Mauro é roteirista dos quadrinhos de Paulo. Os dois publicam sob a alcunha de Lourenço Mutarelli, e são representados publicamente pelo bêbado Raimundo. Mas a morte de Paulo forçará Mauro a tentar uma carreira solo com O cheiro do ralo, seu primeiro e bem-sucedido livro. É quando ele recebe de um estranho uma moeda antiga, o Grifo de Abdera, e sua vida muda.
Oliver não conhece Paulo, Mauro, Raimundo ou Lourenço. Mas, quando Mauro recebe a moeda, uma conexão se forma entre eles.
É este delicioso jogo que alimenta O grifo de Abdera, primeiro romance de Mutarelli desde Nada me faltará, de 2010. Um labirinto de obsessões, taras, perguntas e mistérios, acompanhado ainda de uma longa história em quadrinhos.
Mais um livro inteligentíssimo do Mutarelli. O fim me emocionou bastante, mas também me fez rir ao mesmo tempo. Encontrei emoções que não encontrava nas outras tantas páginas do Mutarelli que já li. Fico pensando com pesar se quero mesmo terminar todos os livros dele, queria ler um por semana pelo resto da minha vida.
P.S..: perde uma estrela pela extensão do quadrinho durante o livro, entendo, porém não gosto.
Li no Kindle então não consegui ler a parte em quadrinhos. Eu tenho o problema de já ter vistos muitas entrevistas do Mutarelli, então tenho a impressão de já ter ouvido quase tudo que ele narra em seus livros. Gosto menos desse e entendo como semi biográfico. Um livro sobre os vários Mutarellis no desenvolvimento do seu processo criativo, um ensaio pra sua mais recente obra "biográfica" (talvez). Não conseguir ler a HQ, foi meio ruim para apreciação da leitura, mas não sei se mudaria muito a avaliação. Bom e meio xarope as vezes, tipico Muta.
Quando lembro que existe um escritor como o Mutarelli no Brasil atual eu penso que tá tudo certo com a nossa literatura. Esse livro - como todos os seus livros - é arte.
“FECHEM ESTE MALDITO LIVRO. VÃO LER ALGO BOM. LEIAM UM CLÁSSICO.”
Nem é preciso seguir a recomendação do personagem, feita na página 254, de fechar o livro e ir ler UM CLÁSSICO, pois inúmeros textos não clássicos já são melhores que este O grifo de Abdera.
É o primeiro livro que leio do Mutarelli, não faço ideia de como são os outros (depois vou testar, tenho mais dois dele em casa), mas, minha nossa, que romance chato e pedante. Poucas passagens se salvam, os personagens são mal-arranjados, as referências soam artificiais, a história em quadrinhos que vai da página 111 à 191 parece resultado de grande perturbação mental – também ela com inúmeras referências a filmes, TV e quadros que não salvam nada –, o final é palhaçada de quem não sabe desfechar e apela ao blasé. E a “louca criatividade” da trama é só bagunça, não tem dessas de “o trabalho impenetrável do gênio incompreendido”. A confusão da história não é genialidade, mas zona. Quem quer bom texto marginal que vá ler os Trópicos do Henry Miller – aí está, que vá ler esses CLÁSSICOS em vez do desvario de O grifo de Abdera.
Vi uma entrevista do Mutarelli pro SESC TV em que ele diz já ser “perfeito”. O autoelogio exagerado ajuda a explicar essa obra narcísica que se exibe demais e entrega de menos. Só li até o fim porque tive curiosidade em saber qual era o limite da perdição. O limite é a última página física, mesmo, porque se dessem adicionais 10, 50 ou 100 páginas pro autor, não duvido que ele teria se arruinado ainda mais.
Mutarelli é um louco destrambelhado que tem alucinações literárias massivamente deliciosas. Sem querer entregar o jogo, esse é um livro que não só intriga como confunde ficção com possíveis realidades autobiográficas. Uma consciência, dois corpos. Pessoas em transes espontâneos e induzidos. Vidas fodidas de gente que luta para conseguir algum quê de felicidade. Misticismo misturado com uma surreal pornografia. O diabo tem pernas verdes. Aquele que dança na sua própria casa atrai incêndios. E agora, me atiro no Internet para tentar entender se Oliver Mulato foi só personagem ou pessoa na vida de Lourenço Mutarelli. Só de curiosidade porque com o livro acabado uma quatro ou cinco vezes o veredito está dado: este livro foi um prazer.
leitura muito, muito interessante que eu as vezes me senti burro demais pra entender. A história funciona em vários níveis diferentes e eu sinto que é o tipo de coisa que simplesmente implora por um pouco de digestão ao em vez das opiniões/análises rápidas que você tem que formar no goodreads.
eu amo o estilo despretensioso. a leitura rápido. sem ser de modo algum simplistica. exercícios formats que não são literatura experimental pela literatura experimental. O humor tórrido, ao mesmo tempo o drama (por vezes até melodrama). te amo mutarelli.
Lourenço Mutarelli é um dos meus escritores favoritos. Um dos melhores contemporâneos. O livro é ótimo, só perdeu uma estrelinha devido as 100 páginas de HQ que ele incluiu no livro, Acho que umas 20 páginas seriam suficientes para o romance. Acabou pesando um pouco no livro...