Audiolivro.
O livro apresenta uma análise acessível e estruturada em torno dos principais pilares do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): desatenção, hiperatividade e impulsividade. A autora explora como esses sintomas afetam a vida cotidiana, as relações pessoais e profissionais, e critica a falta de compreensão em instituições como escolas, que nem sempre promovem a inclusão de pessoas com essas características. Um destaque é o capítulo voltado para crianças, contendo dicas práticas para pais e educadores distinguirem entre a agitação natural infantil e sinais de TDAH, facilitando o manejo da condição desde cedo.
Além de desmistificar estereótipos que associam o TDAH apenas à infância ou à falta de esforço, Ana Beatriz destaca aspectos positivos do transtorno, como o potencial criativo e a energia diferenciada dessas pessoas. Ela defende a importância da autoestima e do diagnóstico correto, realizado por profissionais qualificados, descartando abordagens simplistas e superficiais. O tratamento multidisciplinar sugerido envolve organização, terapias comportamentais e apoio emocional, mostrando como o TDAH pode acompanhar a pessoa durante toda a vida, exigindo adaptação e autoconhecimento.
No entanto, o livro também sofre com a subjetividade inerente à área da psicologia, que não se apoia em critérios científicos tão rigorosos quanto os das ciências exatas. O diagnóstico depende muito do julgamento do profissional e das narrativas pessoais, o que pode gerar vieses e incertezas. A aplicação do rótulo de TDAH a personagens históricos, por exemplo, é especulativa e carece de base científica robusta. Essa abordagem flexível favorece a empatia, mas também evidencia as limitações da psicologia em termos de objetividade e mensurabilidade.
Uma questão que o livro não aborda diretamente, mas que merece reflexão, é o ponto de vista moral e cristão sobre comportamentos atribuídos ao TDAH. Até que ponto podemos considerar que certas ações são culpa do transtorno e em que medida recaem sobre a responsabilidade pessoal e a vontade de cada indivíduo? Essa distinção é fundamental para orientar práticas de autocontrole, julgamento ético e busca por crescimento pessoal em consonância com valores cristãos, que ressaltam o papel da liberdade e da responsabilidade na construção do caráter. Como equilibrar compaixão e cobrança diante desse desafio? A autora apoia a ideia de que comportamentos inadequados são muito dependentes do funcionamento da mente - e rechaça a abordagem moral dos comportamentos TDAH.