Exemplar antecipado cedido pela autora. Sou membro fundadora do Círculo Azul, a street team do livro. Esta opinião é inteiramente minha.
Terminei hoje a leitura deste livro e ainda estou a descomprimir!
No Azul que Nada Devolve foi uma viagem vertiginosa. E uso a palavra à letra, porque há partes deste livro que se leem com a mesma sensação de quem desce depressa de mais.
Andei semanas a tentar perceber o que tinha acontecido ao David sem ter uma única página nas mãos. Durante esse tempo, recebi em casa envelopes com pistas que a Lara preparou com um cuidado que ainda hoje me impressiona. Quando finalmente abri o livro, muita coisa começou a encaixar. E houve momentos em que a leitura deixou de ser apenas leitura para se transformar numa experiência quase física. Objetos que eu já tinha tido nas mãos surgiam agora dentro da história, finalmente com o peso e o significado que lhes faltavam.
Chamar-lhe thriller sensorial é absolutamente acertado. Dei por mim a devorar páginas, ansiosa por descobrir o que vinha a seguir, e noutras a suspender a respiração sem sequer me aperceber. A escrita da Lara é envolvente, segura e extraordinariamente fluida. Há uma naturalidade na forma como conduz a narrativa que faz com que nos deixemos arrastar por ela, mesmo quando aquilo que estamos a ler nos causa um desconforto quase palpável.
Vale a pena falar da construção das personagens, porque é uma das coisas que este livro faz melhor. Nenhuma está ali por conveniência, nenhuma existe apenas para dar a informação certa na altura certa. Têm um tempo próprio e mudam a esse ritmo, sem que ninguém nos avise de que estão a mudar. Quando reparamos, já não são as mesmas que eram cem páginas atrás. E nós, enquanto leitores, também já não olhamos para elas da mesma forma.
E depois há o mergulho, que é muito mais do que um cenário. Saí deste livro a saber coisas que desconhecia sobre a atividade: o que se prepara antes de uma descida, o que acontece ao corpo debaixo de água, os procedimentos, os riscos e toda uma linguagem própria daquele universo. E aprendi sem nunca sentir que estava a ser ensinada. Está tudo dentro da história, nunca por cima dela. Percebe-se que a Lara integrou a sua experiência de mergulhadora de forma séria e cuidada, mas também teve a preocupação de a integrar na narrativa de forma orgânica.
Contudo, é justo dizer que essa mesma densidade chega, por vezes, a pesar. Nas páginas finais, quando a urgência de descobrir o que vai acontecer se sobrepõe a tudo o resto, o detalhe técnico e a atmosfera do mergulho acabam por travar ligeiramente o ritmo. É o defeito de uma qualidade. Aquilo que torna este livro tão imersivo é também, pontualmente, aquilo que lhe retira alguma velocidade. Ainda assim, não foi suficiente para comprometer a experiência.
Porque este é um livro que não se limita a contar uma história. Faz-nos senti-la. E esses são raros.
E deixo um aviso a quem for ler: peçam o capítulo extra à Lara. Não o encarem como um simples bónus para fãs. Para mim, foi uma peça fundamental para fechar a história e dar outro significado ao que tinha acabado de ler. Li-o imediatamente a seguir e obrigou-me a reconsiderar muita coisa. Não deem esta história por terminada sem o ler.