1890. O Brasil passava por sérias mudanças. Os escravos foram alforriados, porém, apenas no papel. Os italianos começaram a chegar em busca de uma vida melhor. A corrida pelo ouro terminara há muito tempo e o café com leite era o que sustentava a economia do país. Em Minas Gerais, uma única família ainda mantinha a atividade do minério, a família Leon, eles continuavam sendo abençoados, encontrando ouro em suas terras. O Conde de Leon, filho do monarca Duque de Leon, que, devido a idade, não conduzia mais os negócios. Conde que, apesar de bondoso, carregava no peito a enorme dor da perda. Sua esposa Cassandra falecera ainda muito jovem, e desde então ele nunca mais ficara atraído por nenhuma mulher, até aquele dia, 31 de outubro, quando uma jovem de cabelos negros e pele extremamente branca chegou em sua casa para ajudar na cozinha. Uma jovem bonita, delicada e inteligente. Assim, o Conde de Leon, finalmente percebeu que poderia se libertar do fantasma de sua falecida e amada Cassandra. Entretanto, a jovem carregava consigo um segredo: Linda, porém fatal.
Tatiane Durães nasceu em Monte Mor, onde mora até hoje. É assistente administrativo, formada em Administração de Empresas. Com quinze anos leu O Alquimista do Paulo Coelho, se apaixonou pela literatura e não parou mais de ler. Em 2013 começou a escrever sua primeira história depois de ficar imaginando vários finais diferentes para livros e filmes que lia e assistia. Um ano depois seu mundo ganhava vida no nome de Arcantatys.
Nossa trama já começa assim, com a protagonista saltando pela janela, fugindo dos guardas da Força Pública após a traição de se companheiro. Amanda é uma ladra, ladra de oficio, muito bem treinada pelo seu pai prática pequenos e grandes furtos encomendados ou não, num Brasil de 1890, Minas Gerais, pós proclamação da República e processo de abolição completa da escravatura.
A princípio a trama se desenrola a partir dessa fuga da protagonista, onde ela precisa cobrar um favor de uma antiga amiga de sua falecida mãe, para que possa se abrigar em um local seguro antes de fugir definitivamente para São Paulo, livrando-se aí de uma possível condenação a forca.
Acontece que essa amiga, Lurdes, mora na fazenda do Conde de Castro, onde vive também o filho Leon, jovem viúvo um tanto misterioso. Amanda então, com seu foco atrapalhado, se vê presa pelo mistério que ronda aquela casa, onde coisas muito estranhas começam a acontecer, e aparentemente somente ela os vê. Então é aí, junto dessas visões estranhas que Amanda acaba reparando que Leon é um homem bem interessante, logo, além da curiosidade pelo mistério e sobrenatural que envolve a residência, o coração e os sentimentos também começam a lhe dificultar a partida.
Esse não é um típico Romance de Época, e isso para mim foi o mais surpreendente. Por romance de época nós já esperamos um romance conturbado, com uma protagonista a frente de sua época, mas aqui nós temos um romance doce, com uma protagonista sim a frente de sua época, que age sem falsos moralismos e sabe conduzir e argumentar esse pensamento liberal sem entrar em conflito com as outras mulheres, ela procura não julgar as companheiros por essa reprodução do machismo, e da opressão do patriarcado muito presente na época.
Como é ambientado no Brasil, bem em seguida do projeto de lei que extinguia a escravidão, a autora precisou usar esse triste elemento na obra, a fim da veracidade de fatos. E ficou bem adequado, já que mesmo na fazenda (que é onde a maior parte da trama se desenrola) o senhor fosse um abolicionista, fica claro que os negros não tiveram apenas benefícios após essa lei como se romantiza em algumas obras. O conjunto de pesquisas da autora me agrada, tudo é bem contextualizado e adequado a época.
A obra me cativou, me prendeu a atenção e me convenceu, mesmo utilizando do sobrenatural me passou veracidade. A escrita da autora está fluida e agradável. Leitura que pode ser feita em um dia.
Gostei bastante do livro, é um romance de época gostoso de ler e com várias pitadas de mistério envolvendo a trama. As referências históricas também me chamaram a atenção, pois retrata um pouco do Brasil pós escravidão durante a ascensão da república. Os capítulos são curtos, o que acho ideal para ler antes de dormir.
Amanda é uma ladra que, traída pelo parceiro e companheiro amoroso, busca um lugar para se esconder das autoridades. Cobra um favor da amiga Alícia, cuja vida salvou no passado, e esta, com a ajuda da tia, consegue um lugar para Amanda se esconder. Assim, a ladra acaba na mansão de Conde de Leon como uma cozinheira, logo despertando a atenção do homem devido à sua beleza.
Embora raramente eu saia da minha zona de conforto (fantasia, ficção científica, policial e terror), não tenho nada contra experimentar um gênero diferente de vez em quando (afinal, vai que ele me conquista?). Além disso, a premissa envolvendo uma ladra no Brasil do século XIX me atraiu. E a trama desse livro até que não decepciona, apesar de trazer o amor à primeira vista, que é um dos temas das narrativas de romance que não me agradam.
Mas o livro não se resume a isso, o que certamente faz com que ele ganhe pontos. Temos um pouco de mistério, consequências de uma vida criminosa levada pela protagonista, conspirações. A ideia de usar uma ladra como protagonista de um romance de época deu um toque de originalidade, que diferenciou esse romance de muitos outros.
O grande problema do livro foi, na realidade, a narrativa. Ela é muito apressada, resumindo-se a contar a história, e não a mostrá-la quando isso é necessário. Assim, há momentos em que ela não envolve o leitor, não passa as emoções necessárias para que ele se sinta dentro da história, vivendo-a ao lado da protagonista. Temos descrições de ambiente, é claro, mas o problema delas não é a falta de detalhes (eu nem mesmo gosto de descrições exageradamente detalhadas), e sim a falta de vivacidade. Não temos como saber como o personagem se sente naquele ambiente, que sensações são passadas.
Outro problema foi a caracterização dos personagens. Mesmo a da protagonista ficou um tanto fraca, e os personagens secundários em alguns casos acabaram se resumindo a seus papéis dentro da história, em vez de terem seu caráter (ou a falta dele) bem construído.
A ambientação, por sua vez, ficou prejudicada pela narrativa apressada, que em muitos momentos não foi capaz de passar o clima do Brasil no século XIX. Além disso, muitos dos temas que foram levantados nas entrelinhas da história (como a questão da escravidão) e que poderiam ter dado mais profundidade à trama e aos próprios personagens não foram bem aproveitados; terminei a história com a sensação de que faltou algo, de que ela não atingiu todo o seu potencial.
Aliás, o final ficou ainda mais apressado que todo o restante da história e, embora tenha fechado a trama, sem deixar pontas soltas, me deixou a sensação de que havia um limite de palavras/páginas ou de tempo. A revisão não é ruim, mas teve alguns deslizes, como a troca do nome da protagonista pelo de sua amiga Alícia no começo do livro, o que deixou um trecho muito confuso.
Em resumo, Desejo e Honra tem uma boa trama, que é interessante e prende o leitor, mas peca na narrativa, nos personagens e na ambientação, deixando uma leve decepção no final.
A história é bom, mas algumas coisas deixaram a desejar como o segredo do Conde (que eu achei que não combinou com a história) e a oportunidade perdida de poder trabalha a Política do Café com Leite (período em que a história se passa). Mas, no geral, a história tem mistério e muitos segredo!! Vale a pena para quem gosta de romances de época.