Tenho uma certa afetividade com esta história, afinal conhecia ela desde criança, através de peças teatrais na escola, e principalmente pelo fato de ser conterrâneo do escritor Domingos Olímpio e ser filho da cidade onde a história é contada (Sobral-Ce).
Somente depois de adulto resolvi encarar a leitura integra do livro, e surpreendi-me bastante. O autor tem uma escrita muito culta e refinada, mas ao mesmo tempo conseguiu retratar com clareza as peculiaridades da seca nordestina, preservando o regionalismo que é explícito no livro. A forma como ele utiliza de alegorias para enriquecer o livro é fantástica.
A personagem principal Luzia, nos compadece com o seu sofrimento, força, humildade e com a doçura que existe por trás da figura "masculina" imposta pela população Sobralense. Terezinha, uma grande amiga conquistada por Luzia, inicialmente se mostra uma personagem sagaz e esperta, sempre ajudando Luzia e dona Zefinha (mãe de Luzia), mas que no final cai no desgraçamento de encarar seus erros passados, entrando em uma situação em que o leitor sente pena da mesma. Alexandre, apaixonado por Luzia, não conseguiu me cativar, se mostrando um personagem neutro e acomodado, mesmo na situação em que se encontrava, sendo injustiçado. Capriúna, um crápula nojento e obcecado, mereceu o final que teve. Achei que o personagem Raulino poderia ser mais explorado no livro.
É um livro com uma história tensa e triste, mas que vale totalmente a leitura. Recomendo a todos esse grande clássico brasileiro que com certeza deveria ser mais valorizado.