"Volto semana que vem" é o que a narradora deste livro responde ao pai ao sair de casa num dia de 1970, quando ele pergunta, espantado, aonde ela vai. “Mais de dez anos se passaram até eu voltar àquela cozinha”, conclui ela em seguida. Composto por recortes de memória, o livro é o retrato de uma vida brasileira exemplar: a de quem foi criança logo depois da Era Vargas (o dia do suicídio de Getúlio é uma das primeiras cenas evocadas aqui), cresceu nos tempos de Juscelino, foi jovem com a ditadura, militou com a esquerda, conheceu a prisão, a tortura e o exílio. Apesar da violência de boa parte das lembranças que compõem essa vida, o humor e a percepção do sabor das coisas transformam o que poderia ser amargura numa luminosa declaração de alegria irredutível.
É um livro ok. Um diário bagunçado entre memórias aleatórias, vida na prisão e os momentos de militância. Poderia ser um livro extraordinário, mas algo deu ruim nesse processo. Acredito que se fosse algo cronológico e contando do momento da militância, chegando a prisão e depois a ida para França seria algo mais complementar, mais encorpado. Nos daria uma visão ainda maior do que é viver em um período de ditaduras e revoluções.
O livro mediano não tira a importância dos momentos que a autora viveu. Só não foi escrita com a eloquência que eu esperava.
Esse livro tinha tudo para ser um relato arrebatador sobre a ditadura, um marco nesse tipo de literatura, maaas na minha humilde opinião não chegou nem a sombra de sê-lo, és as razões: A escrita da autora não possui nada de marcante, é uma escrita super mediana, você não tem poesia, humor, jogos de palavras, ritmo, nada. 95% das memorias são super irrelevantes , seja pq tratam assuntos já conhecidos sem acrescentar nada ou por trazer assuntos muito banais do tipo como era beber num bar em paris ou como era a escola que eu estudava quando era pequena (combine isso com a escrita mediana). Só houve duas memorias que me causaram alguma sensação e ambas estavam nos outros 5%. E a pior das razões: há uma tentativa claríssima e intencional por parte da autora de suprimir o sofrimento nas memorias que tratam da sua relação com o comunismo, isso para mim foi péssimo, péssimo, digo isso pq sou jovem, não tive o menor contato com a ditadura, nem familiares que tenham sofrido algo nela e sei da importância que relatos realistas que demostrem a crueldade dos regimes latino americanos tem na formação da noção histórica e politica que temos do nosso continente (combine isso com a escrita mediana e a grande quantidade de assuntos irrelevantes). Agora, ao termino da leitura fico com a sensação que essa mulher poderia ter me mostrado muito mais.
Quando se inicia o livro, se não prestar atenção você se perde, porque ela conta história fragmentada, com pulos de anos, o que torna a leitura um tanto cansativa (por sorte ou bom senso, o livro é curto).
Trechos com lembranças de uma criança, universitária, adulta e de uma mulher madura, você querendo ou não precisa conectar com os detalhes.
O livro seria de bom uso, se fosse fazer uma série, com recortes de cada passagem da vida da autora, de seus familiares e principalmente dos seus aliados. Tem alguns trechos, que são bem reflexivos, outros que não fez muito sentido (como leitora), porém consegui imaginar a cena na cabeça, com mínimos detalhes!
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Não sei ao certo se compreendi o grande mosaico de datas e pontos de vista que é Volto Semana Que Vem, ou mesmo se existe realmente mais de um ponto de vista que não aquele proposto pelo tempo, mas o fato é que o livro de Maria Pilla aparece como uma crônica muito aerada e espaçada dos tempos da ditadura, e todo esse espaço faz com que o interesse nas questões da personagem principal -que não sei precisar se é a própria autora, o que não faz grande diferença. É trágico, mas todas as histórias deste período o são.
são boas histórias mas a organização deixa o leitor confuso. talvez fosse essa justamente a ideia da autora, mas em alguns momentos tive dificuldade de acompanhar sobre o que ela estava falando.
O livro consegue apresentar o relato de eventos pessoais muito duros do passado recente brasileiro, ditadura e era Vargas, mas talvez tenha faltado intensidade ao que foi contado. Ainda que o narrado apresente um conteúdo denso, de exílio e prisão, a leitura não é incômoda. Ademais retrata uma parte da militância e da resistência à ditadura que, quando viu necessidade, fugiu para a Europa. Realmente muito difícil se exilar em Paris. No entanto, o livro consegue ser atual, especialmente em 2017, ano em que temos visto muitos direitos sendo retirados de nós e uma crescente onda retrógrada e preconceituosa.