Justino Freitas, o "Filho da Mãe" é uma personagem especial na galeria Vilhena pois teve direito a três livros: a trilogia do Filho da Mãe. É a mais notável crónica do que era fazer carreira no antigo regime. "O Filho da Mãe"; "O Filho da Mãe volta a atacar", " A Vingança do Filho da Mãe" contam a história de Justino Freitas desde as primeiras pulhices de infância até às grandes sacanices de adulto. Ele é a encarnação da personagem negativa. Filho ilegítimo, cábula mas "mestre em enganar o próximo", apelidado de "Judas" no seminário, o seu percurso é de porteiro a comendador graças aos seus dotes de aldrabice e fraude. Acaba presidente do conselho de administração da "Sonaves". É todo um Portugal de porteiras, de compadres, de especuladores, de fraudes, de pequenas grandes sacanices, talvez o mesmo Portugal que alguns anos mais tarde descobre uma nova mina de fraudes nos generosos dinheiros europeus... O percurso do "filho da mãe" faz-nos reflectir sobre os detentores do poder: como lá chegaram e como lá se mantêm. Não há máfias só em Itália... É claro que desde os anos 70, Portugal é outro. Serão já outros os portugueses?
O filho da mãe é a perfeita descrição de todos comendadores e outros grandes senhores e senhoras desta nação. Vistas as ultimas noticias isto nem parece ser algo dos anos 70. Alias a sua idade só se nota pelos laivos de machismo do autor, que se ainda estivesse vivo esta obra não teria sido levada a impressão.
Um livro que foi escrito numa epoca em que a censura era bastante pálpavel em portugal... Assim livro é uma critica social mas dissimulado, usando o humor às vezes corrosivo. O livro fala da vida de um homem (feio e aburricado), desde o seu nascimento até à vida adulta, e da forma como subiu na vida sempre com esquemas, enganando pessoas, dando graxa aos patrões, enganando a mãe e restante familia, etc... Um retrato fiel da vida do homem em sociedade, com humor e expressões usada no dia a dia, as quais enriquecem ainda mais o livro. Vale a pena ler!!
Podem negar, podem chorar, podem até dar um argumento, mas estão errados.
Explicando: esta obra tem o retrato mais completo e fiel da corrupção, hipocrisisa, estupidez, maldade e sadismo/masoquismo presente e escondido no regime do Estado Novo.
Muitos dos problemas, males, vicios e hipocrisias denunciadas nesta obra permanecem hoje, com as mesmas desculpas e os mesmos atores, fingidos de democratas (outrora abertamente corruptos e fascistas).
Além destes aspetos, há que ter em conta o quão esta obra supera as outras em comédia, tom, ritmo, detalhe, humanidade, etc. Não há uma página sem desenvolvimento e humor, e os dois vão lado a lado, e todas as piadas batem certo.