Este não é um texto para economistas: é uma leitura que procura conquistar corações e mentes para os argumentos aqui defendidos, desenvolvido em uma linguagem leve e sem tecnicismos. Economistas podem, naturalmente, ter seu interesse despertado pela temática, mas este definitivamente não é um manual. Nele, o economista Fabio Giambiagi apresenta a realidade, os desafios e os "mitos" da economia brasileira, de forma a despertar no leitor o interesse em se aprofundar em cada uma das reflexões ora propostas. O autor aborda temas que vão desde o debate sobre os traços paternalistas de nossa sociedade - passando por questões como educação, imprensa e sistemas políticos - até chegar ao capítulo em que destaca a ideia-chave que permeia o livro e que é a base para a compreensão dos argumentos propostos (e do próprio capitalismo): a competição. Capitalismo: modo de usar esclarece como o Brasil sofre com "falsas virtudes", com ações aparentemente nobres mas que, de fato, atravancam o crescimento econômico e o desenvolvimento do país.
Mestre pela UFRJ. Ex-professor da UFRJ e da PUC-RJ. Funcionário do BNDES desde 1984. Ex-membro do staff do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Washington. Ex-assessor do Ministério de Planejamento. Coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea entre 2004 e 2007. Autor ou organizador de 20 livros sobre economia brasileira. Assina uma coluna mensal no jornal Valor Econômico e outra no jornal O Globo. É membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp. Atualmente, ocupa o cargo de Chefe do Departamento de Risco de Mercado do BNDES.
Outros autores de peso poderiam seguir o exemplo do Giambiagi
Achei difícil avaliar este livro porque este envolve não só questões técnicas, mas de preferências individuais em relação à organização de uma sociedade.
Em resumo, o autor defende uma maior racionalização na discussão do modelo capitalista no Brasil e tenho que concordar inteiramente com ele. Aqui no Brasil, aliás, está difícil achar racionalidade em qualquer tema.
Achei interessante o destaque dado ao autor italiano, Luigi Zingales, no artigo “Capitalism after the crisis”, da National Affairs (disponível em .pdf na net), e as impressões deste autor comparando o capitalismo norte-americano com o praticado na Itália, em que neste último é mais na linha de um crony capitalism - que aliás, se parece demais com o nosso em vários sentidos.
Por que não dei nota 5? Apesar de concordar com o autor, penso que suas soluções não levam inteiramente em consideração como nossa sociedade foi organizada historicamente. A discussão deveria não ser só na base da competitividade, eficiência, das medidas pró-mercado e da cultura do rags-to-riches-via-hard-work (que são superimportantes e imprescindíveis), mas deveria incluir questões relacionadas a temas raciais, morais e religiosos também. E isso obviamente não é fácil e abre espaço para ressentimento por parte de alguns e hipocrisia por parte da maioria.
Para aqueles que conhecem melhor as origens do capitalismo e seus autores clássicos, o modelo foi sim influenciado determinantemente por valores morais/religiosos em seus pilares – não só pela lógica de maximização do bem-estar e renda - [recomendo o livro “The Making of Modern Economics: the lives and ideas of great thinkers”, de Mark Skousen, sem tradução para português]. Valores estes bem diferentes em sua maioria da nossa tradição eminentemente latina.
Enfim, um livro com excelentes considerações e reflexões.
Mais um excelente livro de Giambiagi. Neste ele explica porque o Brasil precisa de mais capitalismo e como os brasileiros e suas instituições ainda possuem forte rejeição ao sistema que realmente permitiria o crescimento do país. Estabilidade legal, competição, produtividade, reformas liberais, educação financeira entre outros assuntos são discutidos e realmente fundamentais para permitir um real crescimento do país.
O livro é repetitivo (inclusive em exemplos e alusões) e merecia uma revisão melhor, mas é uma ótima introdução para quem não entende, também por falhas do sistema educacional brasileiro, como o capitalismo funciona.
A motivação central do livro é excelente, reflete uma premissa real do Brasil. entretanto durante quase todo o livro existem saltos lógicos evidentes onde causas e consequências afirmadas pelo autor não se conectam diretamente.