Vamo lá. Que eu tenho tanta coisa pra falar que talvez eu venha alterar essa review daqui alguns minutos, horas ou dias.
Foi um livro esquisitamente bom. Você tem vontade de seguir lendo na esperança de que a qualquer minuto algo interessante aconteça. E até metade do livro, mais ou menos (uns 60%, vai), nada de interessante acontece de fato.
Existe um quê de brilhantismo nas análises que ele faz da própria vida e da vida dos outros, mas tudo me pareceu tão superficial, uma crítica vazia, porque, no final, era tudo autocrítica. Senti que o narrador detestava a si mesmo e a tudo e todos que estavam ao seu redor — mas nunca culpando a si por isso, por estar onde estava ou fazer o que fazia, mas sim uma força maior que o levou àquela mediocridade.
O capítulo 5 da fatia da investigação do livro, pra mim, foi o mais interessante (e mais revoltante) da obra toda. Ali, ele quase conclui que a sua suposta morte anônima fez com que ele descobrisse que ele estava morto de alma e de vontade de viver; mas ele não fala isso. Os capítulos seguintes dão a entender que sim, mas o narrador me parece TÃO arrogante que nem admitir isso ele admite. Como se sempre soubesse que havia mediocridade na sua vida — e, novamente, escolhendo um fato externo pra culpar: a suposta morte.
Depois desse capítulo eu simplesmente ENGOLI o resto do livro em uma sentada, numa tentativa frenética e de muito ódio de tentar entender alguma coisa. Acontece que eu só consegui entender que no momento MAIS FELIZ que ele jamais descreveu sobre a vida dele (e consequentemente a mais feliz do livro) ele resolve se matar — e de novo o leitor tendo que fazer suposições do porquê. Parece-me que o Cuencas encontrou como única resposta para que o narrador não caísse na chatice da vida que teve uma vez também a morte, dessa vez fictícia.
Mas ta aí uma estratégia… Fazer o leitor confuso o livro todo, NÃO acabar, NÃO concluir em nada e só fazer a gente ficar obcecado pensando sobre o livro tentando entender o que acabou de acontecer. Propositalmente ou não, funcionou pra mim. Mas não tira o fato de que eu odiei o narrador, de ter nojo mesmo dos comentários dele, tem coisa que eu não sou obrigada a ler e gostar em prol da literatura, né, se fude. Então, 2 estrelas pelo ódio que eu passei lendo.