Neste livro, o autor mostra inicialmente a articulação de certos fatores dos séculos XVIII e XIX que constituíram a precondição para o surgimento da psicanálise. Comenta em seguida os dois livros de Freud que se tornaram os pilares da teoria psicanalítica: A interpretação do sonho e Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Além disso, outros conceitos, desenvolvidos por Freud em obras posteriores, como pulsão e recalcamento, são também estudados em profundidade.
A "descoberta" do inconsciente por Freud propôs não "a questão do sujeito da verdade mas a questão da verdade do sujeito." Para exemplificar esse fato, o autor faz uma construção histórica e teórica quanto a evolução da teoria psicanalítica. O viés histórico (mais presente na primeira metade do livro) foi o que mais me chamou a atenção, pois gosto de conhecer o percurso dos fatos em torno da psicanálise; no entanto, o viés teórico foi fundamental: conseguiu esclarecer questões por vezes complicadas de entender na teoria. Só não creio que este livro seja recomendado para a introdução à psicanálise (como vi algumas recomendações em diferentes mídias). A segunda metade pode ser difícil para alguém totalmente leigo. Por outro lado, no caso de já se ter algum percurso na psicanálise, esse livro é um ótimo norteador.
A primeira parte muito focada em filosofia me deixou um pouco perdido, mas de resto gostei bastante. Ele se propõe a fazer um passada geral pela teoria de Freud e dar uma breve ilustrada sobre Lacan, então achei bem útil para quem quer um contexto completo ou para uma inicialização na psicanálise, sem abrir mão da profundidade. Deu pra ver que claramente várias disciplinas do início da minha faculdade reproduziram discussões desse livro, o que não deixa de ser um bom sinal.
A leitura de Freud e o Inconsciente vale tanto para quem está começando a estudar psicanálise como pra quem quer relembrar conceitos.
O autor aborda muito bem o começo da teoria contextualizando a história do movimento psicanalítico e as experiências de Freud na clínica. Foca, principalmente na primeira tópica e definições realizadas por Freud até 1923, trazendo pontos principais de textos importantes como "A interpretação dos sonhos" e "Três ensaios sobre a sexualidade infantil".
Garcia-Roza também procura elucidar questões significativas como a tradução do termo Pulsão (que gera controversas até hoje), a influência da edição Standard (em inglês) nos textos traduzidos para o português, e também confusões entre conceitos aparentemente idênticos como repressão e recalque, e ideal do ego e ego ideal.
O autor utiliza contribuições de autores como Laplanche e Pontalis e Lacan, este último ganhando bastante espaço nos últimos dois capítulos. Se por um lado é interessante conhecer conceitos lacanianos, por outro pode mais confundir do que ajudar o leitor iniciante de psicanálise que pretende manter seu foco apenas na teoria freudiana.