Jump to ratings and reviews

Sociologia do Negro Brasileiro

This edition has the 8508029337 as ISBN, which is Invalid..

O potente pensamento antiacadêmico de Clóvis moura encontra em sociologia do negro brasileiro o seu momento mais importante. Um livro-síntese ao iluminar o vínculo íntimo entre o problema dos negros e as questões estruturais da nossa sociedade. Investe contra um pensamento social subordinado ou submisso, estereotipado, puro reflexo da estrutura social brasileira, revelando, dessa maneira, a ideologia do autoritarismo a que esse pensamento serve – pois racismo e visão autoritária de mundo são as duas faces dessa moeda. Para além de uma sempre discutível imparcialidade científica ou de um puro racismo racionalizado, Clóvis moura realiza uma crítica radical em uma obra de permanente atualidade.

250 pages, Paperback

First published January 1, 1988

Loading...
Loading...

About the author

Clóvis Moura

15 books16 followers
Clóvis Steiger de Assis Moura, better known as Clóvis Moura, was a sociologist, journalist, historian, and writer. In the book Clay of Memory, Clóvis Moura talks about his childhood in the countryside, the Rio Parnaíba and myths of Piaui's folklore, such as the legend of the Cuia de Cabeça. He was influenced by Marxism, having developed the Sociology of Black Praxis. Clovis Moura questioned Gilberto Freyre's view of black passivity in Brazil, highlighting the quilombos' resistance to slavery. In his research he dealt with the slave rebellion and the formation of the quilombos. Drawing on Marx's theory, he analyzed the class struggle in the slave system. For Clovis Moura, Brazilian slave society was subdivided into two antagonistic classes: slaveholders (ruling class) and slaves (dominated class). Slaves produced material goods and wealth while slaveholders owned property and the means of production. After abolition, slaves, despite having produced the riches that underpinned the Brazilian economy, were not entitled to property.

He militated for the Brazilian Communist Party and, in 1962, in the split of the party, migrated to PCdoB. It stood out for its pioneering militancy in the Brazilian black movement. Collaborated with articles for newspapers from Bahia and São Paulo.

Ratings & Reviews

What do you think?

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
38 (80%)
4 stars
8 (17%)
3 stars
1 (2%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Anna Braga.
221 reviews16 followers
May 26, 2024
“A identidade e a consciência étnicas são, assim, penosamente escamoteadas pela grande maioria dos brasileiros ao se autoanalisarem, procurando sempre elementos de identificação com os símbolos étnicos da camada branca dominante.

No recenseamento de 1980, por exemplo, os não brancos brasileiros, ao serem inquiridos pelos pesquisadores do IBGE sobre a sua cor, responderam que ela era: acastanhada, agalegada, alva, alva-escura, alvarenta, alva-rosada, alvinha, amarelada, amarela-queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul-marinho, baiano, bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada, branca melada, branca morena, branca pálida, branca sardenta, branca suja, branquiça, branquinha, bronze, bronzeada, bugrezinha, escura, burro-quando-foge, cabocla, cabo verde, café, café-com-leite, canela, canelada, cardão, castanha, castanha clara, cobre corada, cor de café, cor de canela, cor de cuia, cor de leite, cor de ouro, cor de rosa, cor firme, crioula, encerada, enxofrada, esbranquicento, escurinha, fogoió, galega, galegada, jambo, laranja, lilás, loira, loira clara, loura, lourinha, malaia, marinheira, marrom, meio amarela, meio branca, meio morena, meio preta, melada, mestiça, miscigenação, mista, morena bem chegada, morena bronzeada, morena canelada, morena castanha, morena clara, morena cor de canela, morenada, morena escura, morena fechada, morenão, morena prata, morena roxa, morena ruiva, morena trigueira, moreninha, mulata, mulatinha, negra, negrota, pálida, paraíba, parda, parda clara, polaca, pouco clara, pouco morena, preta, pretinha, puxa para branca, quase negra, queimada, queimada de praia, queimada de sol, regular, retinha, rosa, rosada, rosa queimada, roxa, ruiva, russo, sapecada, sarará, saraúba, tostada, trigo, trigueira, turva, verde, vermelha, além de outros que não declararam a cor. O total de cento e trinta e seis cores bem demonstra como o brasileiro foge da sua realidade étnica, da sua identidade, procurando, através de simbolismos de fuga, situar-se o mais próximo possível do modelo tido como superior.

O que isso significa em um país que se diz uma democracia racial? Significa que, por mecanismos alienadores, a ideologia da elite dominadora introjetou em vastas camadas de não brancos os seus valores fundamentais. Significa, também, que a nossa realidade étnica, ao contrário do que se diz, não iguala pela miscigenação, mas, pelo contrário, diferencia, hierarquiza e inferioriza socialmente de tal maneira que esses não brancos procuram criar uma realidade simbólica onde se refugiam, tentando escapar da inferiorização que a sua cor expressa nesse tipo de sociedade. Nessa fuga simbólica, eles desejam compensar-se da discriminação social e racial de que são vítimas no processo de interação com as camadas brancas dominantes que projetaram uma sociedade democrática para eles, criando, por outro lado, uma ideologia escamoteadora capaz de encobrir as condições reais sob as quais os contatos interétnicos se realizam no Brasil.

Como vemos, a identidade étnica do brasileiro é substituída por mitos reificadores, usados pelos próprios não brancos e negros especialmente, que procuram esquecer e/ou substituir a concreta realidade por uma dolorosa e enganadora magia cromática na qual o dominado se refugia para aproximar-se simbolicamente, o mais possível, dos símbolos criados pelo dominador.”
Profile Image for bella.
41 reviews
October 25, 2022
Clóvis Moura fala de forma clara e rica sobre a marginalização do negro na sociedade brasileira, enriquecendo o nosso saber sobre o que nos foi deixado do nosso povo escravizado. Interessantíssimo também a forma como o autor explica de forma breve como o capitalismo tardio possui todos os dedos na violência contra o povo negro e o atraso econômico do Brasil.
Profile Image for Brenner Monteiro.
24 reviews1 follower
November 23, 2024
Esse livro deveria ser obrigatório em escolas do ensino médio no nosso país.

"De um lado, ao se dizer que há uma democracia racial no Brasil, e, de outro, ao se verificar a alocação dessas etnias não brancas no espaço social, chega-se à conclusão de que a sua inferiorização é decorrência das próprias deficiências ou divergências desses grupos e/ou segmentos étnicos com o processo civilizatório. Porque, se os direitos e deveres são idênticos, as oportunidades deverão ser também idênticas. Como tal não acontece, como veremos mais tarde, a culpa pelo atraso social desses grupos é deles próprios. Joga-se, assim, sobre os segmentos não brancos oprimidos e discriminados, o negro em particular, a culpa da sua inferioridade social, econômica e cultural."

Esse trecho deveria estar colado em alguma parede do Nubank quando, em 2022, disseram que "não se a empresa nivela por baixo" quando perguntado sobre inclusão racial.
Profile Image for Ingrid Kraus.
3 reviews
July 19, 2021
‘Daí não podermos aceitar o conceito de aculturação como aquele que iria explicar as mudanças sociais, mas, pelo contrário, achamos que a aculturação em uma sociedade composta de uma cultura dominadora e de outras dominadas estimula a desigualdade social dos membros das dominadas através de mecanismos mediadores que neutralização a sua revolta. Através desses mecanismos mediadores, os membros das culturas dominadas submetem-se ao controle da cultura dominante’
Displaying 1 - 4 of 4 reviews