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Volfrâmio

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«O Volfrâmio foi para as populações do Norte, deserdadas de Deus, o que o maná foi para os Israelitas através do deserto faraónico.»
Volfrâmio, Aquilino Ribeiro

Em 1943 saiu o «Volfrâmio», que é a imagem do Portugal rural, iletrado e atrasado, que de um momento para o outro com a II guerra mundial, vê o volfrâmio das terras de paupérrimos recursos, valorizado, permitindo que o dinheiro começasse a jorrar a ritmos nunca previstos nas aldeias do interior do território.
A obra, escrita por um homem com uma verve inigualável nas letras lusófonas, faz a descrição minuciosa, do ridículo desse período fugaz de abastança no «Portugal dos tamancos» , e os gastos em festas, verdadeiras loas ao bacoquismo, em carros que as pessoas nem faziam ideia sequer como trabalhavam, mas que punham na loja, a par do burro ou da junta de bois, não longe do porco para a matança, no jogo, artefactos de joalharia, nalguns casos pagos como tal, e mais não eram que pechisbeque, roupas caras e meretrizes, mandadas vir de Espanha para volúpias, pouco coincidentes com os códigos sexuais restritos da moral católica.

Fernando Pereira
22/11/09

http://recordacoescasamarela.blogspot...

310 pages, Paperback

First published January 1, 1943

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About the author

Aquilino Ribeiro

107 books87 followers
Aquilino Gomes Ribeiro was a Portuguese writer and diplomat. He is considered as one of the great Portuguese novelists of the 20th century. He was nominated for the Nobel Literature Prize in 1960.

Natural son of Joaquim Francisco Ribeiro, a priest, and Mariana do Rosário Gomes, he had three older siblings: Maria do Rosário, Melchior and Joaquim. Destinated to priesthood, Aquilino Ribeiro got involved in republican politics, opposing the Portuguese monarchy, and had to exile himself in Paris; he returned to Portugal in 1914, after the Republican Revolution of 1910.

He was involved in the opposition to António de Oliveira Salazar and the Estado Novo, whose government tried to censor or ban several of his books.

He married twice, firstly in 1913 to German Grete Tiedemann (ca. 1890-1927), by whom he had a son Aníbal Aquilino Fritz Tiedeman Ribeiro in 1914, and secondly in Paris in 1929 to Jerónima Dantas Machado, daughter of the deposed President of Portugal Bernardino Machado, by whom he had a son Aquilino Ribeiro Machado, born in Paris in 1930, who became the 60th Mayor of Lisbon (1977–1979).

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
787 reviews145 followers
November 5, 2025
Aquilino a nos falar magistral da febre do Volfrâmio na Beira Alta durante a II Guerra Mundial. Uma história sobre a pobreza, sobre o mundo rural português nos tempos de Salazar.
Gosto tanto de Aquilino!
Profile Image for Zé Filipe Melo.
75 reviews2 followers
June 3, 2024
Ler Aquilino é uma constante mistura de linguajar beirão com o mais erudito dos termos, uma descoberta constante de palavras que nos transportam para uma época simultaneamente tão próxima e tão distante. Sendo eu Beirão da beira serra com o imaginário das minas ali bem perto, torna-se um livro fascinante que nos permite conhecer um pouco melhor o que foi esta corrida ao ouro em plena ditadura e em plena guerra, em que ambos os lados do conflito confraternizavam de forma cavalheiresca em solo português.
Profile Image for Pedro Bicá.
22 reviews3 followers
January 20, 2025
Realmente...é da maior importância voltar a tirar os Aquilinos das estantes, tirar-lhes o pó.

Eu sou fã mais acérrimo da aprendizagem de outros alfabetos, línguas e linguajares – é dos meus passatempos preferidos – mas assisto a uma impregnação excessiva de estrangeirismos em Portugal. Reparei que isso me acontecia e de há um tempo para cá que tenho feito um esforço consciente para me comunicar em português se é em português que estou a falar. Por muito interessante que seja o dialeto anglo-português que se escuta por aí, o empobrecimento do nosso rico falatório é uma consequência, e uma que me entristece.

Dêem uma chance ao Aquilino um dia destes que eu prometo que não se vão arrepender.
Profile Image for Virgilio Machado.
235 reviews16 followers
February 23, 2012
Volfrâmio é um romance de Aquilino Ribeiro. [...] ler Aquilino exige ter um dicionário à mão constantemente. Não que a prosa do autor não nos permita descortinar o sentido da sua riqueza lexical mas o prazer do dicionário é algo que tento a todo o custo recuperar. Muitas das palavras usadas por Aquilino perderam-se no uso, emprobecendo-nos, e tende-se a disfarçar isso com a desculpa gasta de catalogar de regionalismos as palavras que desconhecemos. Basta fazer a experiência de pegar num dicionário de língua portuguesa e consultá-lo, as palavras usadas pelo escritor estão lá na sua grande maioria. As palavras que perdemos, que esquecemos, são uma perda de memória e uma perda de inteligência. Orwell no romance 1984 ilustra bem essa perda com a tentativa de simplificação (atrofio e castração) da língua por parte do «regime» como forma de controlo sobre as pessoas, como a derradeira censura, a derradeira anestesia para a apatia das gentes.

Filipe, 2007 11 02
http://19mesesdepois.blogspot.com/200...

Prefácio da segunda edição, Aquilino Ribeiro, Fevereiro de 1944
http://www.scribd.com/doc/61769551/Ri...


Profile Image for Graciosa Reis.
542 reviews52 followers
April 23, 2023
𝑽𝒐𝒍𝒇𝒓â𝒎𝒊𝒐 tem como tema a exploração das minas durante a II Guerra Mundial e o colaboracionismo dos portugueses no fornecimento de volfrâmio às fábricas de armamento quer dos alemães quer dos ingleses. Este aspecto retrata a posição ambígua dos governantes portugueses, na época, perante a Guerra. Mas é sobretudo uma caricatura do Portugal rural da Beira, das terras paupérrimas do interior e dos comportamentos bacocos, extravagantes e vis da população devido ao enriquecimento fácil e inesperado provocado pela extração de volfrâmio. Este período de abundância revelar-se-á efémero, porém tempo suficiente para as gentes da terra entrarem em loucura, esbanjarem dinheiro em despesas vãs, entrarem em jogos de enganos, roubarem e até cometerem crimes. Tudo em nome do dinheiro que obtêm na venda do mineral.

Aquilino Ribeiro evidencia um conhecimento apurado e vasto dos lugares e das pessoas e revela ser um observador atento já que na sua narrativa descreve minuciosamente formas de estar e de sentir: a corrida desenfreada ao volfrâmio; a luta infernal pela sua exploração; a vida miserável das gentes que tentam subsistir num território pobre e com um clima agreste; as mudanças económicas e sociais que advieram das novas circunstâncias. Fica claro o crescendo das consequências negativas à medida que a utopia “do ouro negro” se vai diluindo. A alteração de valores, de atitudes, de falta de ética põe a nu a exploração dos trabalhadores, as condições de trabalho, a corrupção aliada ao contrabando, e o fosso cada vez maior entre ricos e explorados.
Aquilino nos seus romances oferece-nos uma diversidade lexical muito própria da sua Beira. A sua escrita é erudita e elegante, com toques de ironia, rica em regionalismos, muito apoiada nas raízes culturais e linguísticas do povo. Algum vocabulário é considerado difícil porque em desuso, mas facilmente compreensível em contexto.

Gostei de (re)descobrir a prosa de Aquilino. Há muito que o não lia. Prometo dar continuidade. É necessário promover os bons escritores, os clássicos da nossa literatura. E se “ Aquilino possuía como nenhum outro, a sabedoria da língua e dos segredos gramaticais e estilísticos: metáforas, sinédoques, parábolas, fábulas, analogias, um arsenal de conhecimentos que aplicava nos livros com alegre desenvoltura.” como refere Baptista-Bastos no seu prefácio, então Aquilino não pode continuar esquecido nas estantes.

Profile Image for Bárbara Reis.
223 reviews24 followers
January 12, 2021
É realmente um livro que exige a máxima atenção, senti que havia sempre pequenas coisas que me escapavam, tive que reler imensos parágrafos e procurar o significado de muitas palavras o que se traduziu nunca leitura complicada e que exigiu de mim a máxima atenção. Mas isso não lhe retira qualquer qualidade, muito pelo contrário. Trata-se de um livro que fala da loucura à volta do Volfrâmio, de como um povo simples, pacato e até sem ambição, transforma toda a sua vida, para conseguir um pedaço daquela pedra preta ou então para ganhar algum dinheiro com quem explora a mesma. E apesar de Aquilo já não se encontrar entre nós, este livro, como tantos outros do autor, ainda é muito atual. A desmistificação da pureza do povo rural mostra-nos que não é o local de nascimento ou as nossas raizes que fazem de nós melhor ou piores pessoas. É um processo que tem como grande interveniente a situação em que nos encontramos. A ganância é um dos grandes motores daqueles que se acham inferiores, e muitas vezes, quando a grande oportunidade está mesmo ali à nossa frente, é muito difícil resistir em seguir o caminho mais fácil. Mesmo que para isso seja necessário pisar e deixar para trás quem e o que nos impulsionou muitas vezes para a frente.
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