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O poder ultrajovem e mais 79 textos em prosa e verso
O poder ultrajovem reúne textos publicados por Carlos Drummond de Andrade na imprensa entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970. Trata-se de um poderoso conjunto de prosa e verso - sempre pendendo para os domínios da crônica, gênero que o grande escritor mineiro praticou como poucos -, em que o olhar maduro e algo desencantado (mas com muita ironia) do autor se debruça sobre os mais diversos aspectos da vida e da sociedade daquela época. Temas como a amizade, a história do Brasil, a vida no Rio de Janeiro, as artes, o Carnaval, o futebol e até mesmo a ecologia aparecem no estilo leve e sempre afiado de Drummond. As crianças e os jovens ocupam um espaço à parte no livro, pois são agudos os apontamentos a respeito das transformações pelas quais meninos e meninas atravessavam naqueles tempos conturbados em que conviviam, ao menos no Brasil, os hippies e um regime antidemocrático instaurado em 1964 (tendo ficado ainda mais duro e violento justamente na passagem para os anos 1970), a pobreza e a exuberância econômica e cultural da Zona Sul do Rio de Janeiro. Também do ponto de vista da língua portuguesa, os textos de O poder ultrajovem demonstram a riqueza de vozes e estilos captados por Drummond. A gíria e a língua camoniana convivem lado a lado nos textos, a expressão mais solta e viva da fala carioca conversa em pé de igualdade com a dicção mais culta. Prova de que o poeta mineiro tinha ouvido apurado para entender a vida. Com posfácio do crítico Alcir Pécora, esta nova edição de um dos mais cativantes livros de Drummond é um brinde à vivacidade e à inteligência sutil de um dos nossos mais estimados escritores.
- GenresPoetry
238 pages, Paperback
First published January 1, 1972
About the author
Carlos Drummond de Andrade
241 books484 followersCarlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.
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Community Reviews
Displaying 1 - 8 of 8 reviews
October 4, 2016
Drummond, I love you, but nas crônicas you're bringing me down =/
January 15, 2024
“No verso e na prosa, eis que galopo”, escreve Drummond. E, de fato, “O poder ultrajovem” (Companhia das Letras, 2015) é uma reunião de 79 textos do autor escritos tanto em prosa como em verso em jornais da década de 1960. Publicado originalmente quando o escritor, já consagrado, havia alcançado os 70 anos de idade, o livro revela um cronista que continuava atento às novidades do mundo em que vivia. É assim que percebe, por exemplo, a ascensão do “poder ultrajovem”, em referência ao domínio que crianças exercem sobre o comportamento de seus pais. Em pequenas criações ficcionais, com estilo ágil e divertido, Drummond expõe cenas do cotidiano de um país que, apesar da ditadura, começava a mudar, irresistivelmente.
É claro que nem sempre se muda para melhor, e o cronista é o primeiro a admitir que, às vezes, o progresso é “uma espécie de sífilis, que corrói e mata”. A juventude que pensa estar inaugurando o mundo pode estar apenas o repetindo, “numa edição nem sempre isenta de erros tipográficos e mentais”. Na sua idade, reconhece o escritor, as pessoas tornam o passado um palco imenso e rutilante, amesquinhando o presente que, para os jovens, é território sem limite. É também para evocar as formas caducas, para impedir que se dissolvam de todo, como se jamais houvessem existido, que o cronista alonga os olhos, em meio à mocidade geral.
Coisa que não é fácil, sobretudo em um Rio de Janeiro convulso de especulação imobiliária, que esmaga o viver antigo. A cidade se transformava em um misto de pressa, de fumaça, de estrondo, de ira e de angústia. Já naquela época, há quase 50 anos, Drummond observava que o homem estava se tornando o seu próprio computador, com uma programação implacável que só omitia um dado: a vida. Em fina ironia, o escritor é uma voz dissonante que aponta para os rumos de um mundo que começava a ser visto essencialmente através da arte de vender.
Drummond acompanha o noticiário e, partir dele, desenvolve em crônica os mal-entendidos, as incompreensões e as insensibilidades da vida urbana – mesmo a parte em verso do livro está bastante ligada à contemporaneidade do autor. É digno de nota o quanto Drummond consegue extrair de uma frase, de uma notícia ou de uma simples observação. Um assunto recorrente em suas crônicas é a posição do homem diante da burocracia, do Estado, ou, como queiram, do “sistema” – com aparente vitória do indivíduo, em sua humanidade.
O cronista acompanha eventos do final dos anos 60, como a conquista do espaço e a da Copa de 70, entre outros eventos deste Brasil “tão grande, tão carente, tão desarrumado”. São frequentes os diálogos, assim como os monólogos e divagações, que, no fundo, são um diálogo do cronista com o leitor. Há espaço para comoventes lembranças de Cecília, Manuel e Mário, e Drummond faz neste livro a inevitável crônica que os cronistas fazem sobre a falta de assunto.
Feitas por um senhor, estas crônicas tem um frescor que rejuvenesce – até porque, como ele mesmo diz, “o poder é sempre jovem quando é alguma coisa mais do que o poder”.
É claro que nem sempre se muda para melhor, e o cronista é o primeiro a admitir que, às vezes, o progresso é “uma espécie de sífilis, que corrói e mata”. A juventude que pensa estar inaugurando o mundo pode estar apenas o repetindo, “numa edição nem sempre isenta de erros tipográficos e mentais”. Na sua idade, reconhece o escritor, as pessoas tornam o passado um palco imenso e rutilante, amesquinhando o presente que, para os jovens, é território sem limite. É também para evocar as formas caducas, para impedir que se dissolvam de todo, como se jamais houvessem existido, que o cronista alonga os olhos, em meio à mocidade geral.
Coisa que não é fácil, sobretudo em um Rio de Janeiro convulso de especulação imobiliária, que esmaga o viver antigo. A cidade se transformava em um misto de pressa, de fumaça, de estrondo, de ira e de angústia. Já naquela época, há quase 50 anos, Drummond observava que o homem estava se tornando o seu próprio computador, com uma programação implacável que só omitia um dado: a vida. Em fina ironia, o escritor é uma voz dissonante que aponta para os rumos de um mundo que começava a ser visto essencialmente através da arte de vender.
Drummond acompanha o noticiário e, partir dele, desenvolve em crônica os mal-entendidos, as incompreensões e as insensibilidades da vida urbana – mesmo a parte em verso do livro está bastante ligada à contemporaneidade do autor. É digno de nota o quanto Drummond consegue extrair de uma frase, de uma notícia ou de uma simples observação. Um assunto recorrente em suas crônicas é a posição do homem diante da burocracia, do Estado, ou, como queiram, do “sistema” – com aparente vitória do indivíduo, em sua humanidade.
O cronista acompanha eventos do final dos anos 60, como a conquista do espaço e a da Copa de 70, entre outros eventos deste Brasil “tão grande, tão carente, tão desarrumado”. São frequentes os diálogos, assim como os monólogos e divagações, que, no fundo, são um diálogo do cronista com o leitor. Há espaço para comoventes lembranças de Cecília, Manuel e Mário, e Drummond faz neste livro a inevitável crônica que os cronistas fazem sobre a falta de assunto.
Feitas por um senhor, estas crônicas tem um frescor que rejuvenesce – até porque, como ele mesmo diz, “o poder é sempre jovem quando é alguma coisa mais do que o poder”.
May 7, 2025
Estava procurando algo para ler na biblioteca da escola e encontrei este livro. Gosto de como a leitura não é pesada — a linguagem é fácil de entender. Gostaria de destacar duas crônicas: Rondó da Praça da Liberdade e O Conselheiro. Foram as minhas favoritas e, mesmo que não tenha sido essa a intenção, interpretei a primeira como uma crítica ao urbanismo sem planejamento, e a segunda como uma abordagem descontraída sobre as propagandas.
Inclusive, queria comentar algo: Rondó da Praça da Liberdade não está disponível em sites, e foi muito difícil encontrar uma prova de que essa crônica realmente existia. Não sei por que ela não é conhecida — eu adorei e não entendo por que não é comentada!
Apesar dessas serem, na minha opinião, as que mais se destacaram, todas as crônicas do livro são muito boas. É uma leitura que eu recomendo; gostei muito. No mais, é isso.
Inclusive, queria comentar algo: Rondó da Praça da Liberdade não está disponível em sites, e foi muito difícil encontrar uma prova de que essa crônica realmente existia. Não sei por que ela não é conhecida — eu adorei e não entendo por que não é comentada!
Apesar dessas serem, na minha opinião, as que mais se destacaram, todas as crônicas do livro são muito boas. É uma leitura que eu recomendo; gostei muito. No mais, é isso.
August 17, 2020
Brasilidade foi o que senti ao ler esse livro. Em uma busca pela identidade nacional, um pouco se encontra aqui. Apesar de meio monótono às vezes, é interessante desvendar as opiniões do autor no texto, e as críticas que vêm de forma tão sutil. Leitura de descanso, mas também de reflexão.
September 10, 2024
É curioso como o livro serve, em alguns momentos, quase de obituário de alguns poetas contemporâneos do Drummond. Destaques pras adorações à Cecília Meireles, mais do que merecidas.
August 17, 2026
★★★★✩✩✩✩✩✩
4/10 Um pouco ruim
4/10 Um pouco ruim
June 26, 2013
Gostei muito das crónicas dedicadas às crianças. Da poesia, não sou muito fã, mas isto é independente do Drummond. Há várias estorinhas realmente engraçadas, vale a pena caçá-las neste livro. As minhas prediletas são: "Literatura", "Assalto" e "Eu, Napoleão".
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