficaz e pessoal, estamos a aproveitá-las para nos tornarmos emocionalmente neutros. A missão que é desempenhada pelos profissionais de saúde se auxiliares hospitalares não pode encontrar sentido em atuações despidas de empatia e proximidade. Custa escutar e atentar às dores do próximo? Sim. Existe a avançada possibilidade de tomar para si as dores escutadas? Sim. Há receio de apego à pessoalidade de cada utente, à sua história e à sua presença, e que depois se materializará num acrescido custo aquando da ausência? Sim. Mas não compensará todo o amor e bem desenvolvido? O exercício proveitoso de tão digna profissão?

Que as propostas deste livro não fiquem unicamente no papel. Que não sejam encaradas como meras utopias. Se noutros lugares é possível fazer bem e melhor, em Portugal também pode ser. Se existe uma oportunidade para fazermos o bem, escolhamos ser bons!


FRASES:

1. “O autor deste livro, pela sua longa prática, como médico e como docente, conhece a fundo o sentimento do paciente que ao cruzar a portaria de um hospital, sabe que um clima de indiferença, quando não de franca hostilidade, o espera, como se em letras invisíveis estivesse escrito na frontaria do edifício — «Volta para trás, vai morrer para a tua casa»”.

2. “E nenhum campo o exige tanto como o da medicina, esse teatro anatómico sem fim que felizmente desconhece onde começa o corpo e se inicia o espírito, que está presente e nos olha e no entanto não se alcança.”

3. “Aquela enfermaria era um microcosmo de doenças e de sofrimento onde a dignidade parecia ter sido esquecida à porta.”

4. “A humanização da medicina é mais do que um caminho a alcançar. É, sobretudo, um caminho a percorrer.”


NOTA: a classificação de cinco estrelas está atribuída não tendo tanto em conta a vertente da criatividade da escrita, da expressividade ou redação do livro, mas sim quanto à relevância do seu conteúdo e clareza de exposição.
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