Na antiga Lusitânia habitava um velho eremita. A sua solidão era apenas interrompida por esporádicos viajantes, provenientes das tribos do território. Mas um dia, o respeitado ancião recebeu na sua cabana, um forasteiro perdido que se revelou muito especial.
2º Lugar do Prémio Campos do Jordão de Literatura 2015, categoria autor internacional.
Nasci em Vendas Novas (Alentejo) em 1974. Sou filha de emigrantes e passei grande parte da minha infância em Londres, onde recebi uma educação católica. Considero esses anos na Christ The King School e depois a continuação no Colégio Laura Vicuña em Vendas Novas, como os mais decisivos na minha formação. Sou inquieta e curiosa e nunca fui capaz de me fixar apenas numa área de interesse.
Aos 17 anos, ingressei na Força Aérea Portuguesa, naquela que foi a primeira incorporação com militares de ambos os sexos em Portugal. Após seis anos na FAP, onde fui especialista de comunicações, ingressei na banca onde estou até agora a trabalhar em informática.
Em paralelo com a minha vida profissional, completei a licenciatura (pré-bolonha) em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, no ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), e o mestrado em Informática Aplicada à Sociedade da Informação e do Conhecimento, no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa).
A leitura e a escrita desde cedo ocuparam um lugar muito importante na minha vida.
Nunca tinha lido nada de Ana Luiz, e quando me apercebi que conhecia a autora virtualmente, tive de fazer um esforço enorme para conseguir separar a sua personalidade tão simpática do seu trabalho. Estava na hora de ser imparcial! A verdade é que Ashram não me estava a apaixonar, até àqueles últimos parágrafos. Parecia-me uma história muito pequena para estar a perder tempo com algumas das situações contadas, e sinceramente estava a aborrecer-me. Mas depois de ler a conclusão fiquei conquistada, e vi Ashram com outros olhos; embora aponte os mesmos defeitos, há um véu de encantamento nas palavras que me fazem sorrir quando penso na história.
Desconheço se a autora se baseou em alguma lenda já existente para dar forma a este conto, mas de qualquer das formas é uma narrativa muito bonita e que vale bem a pena a leitura.
Não conhecia esta autora!! Mas este ano quero conhecer mais novos autores portugueses e nada melhor que começar por ler os seus contos que nos disponibilizam gratuitamente. O título fez-me lembrar retiros espirituais de yoga e meditação. O conto não se trata propriamente disso, mas não deixa de ser uma história de descoberta! Este conto é sobre um velho ermita que escreve histórias sobre os seus visitantes, que vão até ele buscar outras histórias. Até que um dia recebe uma visita inesperada que nos leva a um final inesperado! Que eu adorei... Gostei do conto e da escrita da autora bem estrutura. Recomendo a sua leitura!
A Ana Luiz é uma escritora fantástica. Adoro os contos dela, e quem os lê facilmente compreende a sua qualidade. Este conto é-me particularmente especial pois li-o como beta-reader já há uns tempos. E é daqueles contos que nos marcam pela temática. A Ana é assim, consegue escrever sobre qualquer temática (mesmo temáticas que não me dizem nada) e torná-los especiais. O problema com a Ana é que sempre que me pede para fazer de beta-reader sinto-me impotente, sem nada para dizer, pois ela escreve tudo de forma tão clara, e constrói uma história de forma tão bem estruturada, que normalmente não me "sai" nada de construtivo.
Nesta história encontramos um Ansião eremita que habita numa zona muito especial que, no entanto, de vez em quando, abre a sua "porta" a alguns forasteiros em troca de algo... Sendo que um dia aparece um que é um pouco diferente. Que acontecerá? Claro que o amor aos livros está aqui impregnado, e por isso acho que qualquer pessoa que goste de ler encontrará aqui algo de especial.
Conto intrigante, que nos transporta para os ermos da antiga lusitânia numa história sobre um contador de histórias. Um eremita sobrevive no alto de uma montanha graças à sua capacidade de contar histórias, que transmite aos visitantes vindos das tribos circundantes. Estes recompensam-no com víveres, e levam para as suas tribos relatos sem que no entanto se recordem do que passaram no topo da montanha. Algo diferente acontecerá quando um viajante escanzelado encontra refúgio no abrigo do eremita e lhe transmite através da sua história o poder da música. Poderia dizer que tipo de música é, mas isso seria um tremendo spoiler ao conto.
O conto destaca-se pela solidez da sua ambiência, mergulhando-nos nos ermos e serranias do país profundo, ou melhor, do berço do nosso país contemporâneo. Só um detalhe me escapou: se estamos a falar de tempos pré-romanos, como é que o eremita tinha tabaco para fumar? Pequeno pormenor, que não estraga um conto muito sólido.
Este conto passa-se ainda na lusitânia e fala-nos de um velho eremita que escreve histórias que troca depois por comida.
O conceito está muito interessante e a história também, especialmente o final. No entanto a escrita, ou melhor, a forma de contar a história em prosa, fazendo quase nenhum uso do diálogo ou de cenas contadas de uma forma mais intensa, não me encheu bem as medidas. Embora eu até entenda que talvez o intuito fosse contar a história como se esta estivesse, mais ou menos, a ser contada como uma das histórias do velho eremita (das que se contam à volta da fogueira), no fim acho que talvez o conto tivesse ganho outra dimensão se as cenas entre o eremita e o rei fossem mais sentidas.
No geral gostei mas não posso dizer que a prosa me tenha maracado. Dito isto, o final conseguiu surpreender.