Versões livres, esplendidamente realizadas, de poemas do antigo Egito até aos salmos bíblicos, desde os hinos órficos até aos poemas Zen, desde a poesia maia até às líricas árabes, desde os haikais japoneses até às canções tártaras. "O interesse de Herberto Helder por estas tradições primitivas, não europeias, advém da maneira peculiar como também ele olha o mundo, nele se insere e convive com a linguagem. Nessas tradições, ele encontra a mesma linguagem ritualística, uma vontade de expressão simbólica semelhante e os mesmos valores humanos inseridos numa cosmogonia poética." ―Maria Etelvina Santos
Herberto Helder was born into a family of Jewish ancestry in the Portuguese Atlantic island of Madeira. In 1946 he traveled to Lisbon to complete his secondary studies and subsequently in 1948 moved to Coimbra to study Law at university. In 1949 he had changed to the Humanities University to study Romance Philology but dropped out after three years without completing the course. After returning to Lisbon he took up several temporal jobs, and got in contact with a circle of artists and writers such as Mário Cesariny, Luiz Pacheco, João Vieira and Hélder Macedo, known as the "café gelo" group . This group revolved around Surrealism which would inform his early writings. In 1958 his first book, O Amor em Visita, was published. In the following years he traveled and lived in France, Holland and Belgium taking menial and marginal jobs to survive. He returned to Portugal in 1960 and published some of his best books in the following years A Colher na Boca, Poemacto e Lugar, Os Passos em Volta and A máquina de emaranhar paisagens. In 1964 he participates in the organization of Experimental Poetry magazine. After the April Revolution he published Cobra, O Corpo, O Luxo, A Obra, Photomaton and Vox. The singularity of his poetry goes along with the personality of the poet: nowadays he abandoned public life, refusing prizes or interviews.
This work includes poetry, songs and riddles from the Jewish, Arabic, Arabic-Andalusian, Egyptian, Mexican, Indonesian, Japanese, Eskimo, Tatar, Indian and Greek traditions.
Herberto Helder also translates seven psalms from the «Old Testament» (22, 42, 57, 69, 88, 137 and 139) and the also biblical Song of Songs.
Exemplar trabalho de garimpagem e tradução de Helder do mais variados recantos do mundo em seu existir poético, dos quais minha preferência recai nos sempre resplandecentes koans zen-budistas.
"Se acaso vires na rua um homem iluminado, não o abordes com palavras, não o abordes com silêncio."
"Quando o peixe se move, turvam-se as águas; quando o pássaro voa, uma pena."
"Colhe flores, e as tuas vestes ficarão perfumadas; tira água, e a lua estará nas tuas mãos."
"No fundo das montanhas está guardado um tesouro para aquele que nunca o procurar."
É preciso ser HOMEM para fazer poesia e não rimar!!!
"Eu sou o vento que sopra a flor do mar sou vaga do mar o bramido do mar Sou boi das sete lutas, o dardo solar. Eu sou o que navega, o inteligente. Javali sangrento. Lago na planície violenta. Sou palavra de ciência. Espada viva abrindo a noz das armaduras. Eu sou o deus que implanta o fogo na cabeça, e espalha a luz pelas montanhas, e anuncia as idades lunares, e ensina ao sol onde morrer".
"De dia grito e gemo à noite, à tua frente: abre-te aos meus soluços. Que te atinja minha dor. Bêbada de infortúnio, a minha vida rola. Estou deitado junto aos mortos e fechado no siêncio, perdido entre aqueles de quem se perdeu a memória. A tua fúria me lança nos lugares tenebrosos, contra desencadeias teus turbilhões obscuros."
“Disseram-me que estás doente, laranja vermelha. Estás doente da garganta, e eu estou mal da cabeça. - Sobre as lajes em volta da igreja, estavam sentadas três raparigas atando os cabelos com fitas verdes. Três túmulos se abriram e deles saíram três belos rapazes. Ó coração doloroso, consola-te a ti mesmo - dores iguais a essas já o mundo viu muitas. Coração doloroso que não estás só no mundo.”
Este livro oferece-nos exemplos de várias culturas e dá-no-las a conhecer através da sua estética tradicional, focando-se, maioritariamente, em poemas e canções românticas.