Hilda de Almeida Prado Hilst, more widely known as Hilda Hilst (Jaú, April 21, 1930–Campinas, February 4, 2004) was a Brazilian poet, playwright and novelist, whose fiction and poetry were generally based upon delicate intimacy and often insanity and supernatural events. Particularly her late works belong to the tradition of magic realism.
In 1948 she enrolled the Law Course in Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(Largo São Francisco), finishing it in 1952. There she met her best friend, the writer Lygia Fagundes Telles. In 1966, Hilda moved to Casa do Sol (Sunhouse), a country seat next to Campinas, where she hosted a lot of writers and artists for several years. Living there, she dedicated all her time to literary creation.
Hilda Hilst wrote for almost fifty years, and granted the most important Brazilian literary prizes.
Brotaram flores nos meus pés. E o quotidiano na minha vida complicou-se.
Diferença triste aborrecendo o andar de minhas horas. Rosa Maria tem flores na cabeça. Maria Rosa as leva no vestido. E esse nascer de flores nos meus pés, atrai olhares de espanto.
Ainda ontem me vieram dizer se eu as vendia. Meus pés iriam com flores andar sobre o teu silêncio. Tua vida no meu caminho, na caminhada grotesca daqueles meus pés floridos.
De tanto serem zombadas morreram adolescentes. Pobres pés, pobres flores. Murcharam ontem, hoje secaram.
E o quotidiano na minha vida complicou-se.
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As mães não querem mais filhos poetas.
A esterilidade dos poemas. A vida velha que vivemos. Os homens que nos esperam sem versos. O amor que não chega. As horas que não dormimos. As ilusões que não temos.
Meu primeiro contato com Hilda Hilst na sua orienta coletânea de poemas. Confesso que, nesse ano, a autora que eu queria e quero conhecer de todas as formas é a Hilda e eu tava looouca pra ler qualquer coisa dela. Eu tô lendo pelo livro "Da Poesia" e escolhi marcar aqui pelos livros individuais pq não gosto de ficar com mil livros na parte de "currently reading". Os poemas são do jeito que eu gosto: maduros, coerentes, profundos e intimistas. Recomendo muito. Com certeza vou pegar pra ler novamente. Se o primeiro já foi assim imagina a minha satisfação de ler os outros :D.
"(...) Me fizeram de pedra quando eu queria ser feita de amor."
"(...) Os homens de bem me perguntaram o que foi feito da vida. Ela está parada. Angustiadamente parada. O que foi feito da ternura dos que amaram..."
Meu primeiro contato com a autora. E fiquei surpreso. Apesar da clara inquietação que conecta todos os poemas, a leitura é muito confortável: me senti imerso no quadro de imagens traçadas, assim como as "mãos mergulhadas em azul" do poema XIV (um dos mais belos, diga-se de passagem).
Sobre os temas, um breve comentário: temos aqui uma reflexão sobre o que chamei de "os horizontes da vida". Não à toa, o título "presságio". Os poemas fazem um jogo constante entre a necessidade e os limites desses horizontes; entre uma consciência castradora, que nos engessa, e a importância da ilusão, que nos move. Até que ponto vale a pena encarar a vida em sua nudez? Hilda nos brinda com uma resposta, em 21 poemas. A nós, resta a leitura e a releitura.
"Maria vai acabar como eu: covarde nas decisões, amante das cousas indefinidas e querendo compreender suicidas." as questões que afligem Hilda nos seus poemas iniciais refletem de forma clara e sucinta sua idade. é um começo promissor e extremamente louvável. impossível não imaginar ela escrevendo cada linha nos arredores do Largo de São Francisco, uma universitária de direito começando a perceber as nuances da vida.
Com uma linguagem direta, sentimentos difíceis são completamente palpáveis (Hilst dedica o livro à mãe e em alguns poemas a questão da intimidade remete a um relacionamento materno). Leitura gostosa, fluida, os poemas são bem simples no geral, tanto na linguagem poética quanto no vocabulário, o que (ao meu ver) permite fácil compreensão e identificação de qualquer leitor. Recomendaria para uma pessoa que quer começar a ler poesia. Pra quem já lê também.
"Dirão que és poeta. Porque a poesia aparece nos teus gestos como aparece fé na oração de um crente."
Uma leitura que, embora curta, consegue ser profunda em um aspecto amplo da vida; nos envolve em paixão, perda, incerteza, e até mesmo em uma certa relação íntima com o divino. Me senti tão imersa na leitura que fiquei surpresa quando acabou. Como de costume, a poesia da Hilda transborda e engrandece a alma.
primeiro livro de poesia da hilda com o qual tive contato... parece que o livro se desmancha em sangue em minhas mãos. outra vez, ela se mostra perfeita em tudo que tenta fazer
(...) e os teus ouvidos eram buracos de concha, retorcidos no desespero de não querer ouvir.
hilda aqui traz a descoberta, o sentimento, a nostalgia e a saudade em tons de amor e aceitação. aceitação que nem sempre é feliz ou contemplativa, mas que define sentimentos mistos em um conjunto indefinido de situações que ela descreve muito bem. e que se você ainda não se identificou, vai chegar um dia que vai te cair como uma luva.
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Em seu primeiro livro, Hilda Hilst demonstra maturidade, mesmo com pouco mais de 20 anos, ao tratar da finitude, aproximação da morte, desencanto, tristeza e a falta de sentido para a vida.