Cesário Verde foi o introdutor da poesia moderna em Portugal. Ignorado à época, passaram-se décadas antes que o seu valor fosse reconhecido. A descoberta ficou a dever-se a Fernando Pessoa que, um dia, sobre ele escreveu: «O sentimento é forte e sincero, mas reprimido: e é nisto que Cesário é curioso. É um português que reprime o sentimento». Cesário é hoje um clássico da Literatura Portuguesa, mas pouco se sabe da sua vida. Maria Filomena Mónica, que já escrevera as biografias de Fontes Pereira de Melo, D. Pedro V e Eça de Queirós, tenta abordar aqui a obra e a vida de Cesário não só à luz do período em que viveu, mas relembrando o que os poetas, seus contemporâneos, andavam a escrever enquanto estes versos eram publicados: «Nas nossas ruas, ao anoitecer, / Há tal soturnidade, há tal melancolia…». É no contexto da poesia declamatório do seu tempo que a genialidade de Cesário pode ser compreendida.
MARIA FILOMENA MÓNICA nasceu em Lisboa, a 30 de Janeiro de 1943. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Lisboa, em 1969, e doutorou-se em Sociologia na Universidade de Oxford, em 1978. Colabora regularmente na imprensa. Entre outros livros publicados, é autora de «Eça de Queirós» (Quetzal, 2001), «Bilhete de Identidade» (Alêtheia, 2005) e «Cesário Verde» (Alêtheia, 2007). É investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
O mistério de Cesário criado pela sua curta vida e como não bastasse, quase marginal aos leitores da sua época, é alimento suficiente para que a curiosidade do leitor cresça relativamente à sua vida e obra.
Esta biografia faz uma contextualização histórica, social e literária do poeta. Nota-se aqui a mão de Maria Filomena Mónica na abordagem sociológica. As questões literárias estão também muito bem enunciadas. Também aqui a autora demonstra a sua honestidade intelectual assumindo-se como uma leitora não especializada, mas intensa e determinada deste género literário.
Recomendo "Cesário Verde : um génio ignorado" para quem quiser conhecer o envolvimento do artista, o seu percurso literário a partir dos seus poemas e a sua relação com os outros em todas as dimensões da sua existência.
Li-o sem tréguas até ao fim. E fiquei a perceber a sua importância nas gerações posteriores de poetas: modernistas e futuristas (revista Orfeu e por aí adiante). Por que Cesário Verde é realmente marcante na história da literatura