Dividido em tres partes - Nebulosa, Galaxia, Cosmos -, este e o romance da vida do Mario Claudio, um livro sobre tres fases da vida de um homem, que n?o por acaso e o proprio escritor. Comecamos com o que recorda a infancia (a vida de um menino filho unico e superprotegido, dos seus temores e fantasmas) e terminaremos com um , que e muitas vezes aquilo que os velhos voltam a ser. Pelo meio, a zona mais densa, que conta a parte fulcral da vida de um homem, de jovem a maduro, desde a sua passagem pela guerra colonial, a universidade, a func?o publica, a escrita e o reconhecimento, ate a descric?o de factos polemicos e pessoais, que tem que ver sobretudo com o amor, a sexualidade e a forma como a cultura, com o passar do tempo, se tornou pouco mais do que um espectaculo (havera muita gente - garanto - que se reconhecera nestas paginas.)
Mário Cláudio, pseudónimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1941. Frequentou o curso de Direito em Lisboa, tendo-o terminado na Universidade de Coimbra. Frequentou a Universidade de Londres, graduando-se como Master of Arts. De regresso a Portugal, tem exercido funções como técnico do Museu Nacional de Literatura e como professor universitário. Ganhou o prémio APE de Romance e Novela em 1984 com a obra 'Amadeo'. É considerado um dos mais importantes autores portugueses das últimas décadas. Embora se tenha dedicado à poesia, ao teatro e ao ensaio, é no romance que Mário Cláudio mais se tem destacado. Em 2004 foi agraciado com o Prémio Fernando Pessoa. Criou um heterónimo, o poeta Tiago Veiga, hipotético bisneto de Camilo, de quem publicou em 2011 uma extensa biografia. Vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB 2014, com a obra 'Retrato de Rapaz'. Grande Prémio de Romance e Novela, da APE, em 2019.
Este é um livro auto-biográfico em que Mário Cláudio faz um balanço da sua vida, dividindo-a em três fases distintas - a primeira, da sua meninice, depois a mais vasta, da sua fase adolescente e adulta, e finalmente, da sua "velhice" actual. Curiosamente, o protagonista (ele próprio), inverte o nome, sendo na primeira parte, o velho, na segunda, o rapaz e na final, o menino. São três partes distintas, todas elas escritas com uma erudição acima da média, tendo-me especialmente agradado a terceira e última fase, mais lenta na descrição do dia a dia de uma pessoa que começa a sentir-se velho, e essa lentidão é a forma de ele mostrar que as coisas são mais pensadas, mais elaboradas e vida mais rotineira, embora sabendo dela tirar o seu proveito (nesta fase, em que me encontro também eu, revi-me em variados aspectos). No entanto, senti ao longo da leitura, por vezes um certo cansaço, principalmente na segunda parte, curiosamente aquela em que o autor está mais activo - a leitura não fluía... "Astronomia" não será o melhor livro de Mário Cláudio, mas reconhece-se bem o valor e a força da sua escrita e foi, com certeza, um livro que o autor quis escrever nesta fase da sua vida.