Roberto Freire foi um médico psiquiatra e escritor brasileiro, conhecido por ser o criador de uma nova e heterodoxa técnica terapêutica denominada Soma (somaterapia). Foi também diretor de cinema e teatro, autor de telenovela, letrista e pesquisador científico.
Entre suas obras literárias mais importantes figuram Cléo e Daniel (história que foi levada ao cinema, com Myriam Muniz, Sônia Braga e John Herbert, entre outros), Sem entrada e sem mais nada, Coiote e os ensaios Utopia e Paixão, Sem Tesão Não Há Solução e Ame e dê Vexame. Escreveu também contos eróticos, literatura policail e infantil.
Na televisão, teve quadros em programas como TV Mulher e escreveu os primeiros capítulos da fracassada telenovela O Amor é Nosso, exibida em 1981, com Wilson Aguiar Filho. Posteriormente ambos seriam substituídos por Walter Negrão.
Autor de vários livros, escreveu para o teatro, cinema e televisão. Entre suas obras mais conhecidas estão Sem Tesão Não Há Solução, Coiote e Cleo e Daniel, que ganhou versão para o cinema em 1970, com Sônia Braga, dirigida pelo autor. Na TV, escreveu para os programas A Grande Família e TV Mulher.
Em 2003 lançou a autobiografia Eu é um outro.
Roberto Freire foi o criador da somaterapia, terapia corporal baseada nas teorias psicanalíticas do austríaco Wilhelm Reich e de conceitos anarquistas. Freire se apresentava como "anarquista, escritor e terapeuta". Sua princiapal criação, a Somaterapia, vem sendo desenvolvida e praticada no Brasil e na Europa pelo Coletivo Anarquista Brancaleone.
"Quando se optou pela liberdade, deve-se ter sempre em mente a possibilidade da solidão."
O livro apresenta um olhar diferente sobre o amor, colocando-o como sinônimo de liberdade e a única forma de exercê-la. Sem sacrifícios, sem dor, sem posse, o amor puro e livre que é único, mas se expressa de diversas formas. E deve ser expresso como se deseja, sem medo do ridículo. Porque o ridículo é, também, uma forma de liberdade. Talvez, quando foi escrito, seu conteúdo era muito mais revolucionário, hoje já é algo que de certo modo estamos acostumados a ouvir - o amor livre, o amor saudável, não-tóxico. No entanto, acredito que nunca foi tão importante exercer, pois apesar de tanto se falar sobre os malefícios de relações tóxicas, pouco se fala sobre a necessidade de expressão individual em grandes ou pequenos gestos, de vexame, de brincadeira, pura diversão. Que sim, precisamos de amor, mas não precisamos precisar de um determinado amor. Precisamos querer, desejar. Amigos, amantes, arte ou a vida. E quanto a "Quando se optou pela liberdade, deve-se ter sempre em mente a possibilidade da solidão.", mostra que talvez - e muito provavelmente - em seu modo ridículo de viver, em sua vontade por amor livre, você pode não aceitar o amor de posse(amor sem amor), então ter que lidar com a solidão. Mas que seja uma solidão gostosa, em que você não deixe de amar, porque antes de tudo saber estar sozinho é saber passar um tempo consigo.
" Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários".
" O mais verdadeiro ato de amor é o que garante a quem amamos a liberdade de amar, além e apesar de nós e de nosso amor". Pg 24.
"Parece ser muito difícil e arriscado para os jovens conciliar seus impulsos e desejos livertários com a realidade dos resíduos da formação burguesa em si mesmos e nos parceiros. Esses resíduos, estimulados pelo ambiente social, opõem-se radicalmente aos impulsos e desejos libertários, parecendo aos jovens impulsos e desejos também naturais quando, na verdade, não passam de deformações de caráter incutidas pela educação autoritária e capitalista que receberam e que estimula neles o desejo de poder e só lhes dá segurança na apropriação, na dominação, tanto no plano material quanto no afetivo. Porém aqueles que conseguem deixar seus sentimentos e seus objetos amorosos livres para ir aonde quiserem, sem deixar de amá-los e sem que estes os amem menos, descobrem, como eu, as infinitas possibilidades do amor e as formas diferentes, originais e únicas com que o amor pode apresentar-se em cada pessoa ou na mesma pessoa, a cada momento, dependendo do lugar e da circunstância emocional em que pode ocorrer". Pg 25.
" Assim fica fácil compreender Gil: amar deve ser um faz de contas de verdade. Viver não é pensar e saber do jeito que desejaram os racionalistas, nem tampouco é trabalhar da maneira marxista, mas sim brincar e jogar como gostam os anarquistas. Para quem curte o Latim, fica mais bonito assim: o Homo não é sapiens nem faber, ele é ludens!". Pg 27.
" Então o amor possível não podendo ser lúdico, não lhes sendo permitido brincar e jogar com os próprios desejos, sentimentos e emoções, são obrigados a instituzionalizar, a regrar e a utilizar os desejos, sentimentos e emoções como instrumento dos mecanismos de poder autoritário (através do casamento e da família)na reprodução e na perpetuação da relação dominador/dominado". Pg 27.
" quem não consegue se sentir só e na mais completa solidão não se liberta jamais. Estar só, sentir a ausência do que e de quem se ama, às vezes, para muita gente, como eu, foi o necessário caminho que leva da dependência e da mediocridade à liberdade e à pelnitude do amor". Pg 32.
" Quando superamos o medo de ser quem a gente realmente é, vai se surpreendendo com o que ainda dispúnhamos para ser. Talvez o melhor de nós mesmos é o que nos fazem mais reprimir". Pg 52.
" Conviver com a dor natural de viver é a garantia para sentir o prazer natural da existência". Pg 59.
" Canção de Danilo Caymmi e Ana Terra:
Se um dia você for embora não pense em mim que eu não te quero meu eu te quero seu. Se um dia você for embora vá lentamente como a noite que amanhece sem que a gente saiba exatamente como aconteceu". Pg 70.
A temática do livro alterna entre denunciar o autoritarismo do falso amor burguês e sobre se amar de forma mais livre e generosa. Como tudo que vi do autor até então, é uma prosa, mas que é permeada por um estilo bastante poético, que não necessariamente me agrada sempre(sinto a falta de uma linguagem mais formal e direta pra tratar de temas não-ficção), mas não deixa de ser uma leitura aprazível.
Na segunda parte do livro ele conta uns causos de "vexames amorosos" na vida dele, que naturalmente não se resumem àqueles de amor romântico, e que só fizeram engrandecer a figura do autor pra mim, para além de sua envergadura literária. Roberto Freire, além de suas realizações mais conhecidas, já fez reportagem ganhadora de prêmio Esso, trepou no topo de um morro em plena tempestade e apanhou feio algumas vezes, sempre pelos motivos mais doidos.
Good reading overall, despite some pretty cheesy stuff here and there (such as the book title). It presents amazing ideas critiquing the common understanding of certain "impulses" and "desire" as being natural/innate, by explaining that they are just "character deformations" due to the authoritarian, bourgeois and capitalist education that stimulates the desire for power and give us the security feeling/sensation only in appropriation and domination (material and affectional). It argues that love can be revolutionary when not constrained to be institutionalized or to minimize and utilize desire, feelings and emotions as tools of authoritarian power mechanisms in the reproduction and perpetuation of dominant/dominated relations. It claims love should be ludic, and it demonstrates how the libertarian therapy developed by the author ("Soma") uses anarchist principals to help people experience this love being guided by pleasure. Very inspiring book, with very beautiful ideas.
acho roberto ruim em colocações sobre gênero e feminismo, as vezes heterocentrado, mas é possível encontrar apontamentos gerais interessantes sobre liberdade e amor.
Ame e Dê Vexame é uma declaração de amor vexaminosa, uma declaração de amor livre em liberdade. Combinando uma dissertação sobre amor e vexames com relatos pessoais de amores e vexames, Roberto faz uma bela mediação de como essa coisa chamada amor surge nele, e como pode ser vivido realmente, em liberdade, sem as máculas da moral autoritária, e para essa tal liberdade vem no pacote uma boa dose de vexames. Sem contraindicação, Ame e Dê Vexame!