O carteirista vivia num país de cenho carregado, que se arrastava penosamente ora com medo da insegurança ora desconfiado dos políticos que queriam acabar com ela. Vivi num país cansado, que trocara a revolução pela revolta, a discussão pelo bocejo, o mar pelo sofá frente à televisão.
Nasceu em Moura onde estudou até aos quinze anos. Continuou os seus estudos em Beja e depois já casado e com dois filhos em Lisboa, fez o Bacharelato em Biologia, em 1975, tendo sido a partir desse ano, professor do Ensino Secundário, dessa área, até 1978.
Nesse ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal e formação de inspectores.
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.
Várias vezes louvado, deixou aquela instituição para se dedicar à vida académica.
No entanto, regressa dois anos depois para junto da então direcção da PJ com a incumbência de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. É nestas funções de assessoria que participa nos Casos de Polícia, programa da SIC que marca uma viragem nas relações entre polícia e comunicação social. Os 12 anos como inspector da Polícia Judiciária, proporcionaram-lhe inúmeras experiências e inspiração para as suas obras de ficção, sendo algumas delas adaptadas para televisão, através da sua produtora Antinomia.
Licenciou-se em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Simultaneamente desenvolveu intensa actividade como escritor. Várias vezes premiado em Portugal. Colabora regularmente em vários jornais e revistas nacionais. Desenvolvendo estudos sobre a violência e morte violenta, dirigiu a equipa que identificou e trasladou os mortos do cemitério da Aldeia da Luz, numa das operações científicas mais impressionantes dos últimos anos.
No que respeita à política é independente. Depois de na juventude ter vivido a euforia decorrente do 25 de Abril, com 21 anos, afastou-se de qualquer actividade política. Já depois de ter abandonado a PJ, aceitou por duas vezes integrar, na qualidade de independente, listas do PS à autarquia de Moura mas com o aviso prévio que não estaria disponível para aceitar lugares de acção política. Residindo em Santarém (S. Bento), o PSD deu-lhe apoio.
A 8 de Junho de 2009 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Este livro é uma crítica a alguns aspetos da sociedade portuguesa atual, tais como os programas ocos (para não dizer pior!) que passam na nossa televisão, as pessoas que a eles recorrem para se tornarem famosas e terem "sucesso", a relevância meteórica que essas mesmas pessoas adquirem de um dia para o outro (muitas vezes, a queda é igualmente meteórica) ou a importância que se dá à imagem e não ao conteúdo de cada um. O autor pega nas personagens mais improváveis, "mistura-as" e cria uma história atual, com sentido de humor, que tanto nos faz rir como ponderar seriamente no que nos rodeia. Dos livros que já li deste autor, foi o que menos me cativou. As personagens utilizam expressões muito próprias (faz todo o sentido que assim seja), porém, a certa altura, acabei por me cansar dessa linguagem. Achei o enredo um pouco confuso e, a certa altura,comecei a desejar que o livro terminasse. E isso deixa-me triste porque gostei muito dos livros do autor...
O Carteirista que Fugiu a Tempo é um daqueles policiais do início dos 2000 em que se reconhece logo a mão de Moita Flores: ritmo rápido, frases curtas, narrativa quase de argumento de série de televisão.
O interesse do livro não está tanto no mistério do crime, mas na forma como expõe o lado social do Portugal de há 20 anos: a margem, a corrupção, o país pequeno onde tudo se cruza. É literatura sem pretensão de grande estilo (lê-se de um fôlego, como quem assiste a um episódio televisivo), e funciona como retrato de uma época em que este policial português simples se afirmava como género de literatura popular.
Leitura rápida e interessante. A história relata a vida de um carteirista chamado Fred Astaire "o dançarino com mãos de nuvem." que vive do gamanço de 'otários'. Até que conhece A Gaby das Mamadas e o resto da malta, Porcalhão, Messias e Doses. Decidem assaltar um banco, porque a vida de gamar aos poucos e em pouca quantidade não é para eles. O assalto não tem o efeito planeado mas dão a estocada final com concursos de televisão, algo que cada um deles tem jeito, pois concursos não faltam e dinheiro para ganhar neles também não. Ah! Também deu para ver que é fácil dar a volta a políticos e banqueiros, tudo para lhes continuar a sacar dinheiro.
Com um sentido de humor acutilante, Moita Flores faz um retrato cru da sociedade portuguesa, que 'engole' tudo o que os media lhes metem à frente, sem questionar. Com um conjunto de personagens fantásticas, nota-se bem o talento de argumentista do autor a vir ao de cima, numa história mirabolante que nos prende, nos faz rir e, ao mesmo tempo, pensar.
Vai tudo a eito nesta caricatura do País: a política e os políticos (o autor exerceu a actividade e está no rol dos criticados), a televisão (com a qual colaborou frequentemente), a polícia (que representou em cargos de responsabilidade), a banca e a finança; só escapa mesmo a Igreja (não lhe conheci sotaina). Tudo isto seria de louvar se o registo não fosse de um populismo tão rasteiro que qualquer ventura não desdenharia assinar - orgulhosamente. A “história”, essa, não passa de uma “Crónica dos Bons Malandros” em modelo redondo: não tem ponta por onde se lhe pegue. O autor ameaçou (e cumpriu) com uma trilogia: prometo não desistir.
Leitura muito ligeira, com um sentido de humor bastante apurado! Nota-se que o autor fez um estudo acerca do tipo de linguagem e expressões utilizadas por aquelas personagens-tipo! Há aqui um quê de Gil Vicente com o seu lado satírico perante a sociedade que vivemos! Para primeiro livro deste autor, gostei muito!
POR: O que é que acontece quando um carteirista, uma prostituta, um drogado, um ex.polícia e um individuo que come tudo e mais alguma coisa se juntam? Uma boa leitura.
ENG: What happens when a pickpocket, a hooker, a junkie, an ex.cop and a guy who eats everything and anything get together? A good read.