Dos livros mais recentes para os livros mais antigos, vinte anos depois de «A Imprecisa Melancolia» (1995), reúne-se neste livro toda a poesia de Luís Quintais, que nos diz que «A memória faz-se ao contrário. Assim fiz a minha. Procurei, porém, não desfigurar. Corrigi erros, arrumei melhor, alguns poemas foram eliminados, outros, que esquecera, foram incluídos, reescrevi pontualmente.»
Luís Quintais nasceu em 1968. É poeta, ensaísta, antropólogo e professor na Universidade de Coimbra.
Publicou onze livros de poesia: A imprecisa melancolia (1995), Lamento (1999), Umbria (1999), Verso antigo (2001), Angst (2002), Duelo (2004), Canto onde (2006), Mais espesso que a água (2008), Riscava a palavra dor no quadro negro (2010), Depois da música (2013), O vidro (2014) e Arrancar penas a um canto de cisne. Poesia 2015-1995 (2015).
Como poeta, foi distinguido com os prémios Aula de Poesia de Barcelona, PEN Clube Português, Prémio Fundação Luís Miguel Nava, Prémio Fundação Inês de Castro e Prémio António Ramos Rosa.
Uma luz brincando I Ouvi o meu pai dizer que Bach era Deus. Lembro-me da pergunta, quem é Deus, e ele disse, Bach. Descubro que a observação do meu pai é muito comum entre aqueles que amam esse país sem gravidade que se chama música. II Quando na biblioteca do Conservatório o meu filho me perguntou acerca de um enorme retrato de Bach sobre uma estante carregada de partituras, disse, aquele é Deus. Na repetição há porém uma diferença, uma luz que não sai do seu lugar mas que se não deixa aprisionar, como se andasse de um lado para outro nesse país que é uma flor lembrada e lembrada e lembrada ainda. III Alguém canta em falésias que estão entre mim e o meu filho: uma luz brincando.
Reunião da poesia completa de Luís Quintais, publicada entre 2015-1995 (sim, por ordem cronológica inversa), com um estudo de Pedro Eiras, numa edição cuidada da Assírio & Alvim.