Apolo e Meia-Noite foram o primeiro casal gay de super-heróis a trocarem alianças em uma história em quadrinhos. Nesta HQ, que eu tive de recorrer ao importado, por desistência da Panini Brasil em publicá-la, o Meia-Noite está "dando um tempo" no relacionamento com Apolo. Assim, como o personagem teve toda sua vida inventada depois que foi abduzido por alienígenas que o tornaram aprimorado, ele quer pela primeira vez viver uma vida "de verdade". E essa vida de verdade inclui sim, exercer sua sexualidade como gay. Portanto, essa é a história em quadrinhos de super-heróis que mais e melhor explora as nuances e as miríades dos relacionamentos gays. Pelo menos daquelas que eu li, e não foram poucas. Isso porque o roteirista, Steve Orlando, é bissexual assumido. O Meia-Noite voltou à cena porque o roteirista Tim Seeley passou a utilizá-lo nas histórias de Dick Grayson, enquanto ele trabalhava como espião para a agência Espiral. A HQ é, de longe, um dos melhores trabalhos de Steve Orlando, que já trabalhou com a Liga da Justiça América e com Supergirl. Midnighter também ganhou diversos prêmios tanto da mídia gay como da mídia tradicional de quadrinhos. Outra coisa que chama atenção neste encadernado é a arte e a narrativa de ACO, muito bem engendrada e tudo a ver com o personagem. Podemos definir a participação do artista neste encadernado como essencial para seu sucesso principalmente quando comparamos sua narrativa em quadrinhos com os demais desenhistas que se encarregaram de outras histórias neste mesmo compilado. Mas mais do que isso, mais do que a espionagem, a ação, a violência, Midnighter é um quadrinho sobre pessoas que passaram anos e anos em um mesmo relacionamento e, quando, por alguma razão, se libertam dele, passam a enxergar novos horizontes e novos mundos na frente de si. Por isso, ela fala muito também sobre frustração, a de não encontrar pessoas como aquela do relacionamento antigo, em quem podia-se confiar. Uma jornada não só de encontrar um novo "outro", mas como de encontrar um novo "mesmo" e isso também diz respeito a sua própria identidade e àquilo que você acredita que é. E deixei para o final para dizer que o encadernado encerra com um reviravolta mindblowing, que faz jus a todos os prêmios e críticas positivas recidas por essa HQ. Leiam. Leiam. Leiam! Panini, você foi uma PANACA em não publicar, confirmando sua fama de homofóbica! Beijinhos!