Après avoir dénoncé les pénitenciers de Guyane et les bagnes militaires de Biribi, c'est à une autre cause humaine qu'Albert Londres entend désormais s' les asiles d'aliénés. Dans ce récit, Londres nous décrit le milieu des «fous» avec toute son invraisemblante réalité. Le récit fourmille de portraits et d'anecdotes dont plusieurs sont pénibles, car les malades sont souvent traités de manière déplorable et révoltante.
Albert Londres was a French journalist and writer. One of the inventors of investigative journalism, he criticized abuses of colonialism such as forced labour. Albert Londres gave his name to a journalism prize for Francophone journalists.
E termino o ano de 2019 com a leitura deste maravilhoso opúsculo da autoria de um escritor francês, “um jornalista literário em permanente fuga ao previsível”, para mim totalmente desconhecido, até agora, e acredito que também do público leitor que foi Albert Londres (1884-1932).
Publicado pela editora “Sistema Solar” que, para mim, foi sempre sinónimo de qualidade decorrente não apenas dos títulos editados mas também dos prefácios, sempre excelentes, de Aníbal Fernandes, este “Como os Loucos” foi, para mim, uma excelente revelação.
Devo dizer que nunca lera algo tão interessante dentro da tipologia do “humeur noir” que nos transporta por um périplo junto das instituições psiquiátricas, designadas então, por asilos, onde surgem as embrionárias curas, muitas vezes, proporcionadas por médicos que deveriam ser incluídos nessa mesma patologia.
Trata-se de um relato invulgar sobre as condições em que viviam esses “alienados sociais” que viveram na França na passagem do século 19 para o 20, segundo as próprias leis estabelecidas pela República, como a de 38, embora, como confessa o próprio autor, não se saiba se foi uma lei criada em 1738 ou em 1838, normativo esse que segundo o prefácio de AF, “regia os asilos de alienados, um arsenal jurídico com quarenta e um artigos e um grande papel atribuído ao segredo profissional”.
Albert Londres, que “na sua carreira não isenta de quixotismo, procurar-se-ia, em vão, uma reverência ao dinheiro, uma deferência para os que governam ou financiam, a docilidade perante as ordens e as recomendações, a aceitação dos factos consumados e dos poderes estabelecidos, a fuga perante as responsabilidades” (Jornal anarquista Libertaire, citado por A.F. Só por essas considerações, ficamos com curiosidade em conhecer outros trabalhos desse ilustre (des) conhecido. Mas de volta à narrativa, esta concentra-se na visita, por parte do autor, aos asilos psiquiátricos de inícios do século 20 na França republicana na tentativa de criar um retrato das origens socioculturais daqueles que lá foram institucionalizados. Mas não só: tentando compreender as condições físicas daqueles que neles habitaram sempre em estreita relação com o meio envolvente, Albert Londres proporciona-nos uma notável reflexão naquilo que seria designado pelo abstracionismo da doença mental: “o homem de razão que delega no médico a loucura só autorizando assim a relação através da universalidade da doença (AF)”.
Somos surpreendidos pelo facto de que “os loucos falam exteriormente às regras estabelecidas. Não existe um povo de loucos: cada louco forma sozinho o seu povo”. O que mais me impressionou nessa afirmação foi a sua incrível atualidade.
Vivendo, por momentos, junto dessa comunidade, o autor tem a possibilidade de conhecer os “verdadeiros loucos, loucos antigos, loucos futuros … o autêntico, o provável, o duvidoso, o recalcitrante, a vítima”… todos eles formatarão esta inusitada narrativa, prenhe de fragmentações, de distorções, de omissões e de ocultações. Pondo em cheque a psiquiatria coeva, à qual dedica um capítulo particularmente interessante, Albert Londres transporta-nos a essa génese da ciência que, em nada, contribuiu para o restabelecimento psicológico de quem dela mais dependia. Ao longo da narrativa, somos surpreendidos por momentos de puro humor que não resisto transcrever:
“Continua no asilo, porque não conseguiria adaptar-se à vida em sociedade. Este médico-chefe não tem consciência daquilo que escreveu. Bastaria uma só manhã, com estes mesmos itens, internar vinte dos meus melhores amigos. E com eles, o referido médico-chefe. É, de facto, surpreendente, que não o tenham feito”.
Muito mais poderia divagar sobre este formidável livro … muitas frases sublinhadas, muitas reflexões sobre a temática proposta, muito aprendizado num quadro social muito específico. Mas como cada um de nós, dentro da nossa natural subjetividade e que comporta leituras diversas, saberá retirar desta narrativa aquilo que melhor irá de encontro às suas expectativas emocionais. Tenho a certeza ter descoberto um autor que quero conhecer melhor!
Plongée glaciale dans ce à quoi se résume la psychiatrie des années 1920 : l’asile. L’excellente thèse de l’auteur à la fin du livre lui donne tout son sens et sauve brillamment un récit jusque-là un peu trop descriptif à mon goût.
J'ai dû lire ce livre pendant ma première année d'études supérieures. C'est un livre où Albert Londres raconte son investigation dans les "asiles de fous". Du point de vue de mes études, ce livre est très intéressant. Il dévoile les véritables conditions de vie dans les asiles au 20ᵉ siècle. C'est une dénonciation, l'auteur pointe du doigt la violence, l'insolence, l'irrespect et l'acharnement qui se passe dans ces lieux, à l'époque "taboux". D'un point de vue un peu plus personnel, j'ai aussi beaucoup aimé le livre. La seule que je pourrais reprocher est le langage parfois assez cru de l'auteur.
Moins exhaustif que "Au bagne", pour un sujet pourtant tout aussi intéressant. Des portraits se succèdent de façon bien plus saccadée, sans vrai fil rouge. Les chapitres finaux, qui portent toute la réflexion de l'auteur au terme de son enquête sont finalement les plus interpellants. N'empêche.... quel grand journaliste !
A book that loses its power if it is dissociated from the environment in which it was created and the biography of its author. The narrative structure adopted is simple, uncompromising, raw, sometimes losing its potential. The book is the result of Albert Londres's courage.
Une enquête assez fascinante, mais qui se révèle aussi glaçante lue un siècle plus tard : si les méthodes ont (un peu) évolué, le regard porté sur la folie n'a lui guère changé.