A relação entre a lógica e a realidade foi sempre uma das mais importantes questões da filosofia e, através dessa, da teoria das ciências. Nascida na Grécia clássica, a lógica formal tendeu sempre a assumir o caráter de disciplina exata, não sendo assim casual que - na lógica simbólica moderna - terminasse por se fundir intimamente com a matemática. As disputas ideológicas que marcam os demais campos da filosofia (a ontologia, a epistemologia, a ética) parecem não ter lugar no terreno da lógica formal; ninguém põe em dúvida que a coerência formal de um discurso, qualquer que seja o seu conteúdo, deve apoiar-se num conjunto de regras lógicas dotadas de validade universal.
Problema inteiramente diverso, contudo, é saber até que ponto essas regras formais abstratas (consubstanciadas em determinados procedimentos de dedução, derivação, implicação, etc.) podem ser igualmente aplicadas ao real. Em termos filosóficos, estamos diante da questão do liame entre a legalidade lógica e a legalidade ontológica, uma questão que nunca deixou de preocupar todos os verdadeiros teóricos da lógica, de Aristóteles a Wittgenstein. Poderíamos dizer, esquematicamente, que aquilo que o marxismo conhece como "pensamento metafísico" consiste na tentativa de identificar essas duas séries de leis, pressupondo que os princípios válidos para a lógica formal (por exemplo, o princípio da não-contradição) aplicam-se também ao movimento interno do próprio objeto.
Na história da filosofia, se deixarmos de lado alguns precursores geniais, foi Hegel o primeiro a criticar de modo sistemático essa confusão entre lógica formal e ontologia. Ele mostra que as regras formais, tanto as da lógica em sentido estrito quanto as da matemática, são incapazes de apreender o movimento dialético do real, na riqueza de suas complexas determinações contraditórias. O que Hegel chama de "ciência da lógica" é, na verdade, um sistema de leis ontológicas, um conjunto articulado de categorias que expressam os modos de ser da própria realidade. Para Hegel, as regras formais são apenas um ponto de partida abstrato; não se trata de negá-las inteiramente, mas de integrá-las no quadro de um pensamento dialético que tenha como meta a captação do real enquanto totalidade concreta e não puramente formal.
A presente obra de Henri Lefebvre - um marxista que se situa claramente na linha hegeliana - trata desse complexo de problemas. Ele não apenas apresenta as leis da lógica formal e indica os limites de sua aplicação (mas sem negar sua validade relativa); expõe também - baseando-se sobretudo em Hegel e na leitura "materialista" que dele faz Lênin - as principais categorias do que designa como "lógica dialética". Talvez não esteja entre os menores méritos do presente livro a capacidade revelada por Lefebvre de apresentar didaticamente, sem prejuízo essencial do rigor teórico, determinados problemas extremamente complexos, que costumam aparecer no âmbito restrito do interesse de especialistas.
Certamente não escapará ao leitor a atualidade polêmica de Lefebvre contra o formalismo, isto é, contra a tentativa de aplicar princípios lógico-formais à compreensão do movimento imanente da realidade. No prefácio que escreveu para a segunda edição francesa deste livro, Lefebvre chama a atenção para o ressurgimento do formalismo nas diferentes versões da corrente estruturalista, que goza atualmente de grande favor em certos círculos universitários brasileiros. ASsim, a presente obra não é apenas uma exposição didática de problemas essenciais da história da filosofia: é também uma intervenção polêmica no mais importante debate ideológico e filosófico da atualidade.
Henri Lefebvre was a French sociologist, Marxist intellectual, and philosopher, best known for pioneering the critique of everyday life, for introducing the concepts of the right to the city and the production of social space, and for his work on dialectics, alienation, and criticism of Stalinism, existentialism, and structuralism.
In his prolific career, Lefebvre wrote more than sixty books and three hundred articles. He founded or took part in the founding of several intellectual and academic journals such as Philosophies, La Revue Marxiste, Arguments, Socialisme et Barbarie, Espaces et Sociétés.
Lefebvre died in 1991. In his obituary, Radical Philosophy magazine honored his long and complex career and influence: the most prolific of French Marxist intellectuals, died during the night of 28–29 June 1991, less than a fortnight after his ninetieth birthday. During his long career, his work has gone in and out of fashion several times, and has influenced the development not only of philosophy but also of sociology, geography, political science and literary criticism.
Henri Lefebvre siempre es interesante de leer. Este libro es una muestra de los titánicos esfuerzos de síntesis que hacía Lefebvre por unir el pensamiento marxista con otros temas que le interesaban. En este caso, intentó unir la lógica formal con la lógica dialéctica. Opino que no lo logró. La mayoría de sus postulados intentan ser anti-idealistas, es decir materialistas dialécticos, pero se asientan sobre creencias igual de arbitrarias que las idealistas. Es tan arbitrario creer que la historia se rige por la dialéctica, como creer lo contrario. Hay una toma de posición por creencia. Por otra parte, no queda claro cómo conciliar el platonismo de la lógica formal con el materialismo de la dialéctica. Resulta llamativo que Lefebvre pensó y escribió este libro entre 1946 y 1947, mucho después del inicio de actividades del colectivo Nicolás Bourbaki en la década de 1930. Es decir, a partir de Bourbaki no hace falta unificar esas dos lógicas. Cada lógica rige en un universo de lenguaje cerrado, que tiene sus propios axiomas y reglas de inferencia. Los teoremas o proposiciones cuya verdad queda demostrada dentro de una axiomática no tienen obligación de ser también teoremas en otras axiomáticas. Creo que la intención es buena, no percibo en este libro ímpetu totalitario como lector común, pero sí percibo una ansiedad que surge de no comprender el alcance de la refundación de la matemática iniciada en 1930 por Bourbaki. Después de leer este libro, que no deja nunca de ser riguroso y muy erudito, sigo pensando que la fractura es inevitable. La lógica formal va para las ciencias formales y naturales. La dialéctica, en cambio, parece compatible con la historia y algunas ciencias sociales. Opino que son lenguajes compatibles por isomorfirsmo. También es llamativo que se haya proyectado este libro como el primero de una colección de ocho sobre materialismo dialéctico, con fuerte énfasis epistemológico en este caso. De los ocho volúmenes planeados, salió sólo uno, éste libro. Su lectura me parece muy recomendable porque el estilo de Lefebvre es muy bueno. Escribe claro, con fuerza y erudición. Se nota, sin embargo, que algunas frases están escritas para lectores polarizados que han dejado de pensar. Es decir, creo que es un buen libro para pensar, a pesar de que el lector imaginado por Lefebvre buscaba corroborar el buen comportamiento ideológico del autor en lugar de buscar una vinculación rigurosa entre la lógica formal y la dialéctica. Creo que conviene leer este libro junto con otro del mismo autor titulado Hegel, Marx, Nietzsche. Ambos, un placer para el lector interesado en estos temas.
Un llibre excel·lent per endinsar-se en la dialèctica marxista. Dens però prou pedagògic.
La tesi central és que la lògica formal no s'ha de rebutjar o considerar burgesa (com sí defensaven alguns marxistes), sinó que s'ha de *superar". La lògica formal és "un dels moments de la raó" que tendeix cap al contingut però l'immobilitza. El principi d'identitat (A = A) és característic de la lògica formal. Tot el que existeix pot entrar a aquesta fòrmula però, a la vegada, aquest és una forma de pensament tautològic completament buit. No sabem res de l'arbre si dic que "l'arbre és l'arbre". En el principi d'identitat observem un doble caràcter: és general i pur (fa referència a tot), però també és buit (no fa referència a res). "En y por esta contradicción inicial ser puro y nada pura (abstracta), el pensamiento se pone en movimiento y se convierte primero en conciencia del movimiento..." És aquesta contradicció (que no és absurda, sinó productiva) que ens permet un primer pas cap a la lògica dialèctica. No estem parlant d'una defensa de la contradicció sinó de la presa de consciència del caràcter contradictori i sempre en moviment de la naturalesa. Per tant, la dialèctica no és només un mètode sinó que la naturalesa "és" dialèctica. Segons Hegel: "...que no hay nada en el cielo o sobre la tierra que no contenga en sí a los dos: el ser y la nada".
Partint d'aquí l'autor comença a exposar el que entén per lògica dialèctica (o lògica concreta) m'abstindré d'intentar-ho resumir. Només dir que la influència de Hegel és fonamental i que no cau en el positivisme propi de manuals de dialèctica com el de Politzer.
Per acabar, Lefebvre esquematiza el mètode dialèctic amb les següents lleis: 1. Llei de la interacció universal: res existeix aïlladament 2. Llei del moviment universal: reintegració dels fets i fenòmens aïllats en el seu moviment. 3. Llei de la unitat dels contradictoris. 4.Transformació de la quantitat en qualitat (llei dels salts). 5. Llei del desenvolupament en espiral.
Recomano deixar els prefacis i pròlegs pel final ja que són més complexes que el propi text i estan escrits gairebé com a comentari del text o correccions a posteriori.
يحلل الكاتب الفكر الجدلي لهيجل، منطلقا من رفضه للمنطق التصوري الذي لا يكشف عن جديد والذي تنذوي منتجاته داخل نفسه ليصل الشرح الفكر الهيجلي الذي حلل تضاد الافكار في الطبيعة وجعل الانطلاق الى التركيب من تحليل هذه العناصر وصولا الى ما يسمى بالروح او الفكرة المطلقة ثم يعيد الى الفكر الجدلي لماركس أهميته ويكشف رويدا رويدا عن تأثير الفكر الهيجلي على الفكر الماركسي، ويعيد الفضل لماركس في أنه بدل الفكرة المطلقة أو الروح التي تنطلق منها الافكار الجدلية وتناقضاتها الي الانسان المادي، وكان من هذه النقطة انطلاقه لتحليل التاريخ فالانسان هو الفكرة المطلقة وهو تبديل الروح لذا كان التاريخ المادي هو ناتج الانسان وأن الانسان هو الذي أنتج الانسانية، فالانسان هو المنتوج الطبيعي وفي نفس الوقت هو منتج الطبيعة من حيث تأثيره فيها. ذلك كان الجزء الاول من الكتاب أما الجزء الثاني منه فيدور حول تحليل الانسان بمظره المركب البعيد عن التحليل الذي فصلته الفلسفات المثالية، وجعلت كل جزء من النفس الانسانية بمعزل عن الاخر مما ادى في النهاية الى غربة الانسان عن نفسه وانسلابه من حياته الواقعية داخل صورا اخرى اشد واكثر تعقيدا من الهروب، ولكن الفلسفة متجهة نحو توحيد الانسان ، وتجاوزه من كونه مجرد اداة الي انسان شامل يحقق كل ما هو انساني ولكن ذلك لن يتحقق كلما وجدت هذه الطبقات التي تسحب الطبقات التي تخضعها وتسيطر على وسائل انتاجها. الكتاب فيه نقطتين غير متوافقتين مع الفكر الماركسي، الاول هو اضفاء ما يسمي بالروح الانسانية الى الانسان وهو على حسب تعبير كثير من فلاسفة الماركسية ليس الا ناتج التغير الكمي الذي يعتريه في الطبيعة، فهو يجعل من مصطلح الانسانية باستخدامه في هذه السياق العاطفي الرومانسي نوعا من أنواع الغيبية بعدما قد عبر مرارا وتكرارا أن كل شكل من أشكال النشاط في المجتمعات القديمة لهذه التعبيرات الغيبية يعتبر شكل من أشكال التميمية (الطوطمية) فلما لا تصبح الانسانية هنا مجرد ضرب من ضروب الطوطمية كما كان لكل مجتمع من المجتمعات القديمة تعبير طوطمي والنقطة الثانية هى اوهام فلاسفة القرن الثامن عشر التي يبشر بها، من ضرب الانسان الشامل، الذي سوف يتحد بنفسه مجددا ويبتعد عن كل شكل من أشكال التغرب التي اعترت نتيجة استخدامه لاداة، ويتوقف هنا ولا يشرح لنا كيف يحدث ذلك؟ وكيف تختفي التناقضات التي تظهر وتعمق من نفسية الانسان كلما أنتج أكثر وكلما أنتج اكثر وزادت حياته ثراء على حسب كلامه؟ لكن الكتاب كان ممتعا في تحليل النظرية الهيجيلة التي قام عليها تفسيره للقانون والتاريخ ولي معه لقاء اخر في ثلاثيته "نقد الحياة اليومية" فهو من أكثر الكتاب الماركسيين تأثيرا في القرن الماضي وأكثر علماء الاجتماع الماركسيين جدلا