Com A Demanda do Visionário chegamos ao fim desta série de livros e conhecemos finalmente o destino do nosso amigo Fitz e dos Seis Ducados, depois de tantas provações que tiveram de atravessar. Este volume pega na história precisamente onde A Vingança do Assassino terminou (até porque no original consiste apenas num volume) e logo de início proporciona ao leitor o reencontro com uma das personagens mais interessantes da Saga, cujo destino desconhecíamos: o Bobo. Revemos igualmente Kettricken, e é na companhia destes dois velhos amigos, e outros que encontrou na sua demanda, que Fitz irá continuar a procurar Veracidade, que tenta encontrar a ajuda dos Antigos para acabar com a ameaça dos Navios Vermelhos e com flagelo das forjas.
Neste volume, Robin Hobb apresenta o bom nível a que já nos habituou. Excelentes diálogos, personagens com as quais o leitor consegue identificar-se plenamente, aquele quê de factos por revelar que tornam a história ainda mais interessante, e um ritmo por vezes quase demasiado lento mas que é bem ultrapassado pelo interesse com que explora as suas personagens e respectivos dilemas. Quanto ao enredo, e numa perspectiva meramente pessoal, não fiquei grande fã da resolução que a autora apresentou para afastar a ameaça dos Navios Vermelhos e acho que a explicação do modo como se criavam os forjados e o objectivo com que era feito foi, de certo modo, insuficiente. O final é algo apressado, mas, a bem dizer, esta saga teve sempre o seu principal foco nas personagens e no seu caminho de aprendizagem, portanto foi nisso que a autora focou, e bem, os seus esforços. Robin Hobb é cruel com as suas personagens, no sentido em que não as coloca no caminho mais fácil nem lhes dá o final feliz que à partida se poderia esperar. Acho que a grande mais-valia desta autora é a forma como ela joga com os sentimentos das suas personagens e, ao mesmo tempo, com os do leitor.
Se tivesse de escolher uma palavra que definisse o final deste livro, diria agridoce. Não temos um final feliz para Fitz, mas parece estranhamente adequado. É um daqueles livros que entra de tal forma na mente do leitor que mesmo depois de virarmos a última página, é difícil abandonar a história, esquecê-la e muito menos pegar noutro livro tão cedo. Fico com muita curiosidade por ler a trilogia The Tawny Man, que acompanha Fitz e outras personagens conhecidas alguns anos depois, e que a Saída de Emergência já anunciou ir publicar no futuro (ainda não são conhecidas datas).
Ficam ainda os meus parabéns ao Orlando Moreira, que traduziu o 1.º volume, e ao Jorge Candeias, que traduziu os restantes, pelo excelente trabalho, pois é fácil perceber que a fantástica “voz” da autora nunca se perdeu.