Com esta nova reedicao de "Suburbio", totalmente revista pelo autor, esta de volta as livrarias o romance considerado um dos precursores da nova literatura brasileira, focada na periferia dos grandes centros. A historia de um casal de velhos atados pelo rancor e pelo fracasso, imersos num enredo que culmina em violencia sexual e pedofilia, teve um efeito de choque no inicio dos anos 1990.
Um "Lolita" suburbano. Nabokov encontrando Bukowski pra tomar uma no boteco da esquina. De como é envelhecer num país fodido. De como é fodido envelhecer em qualquer circunstância. Uma linguagem de ponta de faca, que abre a fruta mas também abre a carne. Um amor que te empurra da ternura pro asco, da comoção pro embotamento, do encanto pra perdição, de página a página. Como marquei bobeira não tendo lido o Bonassi até agora.
Será possível haver uma ferrugem moral que corroe o interior de alguém? Uma ferrugem que se embaralha com a fuligem dos dias, da solidão e que se nutre do mais obscuro da condição humana? Pois, Bonassi tece uma narrativa cinematográfica, pujante e incômoda e que vai além dessas questões. Uma trama tão bem urdida que não há como a gente sair ilesa dela. Ler Subúrbio foi me sentir num mergulho vertiginoso na miséria humana. Ainda sigo impactada.