Como a visão é um importante sentido de alerta do homem, as imagens sempre exerceram sobre nós um grande fascínio. Os desenvolvimentos vertiginosos da comunicação visual, contudo, geraram uma inflação das imagens que passam a disputar com os corpos o espaço vital. O presente livro trata das relações entre corpos e ora as imagens se oferecem como alimento para os corpos, ora os corpos perdem sua identidade e se deixam devorar pelas imagens.
O que me atraiu para este livro foi exatamente a palavra "iconofagia", um neologismo que expicita a forma como consumos as imagens na contemporaneidade. Segundo o autor, Norval Baityello Junior, nos dias atuais nós consumimos imagens devorando-as. A forma como este ato se dá percorre, segundo ele, aquilo que o teórico alemão Harry Prosser chamou de mídia primária, que é o nosso corpo, sendo as imagens as mídias secundárias, pelo menos aquelas bidimensionais. Uma mídia terciária, portanto, seriam aquelas que dependem de um meio eletrônico para serem transmitidas, como o rádio, a TV, o cinema, ainternet. Este ato contínuo de saída e entrada das imagens no e pelo corpo, representação e apresentação do corpo, é o principal ponto levantado por Baitelo Junior em A Era da Iconofagia, de maneira que as prórprias imagens formam um corpo daquilo que nossa estrutrura deveria ser. Não obstante, recorremos às imagens quando temos crises de imagem corporal. São elas, no final das contas que nos orientam, que servem de modelo. Imagens que se baseiam em outras imagens, que se alimentasm de outras imagens, num processo sem fim.