Primeira livro literário lido após quase uma dezena de leituras para o mestrado. Mais um vez, Guimarães Rosa prova porque mereceu uma tatuagem minha em sua homenagem (que prepotência a minha!).
No calor pós-leitura, deixo abaixo o que enviei a alguns amigos.
1. É uma história curta de um homem notoriamente maldoso e odiado por todos que, ao perder suas posses, mulher e jagunços, se vê numa situação de humilhação extrema. Após quase morrer, ele encontra guarida na religiosidade "matuta" e se refaz em penitente para expurgar seus pecado e "espera em Deus". No entanto, após muitos anos, a história progride para mostrar como, na verdade, embora ele tente se autoapagar, tudo é autoafirmação, de modo que os acontecimentos no fim dessa jornada de transformação o leva ao encontro do verdadeiro "eu": nem santo, nem diabo. É um dos heróis mais avessos da literatura brasileira.
2. A linguagem é deliciosa, como sempre em Guimarães Rosa. Há uma intersecção de erudição com vocabulário e sintaxe muitos distintas no Norte de MG/Sul da Bahia que nos transporta para um outro modo de ver a língua, auxiliando na imersão e nos mostrando fatos cotidianos por novas perspectivas.
3. A relação entre esperança, valentia e justiça "sertaneja" são reviradas de maneira inusitada, o que demanda de constante reflexão, tendo em vista que o conto é muito imprevisível e consideravelmente engraçado.
4. Por fim, é um livro muito simpático.
Abraços fraternos, Seu Rosa.