A Agência de Viagens Lemming foi editado em tiras semanais no suplemento de férias do Diário de Notícias em 2005, as histórias foram agrupadas em duas secções: Dez mil horas de jet lag e O síndrome da classe turística. Quem aprecia A Pior Banda do Mundo vai encontrar aqui múltiplos pontos de contacto, mas A Agência de Viagens Lemming tem uma caraterística única na obra de JCF: mantendo uma linha condutora, alterna ritmos narrativos, mistura o apontamento curto com a história mais prolongada, e em dois ou três casos, afasta-se do remoque malicioso, que é a sua imagem de marca.
José Carlos Fernandes was born in 1964 at Loulé, Southern Portugal. He has no artistic training (he has a degree in environmental engineering, which is not of great help in this area) and started drawing when he was already 25. Before that his memories are kind of fuzzy, the fragments of his pre-comics life including things as weird as teaching botanics at the university and being a researcher in estuarine heavy metal contamination. The heavy metal studies weren't a complete waste of time, since he later applied some of the knowledge in his 6 or 7 years as a drummer in obscure garage bands. Except for some rip-offs from Ray Bradbury and Gabriel García Márquez, in the beginning of his career, and two collaborations with the scriptwriters João Miguel Lameiras and João Ramalho Santos, the stories of his comics come out of his twisted mind (prolonged exposure to toxic metals may be responsible for this). The series A Pior Banda do Mundo (The Worst Band in the World), with six volumes issued until now, is his best known work and is translated in French, Spanish, Polish and Basque. Some Portuguese would like to have it translated in Portuguese, because they complain that the author resorts systematically to antediluvian vocabulary, intricate syntax, and a Gongoresque tone. The series Black Box Stories and Terra Incognita and O que está escrito nas estrelas (What is written in the stars) combine the texts of JCF with the artwork of Luís Henriques, Roberto Gomes and Manuel García Iglesias. JCF wrote more than one hundred stories for Black Box Stories and Terra Incognita, therefore the artists will be busy during the next decades.
It is a delicate story about the sense of solitude in the modern cities. It is summer and like De Chirico's squares, there are only shadows in the town. The protagonist wants to travel, but this idea seems more like an escape from his anodyne life.
He knows Mr Lemming, who works in a Travel agency. Mr Lemming speaks at length about these cities: everyone is famous for a strange reason. This graphic novel is strictly connected with Calvino's Invisible cities above all for the enigma that links people with places.
The real travel that occurs is within and resonates through our fears and the frailty of the human spirit.
Reza a lenda, que aos 13 anos quando fugiu de Portugal (e do Estado Novo), JCF fez uma travessia desde Marrocos, até ao resto do globo. Nestas viagens acabou por passar uma temporada em Kobe, na terra do sol nascente. Enquanto habitou as bandas nipónicas terá sido tokusa ("limpador de restos de borracha em papel"), a função mais baixa e mal paga dentre as várias funções desempenhadas por ajudantes-técnicos dos mangaka (ilustradores de banda-desenhada japonesa). Viajar e banda-desenhada... hum.
Passado uns anos fez da vida obra e nós - os leitores - não somos apenas deslumbrados a passear num oceanários de texto e imagens. Nesta globBDtrotter, mergulhamos numa fantasia maravilhosa reminescente das Cidades Invisíveis de Calvino, e crescem-nos membranas digitais. Juntam-se a um estilo gráfico reluzente em escamas e a um humor completamente surreal e pythonesco que absorvemos pelas guelras. Sempre um prazer ler José Carlos Fernandes.
Num mundo em que se viaja para ver tudo e nada, onde se vive de forma oca e fútil, onde tudo é efémero e se quer conhecer tudo a correr, José Carlos Fernandes encontra a história perfeita para metaforizar a sociedade actual e mostrar o seu génio no argumento e no desenho de forma astuta e brilhante.
Sátira brilhante à busca incessante pelo exótico, confrontando-nos com as nossas contradições e impossibilidades. Às vezes o que tanto procuramos não está necessariamente longe ou fora de nós.
Se dúvidas ainda persistissem, «A Agência de Viagens Lemming» comprova que José Carlos Fernandes é um dos maiores autores da BD portuguesa e um dos grandes escritores satíricos modernos da nossa língua. Um humor carregado de sarcasmo e apontamentos sobre o melhor e o pior dos homens, numa sucessão de alegorias que desvendam alguns dos temas-chave do autor - e também um humor inteligente muito apurado.
No me gusta el humor absurdo ni el surrealismo, pero este cómic me enganchó. Plantea destinos vacacionales que pretenden ser completamente delirantes pero que sorprendentemente resultan muy interpeladores y sospechosamente familiares. Algo similar se puede decir de los personajes. No existe nadie como el sr. Zoloft pero a la vez resulta muy muy familar.
Cada autor tem as suas características, o seu estilo gráfico e literário, aquele algo que o torna único na identidade. Alguns, quando encontram o ponto de equilíbrio entre o seu ideário e os gostos do público, exploram o filão até à exaustão. É o que safa boa parte dos escritores, uma eterna repetitividade, um ruminar de ideias e narrativas. José Carlos Fernandes tem fugido a isto, publicando com menos regularidade do que os seus fãs desejariam, mas mantendo a qualidade e diversidade da sua obra. Mantém-se como autor de referência, incontornável, e muito útil para fazer mudar de ideias quem não acredita na elevada qualidade literária da Banda Desenhada. Posto isto, não me importava nada se em breve saísse um original e inédito de José Carlos Fernandes. Nem que fosse um A Pior Banda do Mundo Viaja Para A Metrópole Feérica Pela Agência de Viagens Lemming. Com o Barão Wrangel a pilotar o avião. Crítica completa no aCalopsia: A Agência de Viagens Lemming de José Carlos Fernandes.
A pesar de las exageraciones de los destinos buscando descripciones risibles, lleva algo de verdad algunas situaciones, destinos y las facilidades del viajero. No es una historia lineal, mas bien son las historias de las ciudades narradas por el agente de viajes, alter ego del autor. Ciudades con aspectos únicos como museos a nivel ridículo, otra con la combinación de dos necesidades nobles del ser humano, vaciar la vejiga y disfrutar el arte, el turismo nuclear, etc. Es un libro gracioso y el mensaje final es bastante interesante, creo es la fuente para la creación de este libro.