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Os Números que Venceram os Nomes

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O que é um nome? — A pergunta ressoou por toda a divisão, embateu nas paredes e voltou ao emissor sem obter resposta. Um Nove Um Seis estava sentado na única cama do quarto número onze do hospício. Via as paredes do quarto a girar como se tivessem sido empurradas por uma criança que brinca com um globo terrestre pela primeira vez. Além disso, sentia-se como se estivesse de olhos abertos debaixo de água, estava tudo turvo. Era efeito dos fortes medicamentos. Sentado numa cadeira ao lado da cama, um médico observava-o de testa plissada, enquanto segurava uma folha no colo, onde fazia algumas anotações.

172 pages, Paperback

First published September 1, 2015

124 people want to read

About the author

Samuel Pimenta

10 books23 followers
Samuel Pimenta nasceu a 26 de Fevereiro de 1990, em Alcanhões, Santarém. Com 10 anos começou a escrever em prosa, com 13 em poesia e com 14 aventurou-se no texto dramático. Para além das colaborações que fez em jornais escolares, também viu alguns poemas e textos seus publicados em jornais regionais.
Em Junho de 2007, viu-se classificado em 2.º lugar num concurso de escrita realizado no âmbito da inauguração da Biblioteca Municipal Dr. Hermínio Duarte Paciência, em Alpiarça. Em 2010, foi um dos contemplados com o VI Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus na vertente de poesia, no Brasil. Actualmente, é cronista na revista online "Clique" e estuda na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, integrando o curso de Ciências da Comunicação. Publicou, em Dezembro de 2009, a obra "O Escolhido", pela Planeta Editora, primeiro volume da Trilogia "Heros, O Escolhido", do género Fantástico.
Para além da escrita dedica-se, também, ao Reiki.

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Community Reviews

5 stars
10 (9%)
4 stars
32 (29%)
3 stars
57 (52%)
2 stars
8 (7%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 30 of 38 reviews
Profile Image for Os Livros da Lena.
299 reviews319 followers
July 14, 2025
3,6⭐️

«Somos imensos, mesmo que estejamos em casa, calados, sentados a ler. Mesmo que a nossa função no mundo seja, simplesmente, observar. Vigiar. Em silêncio. Mesmo que jamais encontremos alguém como nós. Sim, como nós, os que resistem. Os loucos e os génios que resistem. Os que se atiram de braços abertos para a frente dos tanques de guerra que devoram a estrada, os que ensinam a pensar, quando todos se esforçam para que se ensine somente a obedecer, os que abraçam as árvores diante da serra eléctrica, os que colocam flores nas espingardas, os que dão tecto, cama e comida aos sem-casa, os que escrevem e falam para repor a verdade, mesmo que saibam que podem morrer se o fizerem, os que salvam os rios e os mares da sede que o dinheiro injecta nos cérebros, os que diante do horror protestam em forma de música e poesia, os que, ainda assim, amam o mundo quando o mundo só lhes dá razões para não amar. Os pilares da Terra. É isso que somos, os que resistem.»
Profile Image for Cat.
1,161 reviews145 followers
May 15, 2016
Num mundo onde não existem nomes e tudo é classificado por um número, encontramos Um Nove Um Seis, um jovem que trabalha num call centre e para quem a vida não é muito mais do que o trabalho e o telemóvel, que lhe permite organizar a vida detalhadamente. No fundo, mais um cidadão anónimo numa sociedade controlada e materialista, da qual os nomes foram eliminados, após a comprovação matemática da existência de Deus. Numa noite, aparentemente igual a tantas outras, Um Nove Um Seis sofre um surto psicótico e é internado num hospital psiquiátrico. É aí que, com a ajuda do colega de quarto, mais velho que ele, Um Nove Um Seis vai aprender mais acerca da realidade da sociedade onde vive, da resistência clandestina que escreve poesia para se opor ao regime, e, bastante importante, acerca de si próprio e do seu passado. Escrito de forma não-linear, com o presente a alternar-se com flashbacks do passado, Samuel Pimenta transporta-nos até um mundo aterrador, numa história empolgante, que se lê num instantinho, e que ainda coloca algumas questões no que diz respeito ao crescente materialismo que se tem observado.

Gostei muito deste livro. Não conhecia o autor e foi uma agradável surpresa.

Como escrevi lá em cima, o livro lê-se bastante depressa; afinal de contas, são menos de duzentas páginas! Sendo uma distopia que me prendeu desde as primeiras páginas, estranho seria se demorasse muito tempo a ler.

A escrita fez-me lembrar Saramago, com os diálogos separador por vírgulas, mas isso não me fez gostar menos da história. Bem pelo contrário.

Enfim, um livro que merece ser lido. Afinal de contas, é uma distopia escrita por um autor português. E com uma história que merece ser conhecida. Só posso recomendar.
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,385 reviews250 followers
September 1, 2016
8 de 10*

Perturbador...
Samuel Pimenta criou uma distopia que perturba, que obriga a pensar no rumo que a nossa sociedade está a tomar e qual o nosso papel na mesma.
Não quero fazer muitas referências à história deste livro porque é preciso lê-lo e senti-lo sem ter expectativas criadas para que nos atinga em pleno.

Comentário completo em:
http://abibliotecadajoao.blogspot.pt/...
Profile Image for Tânia Dias.
166 reviews14 followers
June 21, 2025
Fiquei muito surpreendida pela qualidade da história! Recomendo!
Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews131 followers
December 9, 2015
Existem livros que nos ficam na memória durante muito, muito tempo. Mesmo tendo terminado este livro há umas boas semanas, mantenho aquele burburinho na minha cabeça, como que a actuar em background, alertando-me para os lugares comuns em que posso cair. Penso que é esse o maior poder de Os Números que Venceram os Nomes - o causar um tal impacto que receamos transformar-nos em autómatos seguidores de massas e tendências, dando tudo como certo, aceitando tudo sem questionar, sem nunca levantar a dúvida ou ousar pensar diferente.

É uma obra pequena, que se lê num fôlego e em poucas horas, porém enorme no significado, na (re)descoberta interior das nossas motivações e convicções. O mundo distópico que nos é apresentado arrepia, revolve as entranhas e assusta por não ser tão difícil assim imaginar um futuro onde estamos despersonalizados, onde não passamos de marionetas. Imaginam um mundo onde a poesia, a música, a arte em geral não significa nada? O mais alarmante é o quão redutora se torna a existência, a experiência humana enquanto ser vivo. Um Quatro Um Seis, o protagonista desta obra, é quem nos dá a mão no romper entre o sonho e a loucura, a dúvida e a determinação, o bater com o pé contra tudo aquilo que nos é imposto e induzido. A escrita do Samuel, mesmo em prosa, consegue ser poética, bela e aterradora ao mesmo tempo. Em tão tenra idade, já tanta maturidade.

Confesso que me causa algum espanto não ouvir falar mais sobre este livro do que tenho ouvido. Talvez por isso esta opinião também chegue umas boas semanas mais tarde do que o término na leitura, que foi aquando da sua publicação, em Setembro. É necessário manter estas obras vivas, o nome na memória e nos olhos das pessoas. Conheço o Samuel Pimenta quase há tanto tempo como o que tenho o blogue, já lá vão pelo menos cinco anos, e conheço poucas pessoas tão conscientes e sensíveis às fragilidades do ser humano. Em harmonia, é também das pessoas mais corajosas e lutadoras. Este livro reflecte muito da sua personalidade, da sua ousadia e da não conformação com a estagnação. Está mais do que recomendado. Que escreva muito mais obras, é o que posso desejar!
Profile Image for Magda Pais.
Author 4 books81 followers
November 4, 2015
Um Nove Um Seis vive numa sociedade em que os nomes foram abolidos. Não há nomes (O que é um nome?). Países, livros, animais, pessoas, cidades.. tudo tem um número e nada tem um nome. Um número atribuído à nascença - Um Nove Um Seis - e que acompanha a pessoa até à morte.
Impuseram-se os números dos cartões, os números das casas, os números dos processos, os números das contas bancária, os números das cidades, os números das estradas, os números das estatísticas, os números que, afinal de contas, eram pessoas.
Um dia Um Nove Um Seis tem uma crise. E é internado no hospício onde a pergunta o persegue:
O que é um nome?
No hospício conhece Um Quatro Um Seis, o doente mais antigo, internado há doze anos e que o vai ajudar, sem ajudar, a encontrar a resposta.
Números que venceram os nomes... Podia ser no futuro, onde o livro se passa, mas pode ser agora: o seu número de contribuinte por favor? o seu número de cliente? sabe o seu número de cartão de cidadão? Números que vencem, no dia de hoje, os nomes. Deixamos de ser a Magda ou a Maria, o Miguel ou o Manuel e passamos a ser o número de contribuinte, o do cartão de cidadão ou outro número qualquer. E foi isto que me assustou neste livro - falta pouco para acordar um dia e não termos nomes, termos e sermos apenas mais um número. Previsão futurista ou um alerta para a desumanização da sociedade?
Números... numa sociedade em que os números substituem os nomes a identidade perde-se. Será esse o nosso futuro? perderemos a nossa identidade?
Confesso que me soube a pouco. 171 páginas souberam a muito pouco. Quando dei por mim, mal o tinha começado já estava a acabar. Não há surpresas, reviravoltas nem suspense. Há reflexão. Muita. A reflexão que todos teremos de fazer.
Leiam, não se vão arrepender.
Profile Image for Rita.
163 reviews
January 12, 2016
Não sei bem o que pensar acerca deste livro, fiquei aterrorizada com o mundo distópico que o autor criou.
A escrita é simples, ainda que um tanto ou quanto poética, bastante fluida e diferencia-se da habitual pois Samuel Pimenta não utiliza pontos de interrogação, pontos de exclamação, qualquer pontuação associada ao discurso directo, utiliza sim (e com bastante frequência, graças a Deus) vírgulas e pontos de final. Ao início parece um pouco estranho mas rapidamente nos ambientamos a esta escrita (principalmente quem já leu Saramago) .

Gostei muito do tema do livro mas penso que faltou alguma complexidade à história, ainda que seja um tema bastante original a história pareceu-me muito simples e evolui demasiado depressa, talvez por isso não consiga atribuir maior pontuação.

Opinião completa aqui:
http://clarocomoaagua.blogs.sapo.pt/o...
Profile Image for Fernanda.
39 reviews
February 2, 2017
A espaços a prosa poética suaviza a temática orwelliana de “Os Números que Venceram os Nomes”. A beleza da escrita de Samuel Pimenta não nos esconde, contudo, o paralelismo com o que podemos encontrar, já hoje… números que se vão sobrepondo aos nomes. Tantas vezes dizemos e ouvimos dizer que actualmente as pessoas são números, já não são pessoas…

Continuar a ler aqui:
https://rodadoslivros.wordpress.com/2...
Profile Image for Vera.
37 reviews21 followers
January 24, 2016
Num futuro distante, comprovada matematicamente a existência de Deus, os homens são obrigados a trocar os seus nomes por números. Ergue-se uma ditadura global, em que todos são controlados e descaracterizados, uma sociedade de uma única religião, em que os algarismos definem tudo - pessoas, países, ruas, animais -, em detrimento da essência de cada um.

A descrição chamou-me bastante à atenção, mas o que me fez ler foi o "Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa" e este é, assim, um dos primeiros livros em Português que leio desde a imposição do AO. Foi muito fácil e rápido de ler, a escrita é simples mas muito inteligente, com um estilo que lembra Saramago (mas melhor e mais fácil de compreender, na minha opinião)!
Profile Image for Azulmar.
56 reviews22 followers
June 27, 2016
"The future depends on what you do today" Mahatma Gandhi. Esta foi a primeira frase que apareceu no meu Pinterest hoje. E acho que este livro tem muito a ver com esta frase. Um livro pequeno, que descobri através da Magda e que gostaria que fosse mais divulgado, pois dá-me a sensação que passou despercebido pelas livrarias e é pena porque merece ser lido por toda a gente.
Profile Image for Isabel Fontes.
340 reviews6 followers
May 22, 2025

I had been eyeing this book for a while — not only because of the dystopian theme, which always grabs my attention, but also because I know Samuel from Tertúlias and I'm aware of how wonderful his poetry is. My expectations were high; luckily, Os Números que Venceram os Nomes does not disappoint.

It's a short book, with larger print, perfect for reading in one go. But don't be fooled by its size: the story stays with you long after you've closed the book. Samuel's writing is simply magnificent, and the originality of the plot creates such an engaging pace that you barely notice how quickly you're reading.

The narrative follows Um Nove Um Seis, a man admitted to a psychiatric hospital, trying to "cure" himself of something that happened to him — something society views as harmful. What makes the reading so fascinating is how the line between dream and madness blurs. Thanks to the author's exceptional style, I often found myself lost in the protagonist's memories and delusions, which reminded me somewhat of Saramago — no exclamation or question marks. The sentences flow one after the other, with characters' speech and thoughts woven together in a continuous stream that fully draws you in.

Amid the chaos of the asylum, Um Nove Um Seis meets Um Quatro Um Seis, his roommate and a member of the Resistance, who helps him find himself.

I absolutely loved reading this book!
I especially recommend it to fans of dystopian fiction — and even better, written by a Portuguese author! — but also to anyone looking for stories that, beyond entertaining, make us think more deeply about the society we live in.


*************************

Andava de olho neste livro há algum tempo — não só pelo tema distópico, que sempre me chama a atenção, mas também porque conheço o Samuel das Tertúlias e sei o quanto a sua poesia é maravilhosa. As expectativas eram altas, e felizmente Os Números que Venceram os Nomes não desilude.

É um livro curto, com letra maior, perfeito para ler de uma só vez. Mas não se deixem enganar pelo tamanho: a história fica connosco mesmo depois de fecharmos o livro. A escrita do Samuel é simplesmente magnífica, e a originalidade do enredo cria um ritmo tão envolvente que mal damos por ele.

A narrativa acompanha Um Nove Um Seis, um homem internado num hospital psiquiátrico, a tentar “curar-se” de algo que lhe aconteceu — algo que a sociedade considera prejudicial. O que torna a leitura tão fascinante é a forma como a linha entre sonho e loucura se desfoca. Muitas vezes senti-me perdido nas memórias e delírios do protagonista, graças à escrita singular e especial do autor, que me fez lembrar um pouco Saramago — nada de exclamações ou interrogações. As frases fluem umas atrás das outras, com falas e pensamentos das personagens entrelaçados numa corrente contínua que nos envolve completamente.

No meio do caos do asilo, Um Nove Um Seis conhece Um Quatro Um Seis, seu colega de quarto e membro da Resistência, que o ajudará a encontrar-se a si mesmo.

Adorei ler este livro!
Recomendo especialmente a quem gosta de distopias — e ainda por cima escritas por um autor português! — mas também a quem procura histórias que, para além de entreter, nos fazem pensar mais profundamente sobre a sociedade onde vivemos.

Profile Image for Susana Pacheco.
34 reviews24 followers
December 1, 2019
Sobre identidade, a verdade da poesia e de Deus (que também é poesia!). Sobre o facto de sermos seres únicos e integrantes de um universo infinito, mas que muitos parecem ter esquecido com o passar dos anos e com as rotinas circulares de cada dia... "Os Números que Venceram os Nomes" dá-nos muito que pensar sobre a sociedade em que vivemos, na qual tantas vezes não passamos de dígitos e as verdadeiras questões humanas e fundamentais se esfumam com sob o mote do capitalismo.
Uma espécie de distopia onde os nomes são proibidos, as identidades controladas e censuradas, tal como a verdade, os poemas e os gatos. Um mundo assustador mas nem por isso longe da realidade atual.
Belíssima escrita do Samuel Pimenta.
Magnífica esta leitura!
Profile Image for Márcia Filipa.
Author 2 books14 followers
August 5, 2020
Este livro tinha imenso potencial.
Uma distopia onde a poesia é proibida; não existem palavras, apenas números; e a existência de Deus é comprovada através de uma equação.
Infelizmente, todo o livro ficou um pouco aquém. O potencial era de tal forma imenso, assim como as expetativas, mas o livro não correspondeu. Creio que esta falta de "correspondência" deveu-se apenas ao livro ser pequeno e, como tal, a história não foi desenvolvida o suficiente para alcançar todo o seu potencial. Contudo, continua a ser uma história bastante interessante.
Profile Image for David Pimenta.
374 reviews19 followers
October 21, 2017
“Os Números Que Venceram Os Nomes” foi, se não me engano, o primeiro livro publicado pelo Samuel Pimenta pela Marcador. Conhecemos o protagonista, Um Nove Um Seis, internado num hospício e com flashbacks do passado, relembrando o que ficou para trás numa sociedade controlada por fanáticos religiosos. A prova científica da existência de Deus, através de uma fórmula matemática, leva a que a sociedade deste livro viva sob um controlo extremo: os nomes deixaram de existir e é através de um número que as pessoas são identificadas, de forma a não existir força para qualquer tipo de revolta popular.

Um Nove Um Seis vive alheado da realidade à sua volta: quer, simplesmente, manter o seu emprego no call center, continuar a viver na grande cidade – Lisboa claro, como uma grande parte dos jovens desejam viver na capital, de forma a ter uma maior oferta de escolhas a nível profissional – e pagar as contas mensais. Não dá qualquer tipo de oportunidade ao amor, em conhecer alguém que lhe arrebata o coração, e não tem quase nenhuma amizade. No meio de tantas pessoas, a solidão entranha-se no dia-a-dia deste rapaz até ao momento em que começa a alucinar. Um homem, com um aspeto idêntico ao seu, aparece-lhe aos poucos: facto que o leva a ser internado.

Vamos ao que interessa: este “Os Números Que Venceram os Nomes” não me impressionou. Trata-se de uma distopia que podia ser melhor se alguns pontos do livro tivessem sido mais desenvolvidos. Como surgiu a fórmula matemática de Deus? Porquê uma fórmula matemática e não aparições? Como era a sociedade em que vivia este protagonista? Torna-se um livro superficial, em que o leitor só tem acesso a várias camadas e isso acabou por me desiludir. Daí as três estrelas que atribuo. Trata-se de um livro leve, a certo ponto e depende muito dos hábitos de leitura de quem lhe pega: distopias há por aí muitas e muito mais desenvolvidas. Mas este não deixa de ser uma obra “quase de estreia” interessante.

3/5
Profile Image for Ivan.
111 reviews
July 6, 2025
Eis uma premissa distópica que podia, a meu ver, ter dado pano para mangas para se tornar numa aventura cheia de ação e de conflito político. Mas creio que a intenção do autor tenha sido mais introspetiva na forma de contar esta história. Uma reflexão sobre a sociedade e o indivíduo, cujo foco está na luta pela liberdade interior contra a repressão do ser. Contém algumas menções literárias clássicas e bíblicas, assim como os nomes das personagens principais, que acabam por confundir um pouco o leitor, dada a sua semelhança. E para quem tem alguma noção de numerologia, não foi difícil decifrar tais nomes, o que me deixou satisfeito. De qualquer das formas, é uma história cheia de potencial que, na minha opinião, não atingiu o seu expoente máximo, pela sua brevidade.
Profile Image for Bruno.
Author 3 books6 followers
December 31, 2015
Um livro que nos deixa embrenhar por completo na história já que, apesar de ser ficcional, não permite que a realidade fuja muito das linhas gerais do desenrolar da trama. Permite que nos façamos pensar nas acções do nosso quotidiano e ao quanto somos realmente nós, enquanto seres pensantes, que comandamos as nossas próprias acções, decisões... E se pensarmos fora da caixa? Dos melhores livros de 2015, sem dúvida!
Profile Image for Catarina PBatista.
176 reviews7 followers
November 19, 2018
Amazing book and super fast to read~ Distopian novels are my go to these days and I am so so Happy to have requested this one, because it proves that portuguese writers can also step their game to the international distopian competition ~ Wish they made a movie out of this!
Profile Image for Joana.
132 reviews24 followers
October 7, 2015
4.25 of 5 stars

Este livro possui uma feliz semelhança com "A máquina de fazer espanhóis" de Valter Hugo Mãe.
Profile Image for André José.
100 reviews1 follower
May 15, 2024
Este livro chega até mim por intermédio de uma daquelas promoções que nos fazem açambarcar tantos livros quanto os australianos açambarcaram papel higiénico em tempos de COVID. Pelo meio do grande lote de aquisições surgiu um título de Samuel Pimenta - autor nacional - "Os Números que Venceram os Nomes". O título é imensamente apelativo no sentido em que me abriu o apetite e me o fez priorizar entre todos os outros que adquiri. Fecho-o com o sentimento de incompletude.

Iniciemos pelos pontos que me prenderam ao livro: o facto de se tratar de uma distopia, que desde logo obriga a criatividade acrescida e, neste caso, até provida de coragem - pelos assuntos abordados que vão desde a religião até à psicologia e à própria psiquiatria, sem que para isso se entrem em grandes detalhes;

Aterramos num ambiente futurista em que a fórmula de Deus é descoberta e, através da mesma, uma religião surge e toda a sociedade é dominada pela mesma. Perde-se individualidade e propriocepção. Senti, em certos momentos, que o personagem principal mais não era do que uma figura regrada, robótica, sem instinto... que simplesmente vive aprisionada a uma realidade que sempre desconhecera um ambiente diferente. Creio que esta era a intenção do autor.

Nesta sociedade os nomes desaparecem e todos passam a ser designados por números - não apenas as pessoas, mas os locais, os serviços, as ruas. Quem, por alguma razão, ouse distorcer esta realidade é levado para um internamento e as suas ideias são apagadas.

Acompanhamos o internamento deste personagem principal que conhece Adão - seu companheiro de quarto. Através de visitas do seu "eu-futuro" ao quarto onde está internado e com a ajuda deste companheiro, Arão reconhecer-se-á com este nome e, com isso, tomará decisões que afetam o seu futuro.

O que não gostei:
1. A rapidez com que ocorre a história. O assunto é complexo mas tão pouco explorado que fica a ideia de que o rascunho não ganhara a massa necessária;

2. A contextualização deste internamento - senti dificuldade em perceber a transgressão do indivíduo desde o seu contexto laboral, na empresa de comunicações, até ao hospital psiquiátrico.

3. Por que razão foi sacrificado um animal inocente para que Arão pudesse aceder aos dados do hospital, se era do conhecimento do seu colega de quarto que uma das enfermeiras pertencia à resistência? Porque não lhe pediu simplesmente ajuda?

4. O que fez Arão após a sua alta hospitalar que motivou o desfecho da história?


Em suma: assunto interessante, ideia extraordinária, escrita rebuscada mas simples, com falta de densidade!

2,5 a tender para o 2.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Célia Gil.
875 reviews39 followers
February 4, 2021
Os Números que Venceram os Nomes é um romance de Samuel Pimenta, que ganhou o Prémio Jovens Criadores – Literatura. Não é de todo fácil classificar este livro, é uma distopia que, ao mesmo tempo, é também uma parábola. Um livro que perturba, mas que alerta, ao mesmo tempo para a desumanização que está a dominar a nossa sociedade.
A ação decorre num futuro indeterminado, num momento em que, comprovada matematicamente a existência de Deus (e de uma única religião) por meio de uma fórmula matemática, os homens veem-se obrigados a trocar os seus nomes por números. É-lhes feita uma lavagem cerebral e, caso alguém se questione ou vivencie uma situação que ponha em risco esta nova sociedade, é internado em hospícios, onde continua a lavagem cerebral, com medicação que não lhes permite lembrarem-se que não são mais do que um número. Tudo passa a ser regido por números – pessoas, países, ruas, animais…. Como se de máquinas se tratasse e não de pessoas, já que estas deixam de ter identidade, passando a ser um número de um sistema de dados.
Um Nove Um Seis é um rapaz que vive sozinho e trabalha num call center. Certa noite, cruza-se com um gato na rua e começa a ter visões de acontecimentos passados, com esse gato. É internado num hospício. Partilha o quarto com um velho inconformado, que o alerta para a necessidade de não tomar os comprimidos que lhe dão, que é isso que o novo regime quer, anular todos os seres e formatá-los. É, ao seguir os conselhos do velho, que Um Nove Um Seis tenta descobrir quem é, o que é um nome e qual a sua função.
É um livro pequeno, mas não tinha de ser maior para cumprir o seu objetivo.
Gostei muito da forma como Samuel escreve, direta e atenta. Ler este livro é como respirar de um só fôlego!
Recomendo!
Profile Image for Nights *Words à la Carte*.
71 reviews34 followers
February 8, 2023
O que é um nome?

Esta pergunta poderia ser inocente e, até, quase despropositada dada a sua simplicidade. Mas será assim mesmo? Num mundo em que os nomes foram abolidos face aos números, esses caracteres que provaram a existência de deus e, por isso, se tornaram na expressão de toda e qualquer identidade, esta questão ganha uma nova dimensão.

Com a substituição dos nomes pelos números que, na nossa vida, concorrem para explicar o mundo, desaparecem as pessoas, os países, os rios, os animais, as ruas, e tudo o que possa ser quantificável. A identidade dos povos e da individualidade de cada um não mais existem. Somos estatísticas ou uma mera lista de mercearia. O uso das palavras, e dos significados que lhes estão associados desaparecem com o sentido de humanidade, transformado em mais um autómato da engrenagem que consome a todos.

Um Nove Um Seis, a nossa personagem principal, é, por isso, mais uma existência que se arrasta neste mundo cinzento, sem palavras, sem estrelas, sem poesia. Um mundo em que todas as suas acções são condicionadas para que seja sempre produtivo e nunca ocioso. Um mundo em que não há espaço ao pensamento crítico ou o livre arbítrio. Um mundo assustadoramente possível e próximo, se não estivermos atentos.

Mas, para Um Nove Um Seis, assim como para todos que não esquecerem o que é sonhar e olhar as estrelas, sentir a Humanidade num poema ou na ligação com outra criatura deste mundo, humana ou animal, é possível fugir dessa prisão que impede as pessoas simplesmente... serem. Talvez deixem de ser consumidas pelas engrenagens onde se vêm acorrentadas e as palavras voltem a ter os seus significados. E, assim, retornem as ruas, os animais, os rios, os países e... as pessoas.
Profile Image for Tony Almeida.
165 reviews5 followers
July 30, 2024
Até ler este “Os números que venceram os nomes”, eu ainda não tinha lido qualquer obra de Samuel Pimenta, e reconheço que foi uma agradável surpresa. Com alguma imaginação, Samuel Pimenta cria um universo distópico em que a ciência estabelece uma fórmula matemática que comprova a existência de Deus. Deus passa estão a ser identificado por uma expressão numérica e, em consequência, questiona-se a necessidade dos nomes uma vez que estes são “terreno instável, flexível, mutável,” ao contrário dos números que são “rígidos, estáticos, definidores por natureza.” Assim, a sociedade avança para uma abolição do udo de nomes e, com os números “sintetizar as identidades”.

No entanto, esta abordagem imposta pelos governos e autoridades, desumaniza a sociedade. Não são apenas os nomes que são abolidos, mas também toda e qualquer expressão de criatividade, qualquer expressão cultural. Os sentimentos são reprimidos. Coisas como cuidar de uma animal, escrever poesia, ou mesmo contemplar as estrelas podem ser sinais de problemas que as autoridades têm de controlar.

É aqui que entra Um Nove Um Seis, quem vê a sua vida virada de pernas para o ar quando tem o que é descrito como um surto psicótico, e por isso levado para um sanatório. Aí, ele conhece Um Quatro Um Seis, uma pessoa já com alguma idade. Sem desvendar muito mais da narrativa, iremos ver como a relação entre Um Nove Um Seis e Um Quatro Um Seis leva à percepção do primeiro do que a sociedade realmente aprisiona cada ser que a integra,

Livro curto, de leitura rápida, com um estilo que faz lembrar o estilo de José Saramago, com longos parágrafos, em que os diálogos são separados por vírgulas, sendo que, por vezes, a pontuação também cai, foi, como disse, uma agradável surpresa. A construção da personagem principal, Um Nove Um Seis, e como está evolui à medida que vai descobrindo o seu verdadeiro sentido face às verdades que vai enfrentando, faz-nos pensar como todos nós, nesta vida, por vezes deixamos levar-nos apenas pelos números.

Na minha opinião, recomendo a sua leitura.
Profile Image for Andreia Morais.
452 reviews33 followers
Read
July 9, 2023
TW: Cenas Explícitas, Saúde Mental, Referência a Suicídio

A pergunta repete-se em surdina e, pouco a pouco, a identidade individual é completamente descaracterizada, porque se ergue uma ditadura global. Assim, nesta sociedade controlada pelo governo, as memórias perdem força e os nomes são substituídos por números. Enquanto os primeiros criam desordem, pela sua pluralidade, os segundos fomentam um estilo organizado, que não concede espaço para interpretações abstratas. É que «os nomes obrigam a questionar», mas os números «definem».

A premissa é intrigante e envolve-nos de imediato. Aliás, a escrita do autor é bastante fluída, levando-nos a transitar entre o presente e imagens de um passado distante, vago. Ainda assim, precisava de mais: precisava de saber mais sobre a fórmula matemática que comprova a existência de Deus, precisava de saber mais sobre os efeitos destas mudanças na sociedade, precisava de compreender a origem de certas decisões e, também, precisava de mais detalhes acerca desse mundo novo, das fronteiras que se ultrapassam para lá chegar.

Não obstante, é uma obra com bastante potencial
Profile Image for Andreia Moita.
328 reviews11 followers
Read
December 30, 2025
Uma distopia óptima e uma crítica social certeira.
Com uma linguagem lindíssima (guardei várias passagens, mas tenho que confessar que não me habitei ao formato dos diálogos - preciso de umas aspas ou de um travessão - e aqui não há) este livro fala de uma sociedade que se organiza por números já que os nomes nos individualizam e dão o poder de sermos alguém. Esta sociedade é totalmente dominada pelo estado porque quando menos livres e pensantes formos melhor! Estão a ver?

Aborda várias temáticas interessantes e atuais de forma simples o que o torna fácil de ler. Identifiquei me com o personagem principal pois também já trabalhei num call center.

E depois há toda uma surpresa no final. Não estava à espera do rumo que a história levou e gostei muito. Fez muito sentido. Li-o num dia e adorei o universo. Mesmo parecendo curto está lá tudo e é suficiente.
Profile Image for VLL.
27 reviews8 followers
May 14, 2025
Fui à estante buscar este, que aguardava entre tantos outros, porque tinha o tamanho perfeito para um fim-de-semana prolongado... Acabou por esticar e apanhou um apagão pelo meio!
Tinha a expectativa muito muito lá em cima e nos primeiros capítulos percebi que teria de a mudar... Estava convencida que era sobretudo uma utopia, mas para mim foi mais uma grande reflexão filosófica sobre a vida que levamos, a nossa identidade, a sociedade que temos e a sociedade que queremos construir. Giro e inquietante (eu é que queria outra coisa).
2 reviews
September 4, 2025
The story is intriguing and the theme is interesting, but the plot development is a little underwhelming. And the ending feels undeveloped and like it came out of nowhere.
The books has huge build up to the moment where the main character rebels and leads some kind of revolution for change, but that moment is never described.
It’s a decent book, but it feels like it was made in a rush and some details and developments were left hanging.
Displaying 1 - 30 of 38 reviews

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