Uma história do medo, da clandestinidade política, de afetos e traições. Da tortura, da mais bárbara tortura e da perigosa arte do silêncio (não rachar) perante os torturadores. O romance parte de um facto real: o assassinato de um “proprietário e capitalista”, dizem os jornais da época, na Rua do Bonjardim, no Porto. Crime mal esclarecido, que a polícia política se apressa a atribuir a “grupo de malfeitores” comunistas e a três galegos, refugiados rojos da guerra civil de Espanha. Jaracandá decorre no início dos anos quarenta, um dos períodos de maior crueldade do fascismo português, respaldado numa sociedade apavorada, e num jornalismo subserviente, mentiroso, infame. Afinal, quem foram os autores do “Crime do Bonjardim”? Porque desapareceu o processo, julgado em Tribunal Militar Especial Político, do Arquivo Histórico Militar? “Tu disseste: olha o jacarandá florido, fica rente à felicidade. Um dia chegarás ao seu coração vegetal, apertado: achas a luz, a claridade das árvores bebida pela raiz – limpidez resgatada do âmago da terra”.
FRANCISCO DUARTE MANGAS nasceu em Rossas (Vieira do Minho), em 1960. É licenciado em História, jornalista de profissão (O Primeiro de Janeiro, Diário de Notícias), romancista premiado (Diário de Link, 1993; Geografia do medo, 1997; A morte do Dali, 2001; O coração transido dos Mouros, 2002, etc.), contista e poeta (Pequeno livro da terra, 1996; Transumância, 2002, etc.), Francisco Duarte Mangas é também autor de uma obra no domínio da literatura para a infância, repartida pelo conto, pelo conto em formato de álbum e pela poesia. Vários dos seus livros para adultos foram traduzidos e editados em Espanha e na Itália.