O livro "Há Dois Mil Anos", escrito por Emmanuel, retrata a vida de Públio Lentulus, um senador romano que viveu durante a época de Jesus. A narrativa se desenrola em torno de conflitos familiares, intrigas políticas e a busca por redenção espiritual em meio a um ambiente repleto de ambição, ciúmes e traições.
A história se inicia com Flávia, a irmã mais velha de Marcus e filha de Públio e Lívia Lentulus, que se encontra gravemente enferma. A aflição dos pais, Públio e Lívia, é palpável, e a dor da família é intensificada pela presença de Sálvio Lentulus, irmão de Públio, e sua esposa, a frívola Fúlvia, que não poupa esforços em manipulação e intrigas para satisfazer seus interesses. Fúlvia, que possui um passado conturbado com Pôncil Pilatos, governador da Judéia, e seus próprios interesses amorosos, cria uma teia de ciúmes e disputas pelo poder.
Os personagens que permeiam a vida de Públio e Lívia são complexos e multifacetados. Plínio e Agripa, filhos do Senador Flamínio Severus, se apaixonam por Flávia, mas a rivalidade pela mão da jovem gera conflitos entre os irmãos. Enquanto isso, o escravo judeu Saul, que alimenta um profundo ressentimento por Públio devido a um incidente traumático que resultou em sua escravidão, se torna um agente de vingança na história, sempre à espreita por uma oportunidade de se vingar de sua cena de dor e humilhação.
Todo esse cenário é pontuado pela figura de Jesus, cuja presença é sentida como um bálsamo frente à escravidão emocional e física que os personagens enfrentam. Em um de seus encontros, Públio é confrontado por Jesus, que lhe ensina sobre a verdadeira grandeza que não se encontra nas aparências e nas posições sociais, mas sim na humildade e no amor genuíno. Públio, no entanto, resiste a essa transformação e não consegue compreender a profundidade do ensinamento.
A busca de Lívia por Jesus reflete a necessidade humana de fé e compreensão. Através de suas provações, ela se torna o coração da história, mostrando resiliência e um profundo amor por sua família. Sua jornada a Carfanaum e os encontros com o mestre a fazem reconhecer que a verdadeira felicidade não reside no status social, mas sim no amor espiritual.
Após uma série de eventos tumultuados, incluindo o sequestro de Marcus, o filho do casal, pela conspiração de André de Gioras e a traição de Fúlvia, a atmosfera se torna ainda mais pesada. A dor é amplificada pela iminente condenação de Jesus, levando Lívia a buscar a intercessão de Pilatos, um ato que a colocará em uma posição vulnerável diante de seus inimigos e daquelas que se mostram como atraentes oportunidades malévolas.
A execução de Jesus gera um impacto profundo em todos os envolvidos. Lívia é atormentada pela imagem de seu mestre sofrendo, enquanto Públio, perdido em sua raiva e impotência, se vê confrontado com suas próprias falhas. Em meio a tanta dor, o luto por Jesus se transforma em um espelho da dor que os personagens causaram uns aos outros e a si mesmos.
Lívia, durante sua oração e meditação em seu cativeiro, começa a perceber que a verdadeira infelicidade é o fruto das ações praticadas em nome da ambição e da vaidade. Isso culmina em um desejo de sacrificar sua própria vida, deixando um legado de amor e fé. O ato de se vestir de maneira modesta ao enfrentar a morte na arena revela um símbolo de desprendimento e de busca por perdão. Seu sacrifício é a culminação de uma vida dedicada a sua família e suas crenças.
Ao longo do tempo, Públio, isolado em seu sofrimento e arrependimentos, busca compreender a pureza de Lívia e o porquê de seus próprios erros. Suas lembranças o atormentam, e ele é confrontado com a realidade de seu estado emocional deteriorado. Ele se torna uma representação da luta de muitos que buscam a verdade e a luz após anos de escuridão, um processo que culmina em um renascimento espiritual.
O livro prossegue mostrando o peso emocional que os personagens carregam, refletindo sobre as relações interpessoais cheias de ciúmes, traição e desilusão. As tribulações de Flávia, que se vê no centro de um triângulo amoroso, e a redentora trajetória de Saul, que traz à tona a possibilidade de perdão, trazem uma nova luz ao que poderia ser a resposta a velhas questões de injustiça e dor.
A morte de Públio e sua busca por redenção finalizam a narrativa, que é repleta de lições sobre amor, fé e o significado das escolhas que fazemos. O reencontro de todas as almas que se perderam e se machucaram ao longo do caminho serve não apenas como um alívio, mas como um aspecto de esperança e reconciliação. A mensagem principal que Emmanuel compartilha através do livro é que, independentemente das traições e da dor, nunca é tarde para redimir-se e buscar a verdadeira luz.
A obra enfatiza que a vida é um jogo de circunstâncias, um teste de moralidade, e que cada espírito deve encontrar um caminho que faça jus à mensagem de amor e compaixão que Cristo pregou. O chamado à verdade, mesmo em tempos de dor, é um tema duradouro na busca espiritual de cada ser humano.
Para concluir, a citação que mais se destaca na narrativa ressoa com uma profunda verdade sobre a condição humana: "A vida é um jogo de circunstâncias que todo espírito deve entrosar para o bem, no mecanismo do seu destino". Essa reflexão ecoa através das experiências compartilhadas por Públio, Lívia e os outros, lembrando-nos sempre de que é possível encontrar redenção, mesmo nas circunstâncias mais sombrias da vida. Além disso, a canção de amor de Lívia para Públio encapsula a essência da conexão entre as almas, mostrando que o amor verdadeiro transcende a morte e o sofrimento, perpetuando-se na eternidade.