Como é que eu alguma vez me interesso num livro? Vamos começar pelos básicos: capa. No caso deste menino, é uma capa normal, que não me chama muito a atenção. A seguir: sinopse. A história prometia, mas temia que fosse um bocadinho mais do mesmo e fosse um desperdício de tempo ler. Por fim: a quantidade de pessoas a dizer lê, lê, lê, omg, isto é fantástico, lê. E foi este último factor que me fez avançar com a leitura deste livro, convencida que estaria diante de uma pérola no meio dos escritores portugueses.
Infelizmente, Despedaçada ficou muito aquém das minhas expectativas. Eu tive um único problema com este livro, mas que estava presente em praticamente todas as páginas, então foi-se acumulando ao longo das mais de quatrocentas e foi impossível esquecer. Este livro está muito mal escrito. Mas muito, mesmo. Eu não quero de todo magoar a Tânia Dias, ou armar-me em professora de Português, mas não posso estar aqui a escrever louvores a um livro que me irritou, só porque a Tânia é das nossas, porque já falei com a Tânia pessoalmente (vá, online), ou porque foi oferta da editora. Nunca o fiz, não é agora que o vou começar a fazer.
E o que eu quero dizer com mal escrito? Vejamos:
⤑ poder / puder. Se não estou em erro, o verbo é conjugado correctamente uma vez no início do livro - o que me levou a acreditar que a vez anterior tinha sido um lapso. Não, não foi. Sempre que o verbo está lá, está mal.
⤑ Sophie / Sophia (ou algo assim). Por vezes o nome da personagem aparece de uma forma, outras de outra. Ainda ponderei ser uma forma de tratamento, mas, se assim for, onde é que isso faz sentido?
⤑ dar discurso directo a um cão. Desculpem-me, mas senti-me a ler um livro para crianças.
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"- Estás perdido? - Perguntei passando os dedos pelo pêlo dele.
- Au! Au! - Ladrou alegre pela atenção.
(...)
- Desculpa... ter-te acordado. - Murmurei.
- Au!"
╚═══════ ≪ °❈° ≫ ═══════╝
⤑ a narrativa ser feita na primeira pessoa não ajudou de todo ao sucesso do livro. A forma como a história decorria contada através de Alexia não me agradou nada, senti-a demasiado juvenil (para não dizer novamente infantil).
Embora para muitos certamente sejam pequenos reparos, para mim conseguiu estragar uma leitura que, de outra forma, teria sido bastante agradável. A história é interessante, especialmente a forma como os Elementos e a Magia se manifestam no mundo e em Alex. O triângulo amoroso que se criou também foi bem conseguido (#TeamIan) e a revelação sobre quem Ian é apanhou-me desprevenida. Foi, realmente, uma pena a forma como Despedaçada está escrito.
Crucifiquem-me os fãs da autora, mas esta é a minha opinião sincera. Duas de cinco estrelas - it was ok.
Já me disseram que a escrita da Tânia Dias melhorou bastante no segundo livro, mas não é o suficiente para eu me aventurar a lê-lo. Também ouvi falar tão bem do primeiro e aconteceu o que aconteceu. Dificilmente irei ler a continuação.