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Poemas Completos de Ricardo Reis

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Inclui:
Mestre, são plácidas
Deuses desterrados
Coroai-me de rosas
O Deus Pã não morreu
Dia suave
Vem sentar-te comigo Lídia
Ao longe
Só ter flores
A palidez do dia
Não tenhas nada nas mãos
Sábio é…
As rosas
Cuidas, ínvio
Não consentem os deuses
Cada coisa a seu tempo
Da nossa semelhança com os deuses
Só esta liberdade nos concedem
Aqui, Neera, longe
Lâmpada noturna
As Ninfas
Vós que, crentes em Cristos e Marias
O mar jaz
Antes de nós
Acima da verdade
Anjos ou Deuses
Tirem-me os deuses
Bocas roxas de vinho
Ouvi contar
Prefiro rosas
Felizes
Segue o teu destino
Feliz aquele a quem a vida grata
Não a Ti, Cristo (1)
Não a Ti, Cristo (2)
Medo do destino
As ondas
Seguro assento na coluna firme
Não quero as oferendas
Ieda
Não canto a noite
Não quero recordar
A abelha
Dia após dia
Flores que colho
A flor que és
Melhor destino que o de conhecer-se
Verão
Quão breve tempo é a mais longa vida
Tão cedo passa tudo quanto passa
Prazer
Campo Lavrando
Beijo
Tuas, não minhas
Olho os campos
No ciclo eterno
Velhice
O vinho
Quanta tristeza
Frutos
Gozo sonhado é gozo
Nuvem
Atrás não torna
A nada imploram
Um corpo
Onda
O sono é bom
Fim certeiro
Nos altos ramos de árvores
Inglória é a vida
Morte
Fado
Nem da erva humilde
Quem diz ao dia
Negue-me tudo a sorte
Se recordo quem fui
Quando, Lídia, vier o nosso outono
A brisa da manhã
Doze meses
Não sei de quem recordo
O que sentimos
Quer pouco: terás tudo
Homem, é igual aos deuses
Não quero, Cloe
Não sei se é amor que tens
Nunca a alheia vontade
No mundo, só comigo
Os deuses e os Messias
Do que quero renego
Sim, sei bem
Breve o dia
Domina ou cala
Tudo, desde ermos
Ninguém
Se a cada coisa que há
Quanto faças
Rasteja mole pelos campos ermos
Azuis os montes
Lídia, ignoramos
Severo narro
Sereno aguarda
Ninguém a outro ama
Vive sem horas
Nada somos
Para ser grande
Quero ignorado
Cada dia sem gozo
Pois que nada que dure
Estás só
Aqui, neste misérrimo desterro
Colhe o dia
Súbdito inútil
Aguardo
Vivem em nós inúmeros
Ponho na altiva mente o fixo esforço
Temo, Lídia
Não queiras, Lídia
Saudoso já deste verão
Deixemos, Lídia
É tão suave a fuga deste dia
Para os deuses…
No magno diA
Quero dos deuses
Aos deuses peço
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre
Meu gesto que destrói
Sob a leve tutela

154 pages, Kindle Edition

First published January 8, 2015

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62 people want to read

About the author

Ricardo Reis

99 books36 followers
A heteronym of Fernando Pessoa.

"Around 1912, if I’m not mistaken (not greatly anyway), the idea came to me to write poems of a pagan nature. So I scribbled something down in irregular verse (different to the style of Álvaro de Campos, more irregular), and abandoned the idea. It was a badly woven twilight, a blurred portrait of the person who was composing it. (I hadn’t realized it yet, but that was when Ricardo Reis was born)."
Fernando Pessoa writes in his letter dated Janeiro 13th 1935 to Adolfo Casais Monteiro, that Ricardo Reis was born in 1887 (although he couldn’t recall the exact date), in Oporto. He describes him as shorter, stronger and stiffer than Caeiro, besides being clean shaven. He had had a Jesuit school education, was a doctor and had lived in Brazil since 1919, from where he had been self-expatriated for being a supporter of the monarchy. He had Latin and semi-Hellenic instruction.
Fernando Pessoa admits he conferred to this heteronym and excessive purity and writing as Ricardo Reis mentions he "followed an abstract deliberation which immediately took the shape of an ode".

Source: Fernando Pessoa's Letter to Adolfo Casais Monteiro, January 13th 1935, in Correspondência 1923-1935, ed. Manuela Parreira da Silva, Lisbon Assírio & Alvim, 1999.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Bárbara Reis.
44 reviews1 follower
October 17, 2022
Nunca me tinha debruçado sobre a colectânea de poemas de Ricardo Reis e devo dizer que gostei da experiência.
Há alguns poemas que ficarão comigo e por isso, valeu a pena a experiência 👌🏼
Profile Image for João Andrade e Sousa.
117 reviews13 followers
June 28, 2025
Titulo: Poemas Completos de Ricardo Reis de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Resumo:
Neste livro reúne a totalidade da obra poética atribuída a Ricardo Reis, um dos heterónimos mais complexos e fascinantes de Fernando Pessoa. Médico de formação, monárquico e voluntariamente exilado no Brasil, Reis escreve com uma voz profundamente influenciada pelo estoicismo e pelo epicurismo, refletindo sobre a brevidade da vida, a inevitabilidade da morte e a importância de viver com equilíbrio e serenidade.

Revisão:
Poemas Completos de Ricardo Reis é uma das expressões mais refinadas do projeto heteronímico de Fernando Pessoa. Neste volume, somos conduzidos pela voz de Ricardo Reis, o poeta médico, monárquico, estoico e epicurista que olha o mundo com distância filosófica, elegância formal e uma contenção emocional que nunca deixa de ser profundamente humana.

A poesia de Reis está profundamente enraizada na tradição clássica. A ode é a sua forma predileta, e nelas encontramos um rigor formal impressionante: versos decassílabos ou hexassílabos cuidadosamente organizados, uma métrica firme, e uma regularidade estóica que ecoa o equilíbrio grego que tanto admirava. No entanto, por trás dessa frieza aparente, há uma meditação constante sobre a brevidade da vida, a inexorabilidade da morte e a necessidade de encontrar serenidade num mundo incerto, ideias herdadas do estoicismo e do epicurismo, as duas grandes colunas da sua cosmovisão.

O vocabulário de Reis é sofisticado, erudito, com evidente influência da língua latina. A sintaxe é elaborada, predominando a subordinação e o uso de figuras de estilo como anáforas, hipérbatos e perífrases. Esta densidade não torna, contudo, os seus poemas inacessíveis; pelo contrário, dá-lhes uma solenidade quase sagrada. Ao mesmo tempo, o uso da primeira pessoa do plural e o tom moralizante com imperativos suaves, vocativos e frases reflexivas, aproxima o autor do leitor, criando uma ponte entre a antiguidade clássica e o presente moderno.

É notável como Ricardo Reis, embora uma criação de Pessoa, tem vida própria. Os seus poemas não soam como imitações nem como jogos literários, mas como a voz autêntica de um homem que medita sobre o mundo com a gravidade e a beleza de um filósofo. Poemas como "Sim, sei bem" capturam a essência deste heterónimo: uma consciência plena da efemeridade da vida, sem desespero, mas com uma aceitação quase serena do destino.

Nota: 5/5 - Esta obra merece a nota máxima pela profundidade filosófica, pela maestria formal e pela singularidade do projeto literário. Ricardo Reis é um exemplo perfeito da genialidade de Fernando Pessoa: um poeta inteiramente fictício, mas de uma coerência, sensibilidade e riqueza tão autênticas que transcende o próprio conceito de heterónimo. Poemas Completos de Ricardo Reis é leitura obrigatória para quem deseja compreender a multiplicidade da alma humana através da lente clássica e atemporal da poesia.
26 reviews
July 24, 2023
Já sobre a fronte vã se me acinzenta
O cabelo do jovem que perdi.
Meus olhos brilham menos,
Já não tem jus a beijos minha boca.
Se me ainda amas, por amor não ames:
Traíras-me comigo.

do meu heterónimo preferido...
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