A 25 de abril de 1974, nas «horas entusiásticas» de uma alvorada revolucionária aspergida a cravos, Natália Correia iniciou um diário, propondo-se «viver a festa e simultaneamente relatá-la.» Não Percas a Rosa é esse registo testemunhal das glórias e misérias que convulsionaram o país até 25 de novembro de 1975, mas também a exaltação visionária de uma Revolução ainda por a do Espírito, simbolizado na mística rosa branca. Ilustrada com fotografias de época, captadas por José António Correia, e reproduções dos manuscritos originais, esta edição inclui vários textos inéditos e reúne, pela primeira vez, sob o título Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago, as célebres crónicas que Natália escreveu para A Capital entre julho de 1974 e julho de 1975 (Crónicas Vagantes), bem como as que publicou em A Luta entre agosto de 1975 e março de 1976.
Natália de Oliveira Correia foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.
This joint reissue of two books, a journal, and a set of journalistic texts significantly depicts the author's writings during a charismatic period of our recent history: from April 25, 1974, to March 22, 1976. With its baroque and erudite style, Natalia Correia's writing is not just assertive, lucid, and combative but also a blast for her clairvoyance in a period where the revolution's whirlwind has shaped many of its actors. The diary mainly reflects her almost isolated combat against the predominant politic-intellectual thinking, with pages of high poetic prose. It's a historical portrait that will inform and enlighten any reader.
[COMENTÁRIO] ⭐⭐⭐⭐ Não Percas a Rosa / Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago Natália Correia
Uma voz dissonante, a partilha de um tempo que marcou a nossa história contemporânea, a luta constante pela liberdade nas suas múltiplas facetas e longe dos constrangimentos do processo revolucionários.
Nestes textos - diário e crónica - Natália Correia constitui-se como uma voz essencial da cultura e da intelectualidade portuguesa nos dando um olhar algo desiludido e melancólico do 25 de Abril.
Este volume, maravilhosamente editado pela Ponto de Fuga, junta um diário de 1974/1975 e um conjunto de crónicas publicadas em jornais entre junho de 1974 e março de 1976. Se a primeira parte tinha já sido publicada em livro em 1978, as crónicas são pela primeira vez publicadas sob o titulo "Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago".
A escrita de Natália nestes texto é maravilhosa, alegórica e muiats vezes irónica. A primeira parte "Não Percas a Rosa" tem o registo testemunhal de um diário que testemunha o tempo, particularmente significativo, entre abril de 1974 e novembro de 1975 e as suas "glórias e misérias". A autora expressa a sua opinião, muitas vezes controversa, fortemente crítica a deriva "esquerdista" da revolução.
A segunda parte entitulada "Ó Liberdade, Brancura do Relâmpago", congrega as crónicas que Natália escreveu para A Capital entre julho de 1974 e julho de 1975 (Crónicas Vagantes), e as que publicou em A Luta entre agosto de 1975 e março de 1976. Achei este textos menos interessantes.
O volume é ilustrado com fotografias de época, captadas por José António Correia, e reproduções dos manuscritos originais, esta edição inclui vários textos inéditos da autora e dois prefácios de Ângela Almeida e Vladimiro Nunes.
Relato dos anos de brasa como foram vividos por uma grande escritora com uma visão limpa do que estava a acontecer. Apaixonante. Lê-se como um romance e permite recordar/reviver um pedaço da nossa história que muitos preferem esquecer...