Meu segundo livro de Joseph Finder mostra que o autor parece não gostar de sair da sua zona de conforto, abordando conspirações e espionagem no mundo corporativo. Em “Instinto Assassino”, Jason Steadman é um executivo de vendas que resolve tomar um atalho pro sucesso contando com a ajuda nada ética de seu novo amigo, Kurt Semko, um ex-militar das Forças Especiais. Deixando de lado as caretas marcantes do Jim Carrey, o roteiro lembra muito o do filme “The Cable Guy": um prestador de serviço solícito, que confunde atenção com amizade e desenvolve uma relação doentia e obsessiva.
A ascensão meteórica na carreira de Jason coincide com uma estranha maré de azar de seus concorrentes, e é quando ele se dá conta (meio tarde demais) que a situação saiu do controle, que seu novo amigo é um maluco de marca maior. Nada de inovador nisso, né? Num roteiro previsível e batido, mas muito bem conduzido, Jason e Kurt desenvolvem uma guerra psicológica que termina num embate na sede da empresa, lembrando os momentos finais de outro filme, “Colateral”.
Reli a minha resenha de “Paranoia” de junho/2019 e é impressionante como a avaliação também valeria para este livro. A narrativa de Joseph Finder cai como uma luva pro meu gosto pessoal, e mesmo sem criar estórias criativas nem investir em finais surpreendentes, ele consegue prender sua atenção e proporcionar uma leitura muito agradável. É também pra isso que vamos atrás de um livro, certo? Entretanto, desta vez, não vou repetir minha avaliação anterior de 5 estrelas por sentir que Kurt foi um pouco negligenciado; nas mãos de um Stephen King, a chantagem e esse thriller psicológico ganhariam contornos muito mais tensos e interessantes.