Neste breve e denso livro o professor José Paulo Netto traça um panorama da construção do Método de Marx recuperando o contexto em que viveu e as referências teóricas nas quais Marx se baseou para edificar seu Método; além disso, ele delineia os aspectos gerais da formulação teórica de Marx, sem incorrer em uma leitura dogmática ou manualesca. Este livro traz elementos para se compreender o pensamento de Marx, tendo em conta que ele 'nunca foi um obediente servidor da ordem burguesa: foi um pensador que colocou, na sua vida e na sua obra, a pesquisa da verdade a serviço dos trabalhadores e da revolução socialista.
José Paulo Netto (Juiz de Fora, 29 de novembro de 1947) é um escritor e professor universitário brasileiro, conhecido sobretudo pela recepção e divulgação de György Lukács no Brasil, e posteriormente por seus estudos da obra de Karl Marx.[1]
Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutor honoris causa pela Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires,[2] é graduado e doutor em Serviço Social.[3]
Militante do Partido Comunista Brasileiro, Netto é atualmente um dos principais pesquisadores das obras de Karl Marx no Brasil[4][5] e também responsável por traduções de textos de autores clássicos como Friedrich Engels e Lenin.[6][7]
O livro é importantíssimo para aqueles que desejam entender o método de Marx, de uma maneira simples, clara, mas que ao mesmo tempo não comete o pecado de simplificar demais o pensamento do pai do materialismo histórico dialético. Debate pontos cruciais da teoria marxiana e marxista, sendo um ótimo ponto de partida para qualquer um que deseja adentrar nos debates dentro da vasta obra de Marx e daqueles que o sucederam.
Falar sobre método de Marx é tão complicado quanto falar sobre qualquer conceito filosófico em geral. Confesso que não absorvi muita coisa, mas bom, o mínimo de conhecimento que ficar comigo após a leitura já é melhor que nenhum conhecimento. Lendo as primeiras vinte páginas, só consegui pensar sobre a filosofia em geral (que é de onde Marx parte para fazer posteriormente a sua crítica da economia política) pode ser muito bem representada pela água. Não tem cheiro, não tem sabor, é volátil, maleavel e essencial à vida. Me parece que filosofia não é algo concreto, palpável e direto como uma fórmula matemática, mas algo que se interpreta e está na cabeça de cada pessoa que pensa sobre ela. É como se a filosofia fosse palpável como a água, mas se pode pegá-la na mão, se não ela se esvai; quando alguém a contém num recipiente, ela toma a forma e a cor do recipiente, mesmo que ainda contendo suas propriedades inerentes: e quando a congelamos, é o mesmo material, mas num estado diferente -pode-se obter uma explicação fixa de algum conceito filosófico-, desprovido de uma qualidade crucial, o fluxo, o movimento.Pra mim, entender o método de marx é como entender a filosofia em geral, a análise não deve ser baseada no fluxo, considerando as propriedades do objeto. Mas da maioria das leituras, o que realmente permanece a cada vez mais se solidifica é a compreensão da concepção de que a história da humanidade é a história da luta de classes, que o trabalho é o motor da história. Se pararmos para pensar do que realmente é feita a vida das pessoas, o que efetivamente influencia a condição de cada uma delas, percebe-se que na última instância somos governados pelas condições materiais, que tudo é resultado do emprego de força de trabalho sobre uma matéria prima, todo objeto que nos cerca foi feito por alguém em algum lugar. no entendimento de Marx, todas as relações sociais se derivam das relações do trabalho, porque essa é última instância. Na exposição esmiuçada de José Paulo Netto das concepções de Marx sobre a sociedade, há de se perceber o que a esquerda vê no tecido social que a direita não vê: o movimento da própria sociedade, como as condições são herdadas durante a história. A condição de uma pessoa não se dá do nada, nem se baseia exclusivamente na vontade, nas ideias. A condição individual de uma pessoa provém de um movimento histórico, ela é herdada e diz respeito às condições materiais desse indivíduo. Essa compreensão se aplica, por exemplo, às cotas. Imersos em frases vazias como “não fui eu que te escravizei”, “o que no passado já foi”, “não existe mais escravidão”, a direita se perde em anacronismos e não compreende o movimento da história, que as cotas são uma política de reparação para algo concreto, que ecoa na sociedade atual, e que diz respeito às condições materiais dos negros escravizados que foram simplesmente soltos um dia, sem terras, sem falar a língua nativa, sem família, sem nada de valor, só com a sua força de trabalho. Ao analisar o método, não é possível chegar a uma fórmula concreta por um fato muito simples, o objeto de estudo não é estático e imóvel, como a física quântica, onde quando se afere a partícula, ela se torna estática, mas em essência não é. As partículas sub atômicas são estudas no campo da probabilidade. A teoria de Marx não é exatamente assim, mas tem em si essa prevalência pelo movimento, pela probabilidade, por fatores que não são mensuráveis de forma simples; e também pelo fato de cada sociedade ser relativa. Cada uma delas tem seus costumes, suas formas de produção, não sendo possível avaliar uma com base em outra. É aí que entra o método, que seria mais como um método investigativo para extrair os valores de cada uma delas, em tempos diferentes, pois elas nunca param de mudar e interagir.
o josé paulo netto assim: porra mona quer método? então vá pensar!
agora uma review séria: adentrar o mundo da pesquisa científica nas ciências sociais aplicadas geralmente envolve achar que a pesquisa é dura e inflexível em função da metodologia. uma coisa que o livro desenvolve muito bem e que tem que ser constantemente relembrado por quem pesquisa é uma das minhas citações favoritas desta obra: é a estrutura e a dinâmica do objeto que comandam os procedimentos do pesquisador.
a metodologia tem que potencializar o objeto e nos auxiliar a responder nossas questões de pesquisa da melhor forma possível, e não nos limitar.
Zé Paulo é incrível sempre. Mesmo numa simples introdução sua capacidade de síntese de um método complexo conseguem se absorver informações do pensamento marxiano que antes ainda eram nebulosas. Obrigatório a todo estudante eterno de Marx.
Excelente livro para compreender inicialmente o método em Marx. Na medida em que você se aprofunda em outras leituras sobre tal assunto e retorna a esse livro de José Paulo Netto, ele passa a fazer mais sentido.