Pensando no que a Rich diz sobre a re-visão como forma de sobrevivência. Maria de Lourdes Teixeira foi a primeira mulher a ganhar o Jabuti, escreveu uma meia dúzia de romances, foi tradutora (inclusive de Simone de Beauvoir) foi crítica de jornal e etc, e sumiu do sistema literário brasileiro. Lendo Rua Augusta dá pra entender, o romance tem várias construções críticas à politicas vigentes na época, como o desenvolvimentismo, o fascismo que estava à espreita e a crise dentre gerações em famílias "de sobrenome" paulistas da época. Imagine um romance que tem uma longa passagem em que personagens visitam a China comunista e enxergam muitas possibilidades lá. Aborto, amizades entre mulheres e famílias racistas. Até hoje é difícil de imaginar um romance assim ser premiado, né? Claro que o livro tem seus problemas; trechos muito longos e empolados, muitas descrições e escrito com a linguagem de época (incluindo as gírias, expressões populares e etc) que é o charme e uma dificuldade. Porém, ler esse livro é dar sobrevivência para essa escritora, é poder discutir o que some e o que fica nesse sistema literária, é poder discutir o que rondava na escrita dessa época, poder criticar e ir além.