Em Vida de gato, Clara Averbuck conta a história de Camila, que vive uma paixão alucinada e obsessiva por Antônio. Rejeitada pelo amado, ela narra o dia após dia depois do pé na bunda como quem não tem medo de viver – ou morrer – de amor até o fim. Assim como Los Angeles acolhe o apaixonado Bandini de Fante, São Paulo é o cenário em que Camila afoga as mágoas de boteco em boteco, e é também quem testemunha seu desvario e sua dor. Uma cidade amada e odiada que, como Antônio, parece tripudiar do seu coração.
Clara Averbuck nasceu em Porto Alegre em 1979 e mora em São Paulo. Seu primeiro livro, Máquina de Pinball, foi adaptado para o teatro e cinema. Das coisas esquecidas esquecidas atrás da estante (7Letras, 2003), reúne textos de seu blog, seu site e algumas histórias inéditas.
Sou assinante da plataforma de áudiobook Storytel e às vezes leio o que o algoritmo que recomenda, o que foi o caso aqui. Já tinha curiosidade em conhecer a obra da autora. É uma novela narrado em primeira pessoa por Camila, uma jovem escritora que no momento encontra-se meio sem eira nem beira e só o que quer é retomar sua intensa (e aparentemente não retribuída) por Antonio. De natureza impulsiva não hesita em se jogar de cabeça para ter de volta aqueles momentos de aconchego, assumindo para isso atitudes um tanto quanto auto-destrutivas (Menina, sai dessa que não paga a pena). A narração de Bruna Matta é bem teatral e cheia de vida, deu mais intensidade ao livro. O título se explica na frase final, pra mim foi um fechamento perfeito, apesar de desejar encontros melhores para nossa protagonista...
Em "Vida de Gato", percebi uma Clara Averbuck bem mais madura como escritora, o que torna este livro, na minha opinião, superior ao romance de estreia (e o mais conhecido) da autora, "Máquina de Pinball". Se o primeiro romance pode ser acusado de ser "mais estilo do que conteúdo", "Vida de Gato" consegue reunir as duas coisas. Aqui, a personagem Camila relata uma paixão desesperada por um cara com quem teve um caso breve, e que lhe deixou sem muitas explicações. A escrita permanece ácida, afiada, e a própria Camila parece bem mais convincente como personagem. Seu sofrimento foge do clichê adolescente e parece genuíno, conseguimos entender suas motivações. Sofremos junto com Camila, sinal de que o livro funciona. Uma grata surpresa!
Esse livro apareceu com sugestão do algoritmo do kindle, após ver a sinopse decidi ler. Torci tanto para o problema da personagem se resolver no 3 capítulo, até pensei que estava encerrado. Mas isso se arrastou me enlouquecendo também.