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E assim sucessivamente

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«Mal soube que o primeiro-ministro deixara escapar que "somos considerados um dos países ricos do mundo" e aliás "comparamos com as nações mais prósperas do [mesmo] mundo", resolvi que era ocasião de me conceder uma pausa. Que diabo! ao país não há-de fazer diferença e a mim faz muita! Dei então folga à criadagem, enxotei do campo meia dúzia de jornaleiros indolentes, fechei a mina, e pus-me a ler um livro.»

É assim o começo deste livro inclassificável. Ficção? Ensaio? Crónica? Certo é que o leitor não terá encontrado muitos livros que ofereçam completo esclarecimento de assuntos de importância como a extinção da Associação de Amizade Portugal-Merkel, a efectiva causa da decadência do tabaco ou a ameaça bolchevique. Nem terá visto essa virtude construtiva associada com frequência à gravidade de um persistente inquérito às circunstâncias da nossa actualidade e da nossa vida.

Com «E Assim Sucessivamente», Abel Barros Baptista consegue mais uma demonstração das possibilidades do humor. As intelectuais e as outras.

184 pages, Paperback

First published July 1, 2015

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About the author

Abel Barros Baptista

35 books9 followers
ABEL BARROS BAPTISTA licenciou-se em Estudos Portugueses (1985) e doutorou-se em Estudos Portugueses, especialidade Literatura Brasileira (1996), na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde é, actualmente, Professor Catedrático do Departamento de Estudos Portugueses. Foi Director-Adjunto da revista Colóquio/Letras (1997-2008) e é, desde 2009, Coordenador de Comissão de Avaliação Externa da A3ES. É coordenador do Laboratório de Estudos Literários Avançados (ELAB) que fundou em 2008.
Autor de inúmeros ensaios literários (entre os quais: O Professor e o Cemitério. Rusga pelo «José Matias» de Eça de Queiroz Entendido como Percurso de Assassinatos Regulares, 1986. Prémio Revelação de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores, Auto bibliografias. Solicitação do Livro na Ficção e na Ficção de Machado de Assis, Lisboa, 1998. Grande Prémio de Ensaio Literário da APE/1998, e A Infelicidade pela Bibliografia, Coimbra, 2001), colaborador, como crítico, cronista e articulista em jornais e revistas de Portugal e do Brasil (Expresso, Público, Folha de S. Paulo, Ciberkiosk, Ler). É co-autor, com Luísa Costa Gomes, da ficção O Defunto Elegante (Lisboa, 1996). Concebeu e dirigiu, para as Edições Cotovia, a colecção Curso Breve de Literatura Brasileira, catorze volumes publicados em 2005 e 2006.

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Displaying 1 - 2 of 2 reviews
Profile Image for Ricardo Almeida.
5 reviews17 followers
November 17, 2025
Poucos livros terão, como este, intensificado um constrangimento que, de há um tempo a esta parte, tem andado no meu encalço. Uma condição imprescindível para a passagem à acção, dir-se-á. Ora, a partir deste momento, trata-se, então, de uma questão de responsabilidade — e, como é sabido, a responsabilidade tende a ser uma grande chatice. Mas divago.

Há autores cuja pertinência reside sobretudo na escrita em si — na forma — que quase, ou até mesmo, se sobrepõe ao conteúdo. Não me atrevo a sugerir que seja esse o caso do Prof. Abel Barros Baptista — era o que faltava; e seguramente não o é.

O meu ponto, contudo, é que lê-lo tem sido um exercício de auto-análise e, quem sabe, uma aprendizagem que, com sorte, produzirá efeitos no uso que faço da língua. Autoengano? Talvez. Mas, parafraseando Pedro Mexia: o pessimismo é muito bonito na poesia, mas, na vida real, é apenas inútil.

Mas referia-me a um constrangimento, esse, persistente, incómodo, quase sempre embaraçoso, o de carregar um falar e um escrever — mas sobretudo um falar — débil, tosco, por vezes francamente desadequado, que me persegue e faz com que me sinta constantemente na iminência de ser desmascarado por qualquer fiscal do vocabulário, com manifestas dívidas à competência, com que possa privar. E é justamente por isso que a leitura deste livro me prende: porque ilumina, com perspicácia e rigor, mas sem arrogância nem o tão mal-afamado elitismo — acusação fácil quando se nivela por muito baixinho. Resta-me assumir a responsabilidade de o estudar — ainda que assumir, sobretudo responsabilidade, tenda a ser uma grande chatice.

Se os textos aqui coligidos são crónicas, recortes, devaneios satíricos, ou o raio que os parta, pouco importa. Sublinhe-se antes a minúcia com que são desconstruídos momentos, lugares-comuns, conjecturas e, sobretudo, formulações (como quando se diz “cujo detalhe não se conhece em pormenor”) que permanecem camuflados para a generalidade dos que falam, escutam, escrevem e lêem a língua — incluindo os ditos instruídos; E tudo isto sem o paternalismo insuportável do Miguel Esteves Cardoso dos últimos anos (embora o texto “Gosto de Palavrões” seja irrepreensível). Por vezes, servem também para expor certos vaidosos e fraudes com pernas que se pavoneiam por toda a parte — o que não só é de salutar, como deveria ser obrigatório e recompensado.
857 reviews
April 20, 2022
Crónicas facetas, deliciosas, que se leem num tirinho. Literatura, austeridade, educação e acordo ortográfico são assuntos, mas também a dificuldade de escrever uma crónica por obrigação...

«Não, pretendo antes a ideia, mais exacta, de que a possibilidade da facécia representa de modo competente tudo o que vale a pena preservar, defender, praticar.» P.9
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