RESUMO DO LIVRO ESCRITO EM 2012:
Sendo o segundo livro do autor, é contudo o primeiro em que se afasta do determinismo genético. Especialista em epidemiologia genética, estudou gémeos durante anos no Reino Unido com financiamento da União Europeia. Mas mesmo gémeos são «identicamente distintos».
Os genes determinam o nosso aspeto e anatomia, e, em grande medida, a maioria dos nossos gestos inconscientes, como a maneira de rir ou de beber com uma chávena. Somos muito recetivos a pistas subtis na linguagem corporal, por isso, os estranhos pensam que os gémeos têm parenças arrepiantes. Mas o aspeto e os gestos superficiais turvam-nos a vista, existindo diferenças consideráveis entre gémeos.
São os genes que garantem a nossa flexibilidade e aleatoriedade (os genes da plasticidade), são eles que talvez nos estejam a proteger de uma forma subtil, pois asseguram que as caraterísticas de cada geração sejam mais variadas e imprevisíveis quando são expostas a ambientes que mudam. Esta variabilidade é fundamental para a sobrevivência humana. Sem ela, responderíamos do mesmo modo e poderíamos morrer todos face à fome, epidemias, gula e desastres naturais.
Muita coisa falta ainda compreender na área da epigenética, mas quatro crenças foram derrubadas. A 1.ª crença: os genes são a essência dos seres humanos, o nosso padrão ou o código da vida.
O uso frequente e infalível dos genes nas ciências forenses contribuiu para lhes dar uma reputação exagerada, assim como a influência de autores como Richard Dawkins (escreveu o Gene Egoísta) que propôs que que os seres humanos não eram senão os portadores quase robóticos destes genes «egoístas» e autoreplicantes.
Os genes não deixam de ser importantes, mas perderam o seu estatuto privilegiado e proeminente, em especial porque está a desaparecer a distinção entre inato e adquirido (nature versus nurture).
Os genes são atores importantes do corpo, mas não podem atuar sozinhos e formam parte de uma equipa complexa. A célula que os hospede é também importante, pois produz as proteínas e enzimas que levam a cabo as funções corporais e outros processos fundamentais, inclusive a ativação e desativação de genes, como os efeitos epigenéticos a longo prazo como a metilação.
Somos organismos complexos formados por redes de células em interação, o que inclui os genes, os sistemas que modificam os genes, a sua expresão e a forma como trabalham uns com os outros.
Além disso, as leis que regem tudo isto não são rígidas, daí que não há pré-determinação, ou seja, não estamos predestinados pelos nossos genes. Assim, do mesmo modo que podemos mudar o nosso estilo de vida, também podemos mudar os nossos genes.
A 2ª crença errónea: os genes e o destino herdado era fixo. Agora sabe-se que isto é a exceção, não a regra. Isto acontece apenas em doenças raras, como a de Huntington, em que a mutação de um único gene provoca demência precoce e morte. No entanto, mesmo no caso desta doença, não podemos prever de forma exata qual será a gravidade e em que altura aparecem os sintomas.
A 4ª crença: Os efeitos do meio dos pais ou dos avós não podem transmitir-se. É isto a hereditariedade de carateres adquiridos ou soft inherance que Lamarck propõe e Darwin aceitou como sendo possível. Os efeitos da grande fome nos Países Baixos na 2ª Guerra Mundial transmitiram-se aos filhos, o que acontece tanto nos seres humanos como nos outros mamíferos. É um mecanismo epigenético.
Resumo: A lição mais importante é que podemos mudar os nossos genes, o nosso destino e o dos nossos filhos e netos. Importa, e muito, o que fazemos ao nosso corpo, e importa também o que os nossos avós fizeram aos seus há muitos anos. Talvez tenham enfrentado situações de stress como a fome e doenças, mas nós também temos de enfrentar decisões vitais como deixar de fumar, tornar-mo-nos vegetarianos ou mudar a nossa flora intestinal. Estas decisões podem afetar a nossa vida e, possivelmente, a de várias gerações.