Sinopse Neste livro reúne-se uma seleção de crónicas de Pepetela, publicadas entre março de 2007 e agosto 2015, na revista angolana África 21, que mantêm uma impressionante atualidade. Para os leitores que apenas conhecem Pepetela pela sua ficção, a leitura das suas crónicas é provavelmente a melhor forma de conhecer o pensamento deste escritor. Com um olhar irónico e muito atento sobre o mundo que o rodeia, com particular enfoque na vida em Luanda, mas não só, estes textos revelam uma opinião crítica e arguta sobre temas que vão da sociedade à política, à economia e à cultura, com muitos apontamentos sobre aspetos da vida quotidiana. Com uma boa dose de sarcasmo, como convém.
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos is a major Angolan writer of fiction. He writes under the name Pepetela.
A white Angolan, Pepetela fought as a member of the MPLA in the long guerrilla war for Angola's independence. Much of his writing deals with Angola's political history in the 20th century. Mayombe, for example, is a novel that portrays the lives of a group of MPLA guerrillas who are involved in the anti-colonial struggle, Yaka follows the lives of members of a white settler family in the coastal town of Benguela, and A Geração da Utopia reveals the disillusionment of young Angolans during the post-independence period. Pepetela has also written about Angola's earlier history in A Gloriosa Família and Lueji, and has expanded into satire with his series of Jaime Bunda novels. His most recent works include Predadores, a scathing critique of Angola's ruling classes, O Quase Fim do Mundo, a post-apocalyptic allegory, and O Planalto e a Estepe, a look at Angola's history and connections with other former communist nations. Pepetela won the Camões Prize, the world's highest honour for Lusophone literature, in 1997. Pepetela is a Kimbundu word that means "eyelash," as does "pestana" in Portuguese. The author received this nickname during his time fighting with the MPLA.
Reunião de escritos criados para a revista angolana “África 21”, pela pena de Pepetela, ao longo de 8 anos (Março de 2007 a Agosto de 2015). Como qualquer compilação de textos de opinião, sofre à mercê do obstáculo da “actualidade”, pese embora, como também é tradição, muitos dos textos sejam intemporais.
Foca-se na sua Angola natal, com passagens pela capital e pela sua amada Benguela. Espraia-se além fronteiras, por terras lusas. Passeia-se pelo “império” americano. Deriva destes lugares aqui e ali.
Não é o meu estilo literário de eleição e uma grande minoria dos temas pouco mais me suscitou que curiosidade. Num tom irónico acolá, sério além, cativa-nos nuns dizeres, perde-nos noutros.
”O cabritismo é a prática baseada num provérbio angolano que diz mais ou menos o seguinte: “O cabrito come o capim do sítio onde está amarrado”. Em condições ideais, o cabrito será capaz de limpar o terreno num círculo perfeito, se amarrado a uma estaca tornada centro do círculo. O cabritismo aplica-se pois aos responsáveis que comem todos os bens do Estado, disponíveis nas funções que exercem.”
Este livro foi a confirmação daquilo que já sabia a priori: Pepetela é um escritor sem filtros e com uma escrita leve, pautada por uma ironia e sarcasmo incríveis, que nos transportam facilmente para o Universo descrito. Nesta obra, dividida em pequenas crónicas publicadas periodicamente, podemos observar o panorama político e socio-cultural africano, com especial destaque para o de Angola, uma vez que é o país de origem do autor, permitindo uma "dissecação" mais profunda de cada pormenor deste povo e da sua realidade. Creio ser um livro essencial para quem procura sentir de forma mais absoluta o que é, de facto, ser um africano, compreender a perspetiva dos povos de África relativamente a várias questões do Mundo e, muito importante, desconstruir ideias pré-concebidas que se possuam.