A primeira coisa que me chamou a atenção ao livro foi logo a capa, que sinceramente achei fascinante.
Infelizmente, a obra não esteve à altura das expectativas que criei em torno do grande mistério do astrário.
Pontos positivos:
- A trama passa-se essencialmente no Egipto,
- Foca-se muito na mitologia e rituais praticados no Antigo Egipto;
- O misticismo sempre presente e a tensão resultante;
- Relacionamento com personagens e factos históricos;
- Um final que ajudou a salvar toda a obra.
Pontos negativos:
- Primeiros capítulos absolutamente nada interessantes (já por duas vezes tinha tentado começá-lo e desistia sempre a meio do primeiro ou segundo capítulo),
- Descrições pormenorizadas completamente desnecessárias (tal como algumas situações e alguns diálogos),
- Personagem principal que se considera um cientista em todo o sentido da palavra, cético em todos os aspetos, mas que adivinha petróleo a cheirar o ar e a colocar os pés nus na areia do deserto e acha isso perfeitamente normal (mas recusa-se a acreditar na mulher),
- Situações à Indiana Jones interpretados por uma personagem que não faz ideia do que está a fazer (explico de seguida o porquê),
- A esposa de Oliver, sabendo o que sabia, deveria ter-lhe contado tudo de maneira a que ele ao menos tivesse umas luzes sobre o que tinha em mãos (e não apenas o típico "objeto capaz de fazer coisas muito boas como muito más dependendo de quem o controla") - sabendo que o marido era o maior cético do mundo, ela contou-lhe coisas absolutamente desnecessárias, mas não lhe contou o que ele deveria saber antes de se ter decidido a não contar nada precisamente por o achar um cético,
- A única pista que Oliver tem é a de que "deve confiar no seu instinto" - o que curiosamente ele faz de forma completamente desastrada mas ainda a bradar aos céus que não acredita em nada de misticismos,
- Personagens que aparecem literalmente do nada para ajudar Oliver nas situações mais difíceis,
- Situações muito previsíveis (incluindo o final, embora tenha a sua graça),
- Muita palha pelo meio e apenas a partir de metade do livro é que se torna realmente interessante,
- Os "maus" tanto parecem idiotas como super inteligentes (em plena cidade, onde é fácil calcular o seu paradeiro, não lhe apanham o rasto, mas se ele se meter num deserto no fim do mundo a seguir um mapa que mais ninguém tem, quase que o apanham),
- Cena final de perseguição confusa (o que era escusado),
- O mistério do astrário, na minha opinião, deixou muito a desejar - apenas o seu efeito final é que o tornou minimamente interessante,
- Muitas pontas ficaram soltas no que toca a várias situações que a personagem viveu.
Dito isto, creio que foi um livro meio (e apenas meio) interessante de se ler, mas que com tantas páginas, poderia ter desenvolvido melhor as personagens ou as situações se tivesse sido retirado metade da palha que tem.
Apenas não dei nota inferior por ter gostado realmente do final e por ter metido ao barulho mitologia egípcia.